29 maio, 2013

perdi as estrelas

quando eu era criança, fechava os olhos e via o universo. parecia estar tudo em movimento. como se todas as estrelas fossem cadentes.


hoje fecho os olhos e só é escuro.

22 maio, 2013

reminiscências

corpo,
eu sei que a carência chega a doer
eu sei a falta que aquelas mãos ensurdecedoras faz
mas você precisa abrir-se ao mundo.
o mundo é grande demais para acreditarmos que ha somente um encaixe perfeito.

ainda ferveremos

espero que a vida, que as pessoas bonitas e quentes consigam fazer a gente ferver de novo um dia. acho que ainda precisamos dessa frieza pra poder ferver novamente um dia, porque só ferver não existe, quem só ferve um dia congela pra sempre.

15 maio, 2013

da sua varanda

enquanto você me comia por trás eu via são paulo na minha frente.
aquele vale cheio de casas, árvores e luzes piscando, se movimentando em silêncio.
quebramos o silêncio com nossos corpos se encontrando, se descobrindo, se desejando.

o som dos corpos é mais bonito que o da goteira caindo na telha ou da playlist sessentista ou das estrelas piscando.

08 maio, 2013

nos cigarros escondidos de madrugada, em silêncio, e no escuro, o barulho da nicotina queimando é alto.
Sua lágrima é minha saliva. 
Você me chora e eu te engulo.

07 maio, 2013

desculpas erradas, meu bem

o problema nunca foi o edifício.
nunca foram as lembranças construídas em cada canto do apartamento, nem cada folha que vocês plantaram juntos, nem o reflexo de vocês na janela do quarto.
não estávamos falando de respeito, nem de amigos, nem de farina, nada do que saiu da sua boca foi verdadeiro.
o problema simplesmente era eu. quem eu sou, a que te remeto, quais sentimentos te causo, quais sensações te provoco, qual sangue te bombeio.

o problema sempre foi você não saber lidar comigo.
o problema, na verdade, sempre foi você não saber lidar com você mesmo.

03 maio, 2013

a intensidade é uma doença contagiosa.


Fico pensando que ninguém se cura de nada. nunca. e que a dor são poros por onde transpiram a escrita. tudo sobra em mim, e ao mesmo tempo, não há nada em mim. nem ninguém. não sofro de nada nem ninguém.



hoje matei a saudade de Camila