eu não sei com que força estou digitando essas letras que formam palavras e por fim formam frases. não sei da onde vem essa dor, se veio do interno e passou pro externo ou vice-versa. se veio da minha história, do passado, ou da minha falta de controle. as pessoas insistem em voltar, aquelas que estavam quase-que-esquecidas. e vem à tona turbulentar, confundir, se expor. a verdade nunca foi clara, sempre fui protegida dela, protegida de todos os lados por amor. mas hoje não sou mais inocente, hoje eu penso, eu sinto, tenho opiniões. como dói saber de tudo isso, escutar da sua própria boca palavras tão insensíveis, tão cruéis e desmascaradas. eu conheci você. simplesmente você, sem máscaras, sem fantasias, sem boas lembranças, sem proteção materna. senti seu abraço frio depois de tantos anos, cruzei com seu olhar perdido, vazio. não senti o amor de artista que sempre achei que tinha. não tive vontade de falar do que gosto, da minha vida, não quis mostrar meus desenhos, nem falar que gosto de paralamas e djavan (mesmo que eles lembram muito você). eu sentia falta do que nunca tive, mas hoje percebi que já tenho tudo que preciso, do melhor jeito sincero e real. você é fantasia, você é história, você faz parte do que me tornei, mas não sou o que você é. eu sou realidade, sou amor, sou alegria, sou sincera, sou filha, sou humana e mais importante: não sou criança.
precisei sentir a frieza e o vazio, perguntar algum porquê e ter certeza que não preciso disso. não preciso. só preciso é do amor com aqueles que me criaram do melhor jeito, só preciso daqueles que deram a vida por mim e continuam dando, até o fim. mas saiba que não choro por arrependimento nem de saudade, minhas lágrimas são de desgosto pelo ser humano, especificamente por você que afirma que a vida é bela e sem consequências. e vem cá, a vida é bela com toda certeza, mas há, E MUITAS, consequências de acordo com cada atitude e palavra escolhida. eu sou uma consequência, não queria, porém não coube a mim a decisão.
31 maio, 2009
26 maio, 2009
paraíso
a felicidade, as vezes, é tão simples. é numa passagem cara de avião e numa mesa de bar, é nas palavras bêbadas, é nos copos e corações transbordantes. muito amor, de todos os lados, nos enchendo e esvaziando pra encher de novo. é na intensidade dos abraços suados, nas gargalhadas soltas, nos excessos de cigarros e bebida, nos excessos de água gelada pra limpar o corpo nu cansado. a felicidade é real, o amor existe. existe de uma forma absurda, sem dimensões. dói tanto a saudade, a realidade vivida e preferida.
são paulo se tornou mais bela, mais cinza, mais quente de amor. as noites escutaram nossos gritos de felicidade e nossos risos borbulhando de dentro pra fora. o paraíso virou tão próximo, tão aconchegante. camisola, calcinha e conversas como se fossem, desde crianças, desde de sempre, amigas.
vem pro reino da alegria, eterno, feliz, aconchegante. vem falar sobre amor, sobre aracaju, vem cantar 'clareia minha vida, amor, no olhar' nos meus ouvidos. vem sambar, beber, me ter, só não se esqueça da hora de parar, só vamos embora quando tudo terminar.
vem viver a realidade.
vem amar.
vem transbordar.
a verdadeira poesia desaba a alma.
são paulo se tornou mais bela, mais cinza, mais quente de amor. as noites escutaram nossos gritos de felicidade e nossos risos borbulhando de dentro pra fora. o paraíso virou tão próximo, tão aconchegante. camisola, calcinha e conversas como se fossem, desde crianças, desde de sempre, amigas.
vem pro reino da alegria, eterno, feliz, aconchegante. vem falar sobre amor, sobre aracaju, vem cantar 'clareia minha vida, amor, no olhar' nos meus ouvidos. vem sambar, beber, me ter, só não se esqueça da hora de parar, só vamos embora quando tudo terminar.
vem viver a realidade.
vem amar.
vem transbordar.
a verdadeira poesia desaba a alma.
09 maio, 2009
a realidade dentro do trem
era quarta feira, são paulo estava cinza, o Sol se escondia entre as nuvens e de vez em quando conseguia esquentar quem procurava por ele. peguei metro e trem como todos os dias. escolhi um vagão qualquer, um mais vazio, queria sentar, mochila pesada. quando o trem pára e abre as portas na barra-funda aquele vagão enche. carrinhos com melões e atemóias, de monte, atrapalhando gritantemente a passagem. pessoas de pé, sentadas no chão, expremidas nos bancos. entram dois caras conversando, um com violão, outro com cabelo cor de fogo. começam a tocar 'No dia em que saí de casa minha mãe me disse filho vem cá...' e eu me empolguei porque lembrei do filme dois filhos de Francisco e sabia o que significava aquela letra. o do cabelo cor de fogo viu meus lábios se mexendo, continuou a cantar e andar pelo vagão, por entre pernas, sacolas e melões. e eu sentada ali, sem conseguir piscar, queria ter uma máquina pra registrar as bizarrices belas e diárias. 'Mas ela sabe que depois que cresce, o filho vira passarinho e quer voar' e estava chegando minha estação e não queria perder a continuação daquilo, parecia cenário pra um filme nacional. era realidade. havia gritos dos comerciantes ambulantes, quem quer? quem quer tesoura? bala? amendoim? escutava vozes, risadas, as cordas do violão. meus pensamentos conseguiram silenciar tudo à volta, eram mais altos, meus olhos queriam registrar tudo, não perder nenhum detalhe. deixei aquele assento sujo, aquele vagão único, mágico, tão real pensando que nem todos os dias é tão ruim pegar trem. a realidade está dentro de um trem.
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