07 dezembro, 2009
03 dezembro, 2009
fuga
hoje tive medo da cor do céu, tive medo dos raios e da tempestade. tive medo ao assistir a porra do jornal e me atualizar apenas das desgraças: dos tornados no rio grande do sul, do piscinão no taboão da serra, dos alagamentos constantes em são paulo, das pessoas soterradas, da mãe que acorrenta o próprio filho na própria casa, do empresário pedófilo de 74 anos que comia 3 menininhas no motel. caralho que mundo é esse? quem são esses monstros que vivem no meio da gente?
eu só consegui pensar em fugir disso, fugir de são paulo e do trânsito, fugir do barulho e das enchentes. pensei em pegar minhas tintas, minhas fotos, minhas palavras e livros e fugir pra algum lugar bem longe, tranquilo, deserto. fugir não por covardia, só tenho medo de me tornar alguém que não quero ser em meio a essa loucura. hoje minha médica perguntou se queria tomar calmante, não eu não quero calmante! eu vou saber me equilibrar, só preciso de tempo. mas não depende só de mim, o mundo a minha volta influencia em tudo isso. ah, eu até consigo imaginar areia branca e mar azul, uma casinha de madeira, o gabriel bolando um cigarrinho de palha e eu assando uma lagosta pra gente. mas sabe qual é o pior de tudo? eu sempre sentirei falta dessa merda caótica que se chama são paulo.
eu só consegui pensar em fugir disso, fugir de são paulo e do trânsito, fugir do barulho e das enchentes. pensei em pegar minhas tintas, minhas fotos, minhas palavras e livros e fugir pra algum lugar bem longe, tranquilo, deserto. fugir não por covardia, só tenho medo de me tornar alguém que não quero ser em meio a essa loucura. hoje minha médica perguntou se queria tomar calmante, não eu não quero calmante! eu vou saber me equilibrar, só preciso de tempo. mas não depende só de mim, o mundo a minha volta influencia em tudo isso. ah, eu até consigo imaginar areia branca e mar azul, uma casinha de madeira, o gabriel bolando um cigarrinho de palha e eu assando uma lagosta pra gente. mas sabe qual é o pior de tudo? eu sempre sentirei falta dessa merda caótica que se chama são paulo.
12 novembro, 2009
desfalecimento
eu comecei a entender que o corpo é muito fraco. adoece, envelhece, absorve todo o ruim do externo; e por isso as dores de estômago, as enxaquecas terríveis, a queda de cabelo exagerada, o sono pesado. parece que a mente e o coração suportam as dores, as sensações, os sentimentos e as loucuras, mas o corpo não. desfalece.
08 novembro, 2009
06 novembro, 2009
27 outubro, 2009
hoje me decifraram sem medidas.
disseram que irradio uma energia enorme, que atraio muita gente. disseram que sou racional e delicada. disseram que sei lidar com as coisas e com as pessoas, disseram que prezo muito o tempo, ou melhor, as histórias contruídas pelo tempo.
foram palavras sinceras que ao soarem, minha alma acalmou, repousou. é aquela coisa de você nunca saber se tá conseguindo fazer o certo (pra você).
hoje eu escutei sobre mim, e gostei.
disseram que irradio uma energia enorme, que atraio muita gente. disseram que sou racional e delicada. disseram que sei lidar com as coisas e com as pessoas, disseram que prezo muito o tempo, ou melhor, as histórias contruídas pelo tempo.
foram palavras sinceras que ao soarem, minha alma acalmou, repousou. é aquela coisa de você nunca saber se tá conseguindo fazer o certo (pra você).
hoje eu escutei sobre mim, e gostei.
26 outubro, 2009
coração racional
eu estava ali, na primeira fileira daquela platéia pequena improvisada. a um metro de distância do piano e do violino. fiquei ali, inicialmente para fazer volume no evento, mas depois dei-me conta que foi a melhor coisa sentar na primeira fileira. ao lado de toda aquela postura elitista e fingida, contive todo choro durante os romances de edward elgar, kreisler e tantos outros mestres. você estava congelando aquela melodia e aplausos longe de mim. e por instantes intensos e profundos, eu quis sair correndo atrás de você e lhe dizer todo meu amor. você é meu orgulho, meu futuro, meu sorriso, meus dias e noites. estar naquele momento com você me fez pensar em quem nós somos e o que estamos vivendo. cada toque de alma no piano e cada corda tocada do violino me fazia arrepiar por completo, eu passei a entender que aprendi a pensar com o coração. nossos corações além de sentirem, agora eles pensam, são racionais. somos emoção ainda, mas estamos amadurecendo emocionalmente.
vamos criar nossa melodia, que só nossos ouvidos ouçam porque só nós conhecemos nossa história, nosso ritmo, nosso toque (de amor).
naquela noite, eu me senti sua companheira verdadeiramente. foi tão bom saber que tenho alguém como companheiro, pra tudo e sempre. me senti completa e borbulhante de sorrisos internos que saíam em risadas altas após algumas taças de vinho.
você prometeu-me compor uma melodia chamada marcella klimuk.
mas você só não sabe que ao me tocar, todos os dias, com toques de carinho e amor, você já me faz melodia.
eu sou sua música preferida.
vamos criar nossa melodia, que só nossos ouvidos ouçam porque só nós conhecemos nossa história, nosso ritmo, nosso toque (de amor).
naquela noite, eu me senti sua companheira verdadeiramente. foi tão bom saber que tenho alguém como companheiro, pra tudo e sempre. me senti completa e borbulhante de sorrisos internos que saíam em risadas altas após algumas taças de vinho.
você prometeu-me compor uma melodia chamada marcella klimuk.
mas você só não sabe que ao me tocar, todos os dias, com toques de carinho e amor, você já me faz melodia.
eu sou sua música preferida.
15 outubro, 2009
14 outubro, 2009
13 outubro, 2009
existência
a água sempre vai pelo caminho mais fácil, concordando com a gravidade, desviando das coisas, entrando em lugares pequenos e estranhos. é o caminho mais fácil porque ela não vai contra a lei natural das coisas. porém esse caminho não é o mais curto, talvez seja o mais longo de todos até chegar onde ela precisa chegar. a gente tenta fazer do nosso jeito sempre e esquece que as coisas naturalmente tem seu ciclo. tudo na vida muda constantemente, a gente muda todo dia, de humor, de pensamento e de vontade. só é preciso estar em sintonia com as pessoas que amamos, sabendo que tudo tem seu tempo, a hora certa pra tudo. a gente precisa cair e se enganar pra levantar e ter certeza do todo o resto.
interromper o ciclo das coisas é aleijar a existência. é ir contra a gravidade e contra a si mesmo, consequentemente.
assim como uma cor isolada não é uma cor, assim como nenhum ser vivo é vivo se isolado do mundo, nós humanos, mais que qualquer coisa, não sobrevivemos sozinhos. o amor é a força pra viver. o amor é a vontade de nos tornarmos pessoas melhores e suportáveis. a gente só existe quando um outro olha pra gente.
vamos junto com a água, nos deixar levar pela gravidade natural, sem pressa, ela nos dirá qual caminho é melhor a ser seguido. vamos ser cores juntos, pessoas existentes juntas, vamos existir juntos.
interromper o ciclo das coisas é aleijar a existência. é ir contra a gravidade e contra a si mesmo, consequentemente.
assim como uma cor isolada não é uma cor, assim como nenhum ser vivo é vivo se isolado do mundo, nós humanos, mais que qualquer coisa, não sobrevivemos sozinhos. o amor é a força pra viver. o amor é a vontade de nos tornarmos pessoas melhores e suportáveis. a gente só existe quando um outro olha pra gente.
vamos junto com a água, nos deixar levar pela gravidade natural, sem pressa, ela nos dirá qual caminho é melhor a ser seguido. vamos ser cores juntos, pessoas existentes juntas, vamos existir juntos.
08 outubro, 2009
cheiro de primavera molhada
olhei a janela e vi aquela luz cinza que chega a cegar. a chuvinha caiu a madrugada inteira e continuou pelo resto do dia. escolhi uma roupa vibrante para me sentir bem, lencinho no pescoço, rímel nos cílios pra tentar esconder a madrugada mal dormida, um blush pra tirar a palidez. como todos os dias. não tinha como mudar as sensações durante o dia, o mal estar sempre presente, alguma dor física que junta-se com a dor interna. tentar prestar atenção na aula, tentar fazer algum exercício de plástica, tentar sorrir. teve parabéns, bolo com velas e brindamos com uma skol gelada em plena 11 am, aquilo me desceu bem, me fez bem. bolo de chocolate e cerveja gelada num dia frio. o frio de todos os lados me congelou internamente. tentei ficar imune aos meus pensamentos massantes, aos sentimentos que rasgam o peito. saí da rotina e fiz um caminho diferente, desci a avenida angélica a pé, em meio a chuva, com um guarda-chuva fodido, pasta na mão, mochila nas costas e um cigarro tentando ficar aceso em meio a tanta confusão. meus pés já estavam ficando gelados dentro do couro molhado da bota, mas tudo isso me fazia bem. entrei no parque buenos aires sozinha, pela primeira vez, vazio, mas eu senti cheiro de primavera molhada. andei por entre orquídeas e flores amarelas no chão. eu precisava ver coisas bonitas, acreditar na beleza natural das coisas. desci até a são joão a pé, molhada, espairecida, confiante. esperei meu ônibus debaixo do elevado, aquele frio gelado que passa descabelando e refrescando a alma. o cheiro de são paulo molhada é um cheiro até que bom. meu corpo pedia conforto, mas eu me sentia bem naquela situação. por mim andaria pelas ruas paulistanas enxarcadas de poças e merdas desfeitas na calçada. só pra conseguir alinhar os pensamentos e sentir são paulo até me enjoar.
07 outubro, 2009
afogamento
era um dia quente.
transpiração, respiração, mais transpiração, ansiedade, agonia, cansaço. o calor intensifica as sensações. sabia que ia chover, mas os pés estavam descobertos e o guarda-chuva não estava na bolsa. livre. caminhar pelas ruas e pingos gelados, pra assistir um filme sobre amor, sobre são paulo, sobre desilusões. combo de pipoca com guaraná, baratas saindo pelos bueiros, esgoto no pé, ônibus cheio, vidros fechados. tudo fodido. fodido pra caralho. esse desgaste urbano que faz a gente querer desistir de tudo. mas é ao mesmo tempo esse amor por são paulo molhada e caótica que nos faz sair de casa e enfrentarmos todo dia a mesma coisa, o mesmo cansaço, a mesma brutalidade. é a beleza da verticalidade, das luzes entre os prédios e torres. da diversidade nas ruas, a contradição nas calçadas, nos muros. a mudança rápida, amanhã já é diferente, amanhã já virou passado. tudo passa apressado, e apressado.
as noites viradas, a poesia bonita na estante empoeirada no velho sebo do 2º andar, a vista panorâmica cinza, as escadas por fora dos prédios, barulho, barulho, barulho.
a cidade enlouquece, não tem dó, judia, massacra, te afoga.
transpiração, respiração, mais transpiração, ansiedade, agonia, cansaço. o calor intensifica as sensações. sabia que ia chover, mas os pés estavam descobertos e o guarda-chuva não estava na bolsa. livre. caminhar pelas ruas e pingos gelados, pra assistir um filme sobre amor, sobre são paulo, sobre desilusões. combo de pipoca com guaraná, baratas saindo pelos bueiros, esgoto no pé, ônibus cheio, vidros fechados. tudo fodido. fodido pra caralho. esse desgaste urbano que faz a gente querer desistir de tudo. mas é ao mesmo tempo esse amor por são paulo molhada e caótica que nos faz sair de casa e enfrentarmos todo dia a mesma coisa, o mesmo cansaço, a mesma brutalidade. é a beleza da verticalidade, das luzes entre os prédios e torres. da diversidade nas ruas, a contradição nas calçadas, nos muros. a mudança rápida, amanhã já é diferente, amanhã já virou passado. tudo passa apressado, e apressado.
as noites viradas, a poesia bonita na estante empoeirada no velho sebo do 2º andar, a vista panorâmica cinza, as escadas por fora dos prédios, barulho, barulho, barulho.
a cidade enlouquece, não tem dó, judia, massacra, te afoga.
03 outubro, 2009
29 setembro, 2009
24 setembro, 2009
todo dia é dia de morrer (e talvez, viver)
as vezes eu quero morrer morrer morrer.
são paulo me mata, o amor me mata, eu mesma me mato. as pessoas frias me matam, a carência me mata, esperar por alguma coisa (ou nada) me mata, ter saudade me mata, querer chorar durante dias me mata, unhas roídas e sem esmaltes me matam, dores físicas me matam, dores no coração me matam mais ainda. não ter vontade de levantar da cama me mata, levantar da cama e ter um péssimo dia me mata mais ainda. a insegurança me mata, o passado me mata, eles me matam, você me mata. esse vazio me mata, a intensidade de sentimentos de mata, meu estômago doente me mata todo o dia. ficar tanto tempo sem dançar me mata, o silêncio me mata, a rotina me mata. a preguiça diária me mata, a irresponsabilidade me mata, o transporte público lotado me mata, a falta de palavras me mata.
eu morro e renasço todo dia. na verdade, morro todo dia e renasço de vez em quando.
são paulo me mata, o amor me mata, eu mesma me mato. as pessoas frias me matam, a carência me mata, esperar por alguma coisa (ou nada) me mata, ter saudade me mata, querer chorar durante dias me mata, unhas roídas e sem esmaltes me matam, dores físicas me matam, dores no coração me matam mais ainda. não ter vontade de levantar da cama me mata, levantar da cama e ter um péssimo dia me mata mais ainda. a insegurança me mata, o passado me mata, eles me matam, você me mata. esse vazio me mata, a intensidade de sentimentos de mata, meu estômago doente me mata todo o dia. ficar tanto tempo sem dançar me mata, o silêncio me mata, a rotina me mata. a preguiça diária me mata, a irresponsabilidade me mata, o transporte público lotado me mata, a falta de palavras me mata.
eu morro e renasço todo dia. na verdade, morro todo dia e renasço de vez em quando.
22 setembro, 2009
sobre saudade

escutei mombojó ontem no metrô e naquele ruído intenso subterrâneo pensei na melodia boa que sua voz soou durante alguns dias em meus ouvidos. e dentro de mim bateu a saudade que dói e que me faz te amar mais ainda. num impulso te mandei uma mensagem sincera de saudade no celular e você me respondeu em dobro, sabendo o que dizer, do paraíso, da minha ausência-paulistana, do nosso amor. e no fim, você entende que são paulo me consome até o talo, que o cinza me arrasta pra longe (fisicamente), mas nossos corações estão sempre juntinhos. e toda essa pressão acadêmica e social me consome e me faz sentir falta de (te) amar, portanto isso é uma questão de fase, porque na maioria dos meus dias, vivo pra amar e vivo (te) amando.
e hoje ao falar sobre nordeste, são paulo, cinza, interior, a nossa realidade - boa e ruim-, as nossas almas que se encontraram nesse deserto, a verdadeira poesia desabando por dentro, e desabamos em lágrimas espontâneas, eu aqui, você aí. o quanto eu encontrei de mim em você e muito de você em mim. até nosso sorriso tem semelhança. algo que só nós entendemos, muito mais profundo que, a princípio, não imaginávamos.
eu quero tanto sentir seu coração batendo junto com o meu, nesses peitos loucos de amor, sabendo que o mundo inteiro está contra a gente. mas nós amamos e amamos e amamos. e não sabemos nos entregar pela metade, a gente mergulha de corpo e alma e bate a cabeça até (não) cansar.
traga seu nordeste calmo e quente pra mim. eu vou lhe ensinar a não enlouquecer nessa cidade caótica e linda ao mesmo tempo. venha absorver tudo que são paulo tem de melhor, vamos conhecer o avesso do avesso do avesso do avesso que é a própria cidade nas suas esquinas, bares e malandragens. vamos fumar nossos cigarros lá fora do bar, de pé, na calçada e respirar o ar fresco de são paulo ao anoitecer. vem viver ao meu ladinho, me socorrer dessa saudade que corrói. quero sentir o gosto de nordeste no suco de maracujá e na lasanha descongelada, sentir seu cheiro de perfumes caros e doces que você tem. escutar que esse é o nosso reino da alegria. quero dançar e gritar num show do mombojó com você e te carregar pro palco pra dançar comigo, frenetimente, pra esquecermos o mundo todo juntas.
eu quero um samba pra me aquecer, quero algo pra beber, quero você
peça tudo que quiser. quantos sambas agüentar dançar, mas não esqueça do seu trato da hora de parar, só vamos embora quando tudo terminar. eu vou te levar aonde você quer chegar, eu tenho a chave nada impede a vida acontecer. deixe-se acreditar, nada vai te acontecer. tudo pode ser, nada vai acontecer, não tema, esse é o reino da alegria. vamos viver na íntegra tudo isso. vamos sumir nessa massa cinzenta paulistana juntas.
03 setembro, 2009
31 agosto, 2009
26 agosto, 2009
21 agosto, 2009
18 agosto, 2009
sentir são paulo
são paulo me cerca mas eu tô com saudade de sentir são paulo úmida em mim. saudade das luzes e do vento gelado, das cores gris, dos grafittis nos muros e das bitucas de cigarros pelo asfalto. hoje senti vontade de sair debaixo da chuva, andar entre os guarda-chuvas abertos e sentir meus pés molhados. hoje quis transbordar marcella, transbordar amor amor são paulo em mim. me senti bem naquela mesa de bar pós-aula, com estômago pedindo comida desde as 6am, senti que encontraria meus eixos durante o dia, durante as palavras trocadas de experiência e amor. mas eu me deparo nessa cadeira, nesse computador tediante com estômago doendo, um pacote de suspiro aberto ao lado, um livro de arte contemporânea pra resenhar, o telefone estático esperando alguém ligar e me dizer boas coisas. chove muito lá fora, a energia acabou por alguns segundos, deitei na minha cama aconchegante esperando que quando eu abrisse os olhos, a dor tivesse ido embora, ela foi, mas já voltou. e volta, todos os dias. eu não quero mais lidar com dores físicas, elas me destróem. não mais que a saudade, não mais que o amor que corta as veias, que me cansa e consome. eu só preciso sair de casa agora, respirar são paulo, chão molhado, poluição diminuída, preciso escutar as buzinas infernais e ir a um lugar bonito beber de graça e acabar de vez com esse estômago doente.
17 agosto, 2009
14 agosto, 2009
samba e amor
13 agosto, 2009
10 agosto, 2009
Always mad and usually drunk but I love him like no other
o amor cansa, excede, corrói aos poucos. preenche todas minhas veias até elas quase explodirem de tanto borbulhar por você. o amor me faz viver. o amor me faz querer morrer. não vivo mais sem você. sem seu sotaque gostoso e sua pele braquinha. suas manias que já viraram minhas manias, suas palavras-únicas que hoje saem mais da minha boca do que da sua. seu carinho intenso, seus olhos que brilham ao falar de mim, seu ser que me completa, por inteira. seu corpo que junto com o meu, vira um só. não posso viver sem seus abraços fortes, seu cheiro doce, sua barba cheirando a cigarro, suas unhas quadradinhas e sua boca vermelha me dizendo coisas que me fazem delirar, que me levam ao céu e ao inferno, no mesmo instante. eu sou completa somente com você. não lembro mais como eu era antes de você aparecer e me trazer esse alívio. esse alívio na voz. me tira dessa dor excessiva, desse escuro que me cega aos poucos. te amar dói, mas viver sem você dói mais ainda. eu não suportaria. eu não posso fugir de mim mesma porque tem que doer pra eu me sentir viva. por isso sou tão viva ao seu lado. por isso você deu-me cores e cores e sorrisos e um coração louco de amor, um corpo entregue ao seu, uma mente compulsiva em te amar e uma alma incompleta pra completar a sua (incompleta também).
where we're gonna go? where we're gonna go?
where we're gonna go? where we're gonna go?
03 agosto, 2009
31 julho, 2009
30 julho, 2009
porque chovia lá fora e chuvia muito aqui dentro. tava frio lá fora e eu precisei tanto de alguém pra esquentar a alma. te li e reli, tuas citações de caio, clarah e vinicius e tu dizendo que não existe mais nada nada que não seja coração, coração fodido, acabado, cansado. e fui me trancar na escuridão imensa e consegui escutar tua voz rouca de cigarros e ressaca cantando and I start to complain that there's no rain, and all I can do is read a book to stay awake, and it rips my life away, but it's a great escape pra mim. tua voz acalma meu coração fodido e olhei são paulo cinza e fria e úmida contigo, são paulo sempre está cinza e fria contigo, não mais fria que minha cama, vazia e imensa e sozinha. tua voz ecoou por toda noite na minha mente me salvando, me chamando, enquanto eu apertava meus olhos e minhas mãos bem fortes dizendo pra mim mesma que não aguento mais, que o amor destrói e minha alma desaba por dentro. porque chico disse que a verdadeira poesia desaba por dentro. mas vinicius disse que ele nao era feliz porque só alcançava a felicidade quando se queimava. e o amor queima queima pra caralho, o amor dói e dói mas é essa dor que nos faz viver e continuar. viver destrói mas precisamos continuar vivendo pra descobrir onde essa porra toda vai dar. são todas palavras do cerrado distante e quente e acolhedor, do excesso de cigarros amor e alguma bebiba, excesso de alma de carinho de poesia muita poesia, minha poeta.
26 julho, 2009
a cidade não pára. os carros e faróis desfocados, guarda-chuvas nas mãos, as nuvens ameaçando chuva e trânsito. olho através dos pingos no vidro, a rua está cheia e colorida pelos guarda-chuvas abertos, os sons de buzina e trovão, pessoas rindo em seus carros aconchegantes, pessoas descobertas correndo de um lugar para outro. cigarros acesos nas mãos, a fumaça desaparece entre os pingos densos e gelados. meus olhos parecem mais molhados que o asfalto, observam os detalhes, procuram por situações interessantes que me façam sorrir de alguma forma simples e espontânea. dor no estômago, a alma desabando por dentro com toda poesia digerida, o coração em frangalhos se recompondo a cada tragada, a cada cheiro de terra molhada, a cada passo com as botas enxarcadas . a controvérsia dos sentimentos bons contra os pensamentos ruins. mas a certeza de que a chuva levará tudo isso (de mim)
20 julho, 2009
11 julho, 2009
lama nos pés
pela janela branca via-se aquela chuva constante. no silêncio litorâneo, escutava-se apenas a chuva. nem o barulho das ondas fortes escutava-se mais. perdi o horizonte. o sol pareceu sumir durante dias. fazia frio, eu não levei roupa quente, apenas shorts e camisetas. incompleta, tediada, aquele apartamento é pequeno demais pra mim. desejei são paulo profundamente. prefiro o caos, o cinza paulistano. fazia muito frio, muito frio. resolvi voltar pra são paulo antes e vesti um shorts jeans e um moleton vermelho, precisava de alguma cor em mim. me deixaram ali na praça panamericana 8am. eu carregava meu corpo trêmulo, minha bolsa e um guarda-chuva ridículo nas mãos. assim que saí do carro pisei na lama. afundei meus dedos naquela coisa nojenta e marrom, minhas unhas ficaram sujas. que ódio. por que eu estava ali mesmo? esperei mais de 10 min naquele ponto desconhecido, precisando de um cigarro, tinha um posto ali na esquina, mas não queria perder meu ônibus. entrei, ainda bem que estava vazio, mas mesmo assim todos olhos perguntavam pra mim que roupa era aquela. minha perna já estava roxa. desci ali no ceasa pra pegar o terminal pirituba. não existia ponto de ônibus, a água suja de chuva e cidade ocupava a calçada inteira. uma velha puxou assunto comigo, roubaram o celular dela. pensei que meu sábado não era o único ruim. tava ruim pra todo mundo debaixo daquela chuva imensa. meu ônibus passou e tava vazio também, ufa. desci num ponto depois do costume, mais perto da padaria. marlboro azul, era o único que tinha maço. abri, peguei o isqueiro, acendi. eu tava pensando em parar depois de quase 1 semana sem fumar na praia. mas eu precisava. essa situação toda, as coisas dando errado, a saudade e as dúvidas aumentando. existia lama entre meu pé e meu chinelo. eu escorregava andando pela rua de casa, não chovia mais. tomei um dos melhores banhos da minha vida, quente. não pensei em mais nada quando senti aquela água quente nos meus pés tirando toda sujeira da rua, da lama, de mim. as vezes é preciso se sujar pra sentir limpa depois. e agora estou limpa, quente, mas ainda vazia por dentro.
04 julho, 2009
02 julho, 2009
te desejo uma fé enorme, em qualquer coisa, não importa o quê, como aquela fé que a gente teve um dia, me deseja também uma coisa bem bonita, uma coisa qualquer maravilhosa, que me faça acreditar em tudo de novo, que nos faça acreditar em tudo outra vez, que leve para longe da minha boca este gosto podre de fracasso...
(caiof)
(caiof)
18 junho, 2009
distância
eu vejo você se matando de perto e de longe. escuto o abrir do armário, a tampa saindo da garrafa, o copo sendo lavado e posto no mármore frio da pia. meus ouvidos doem quando escutam essa rotina algumas vezes por dia. meus olhos já nem se arriscam enxergar esse vício. meu olfato - bem dotado - sente seu cheiro de podridão, de fígado podre declarando morte. eu já joguei todas garrafas fora, já falei com palavras mansas e agressivas. pára, por favor. eu não quero perder ninguém, não posso perder você. tem muita coisa pra você assistir ainda, tanta coisa pra conhecer de mim.
cansei de chegar da rua e ter que lhe cobrir no sofá e desligar a tv. cansei das ofensas e dessa barreira infinita que existe entre eu e você. dói tanto saber que isso não vai acabar nunca, só tende a piorar.
a culpa é de ninguém e é de todo mundo, desde sempre, para sempre.
é tanta falha humana que já nem sei o que precisa ser feito. tornei-me egoísta, fria, distante, uma estranha no ninho.
a falta de amor me derruba, o vazio - cheio de coisas - me faz ir pra longe (de você). tão longe.
acho que Deus sente asco por essa situação toda, e não falta muito pra eu sentir o mesmo.
asco é um sentimento e uma palavra horríveis. (mas é uma das minhas palavras preferidas)
não quero pensar como tudo isso pode terminar um dia, só sei de uma coisa: eu nunca serei como você - embora eu tenha muito de você em mim.
cansei de chegar da rua e ter que lhe cobrir no sofá e desligar a tv. cansei das ofensas e dessa barreira infinita que existe entre eu e você. dói tanto saber que isso não vai acabar nunca, só tende a piorar.
a culpa é de ninguém e é de todo mundo, desde sempre, para sempre.
é tanta falha humana que já nem sei o que precisa ser feito. tornei-me egoísta, fria, distante, uma estranha no ninho.
a falta de amor me derruba, o vazio - cheio de coisas - me faz ir pra longe (de você). tão longe.
acho que Deus sente asco por essa situação toda, e não falta muito pra eu sentir o mesmo.
asco é um sentimento e uma palavra horríveis. (mas é uma das minhas palavras preferidas)
não quero pensar como tudo isso pode terminar um dia, só sei de uma coisa: eu nunca serei como você - embora eu tenha muito de você em mim.
06 junho, 2009
02 junho, 2009
01 junho, 2009
31 maio, 2009
eu sou realidade
eu não sei com que força estou digitando essas letras que formam palavras e por fim formam frases. não sei da onde vem essa dor, se veio do interno e passou pro externo ou vice-versa. se veio da minha história, do passado, ou da minha falta de controle. as pessoas insistem em voltar, aquelas que estavam quase-que-esquecidas. e vem à tona turbulentar, confundir, se expor. a verdade nunca foi clara, sempre fui protegida dela, protegida de todos os lados por amor. mas hoje não sou mais inocente, hoje eu penso, eu sinto, tenho opiniões. como dói saber de tudo isso, escutar da sua própria boca palavras tão insensíveis, tão cruéis e desmascaradas. eu conheci você. simplesmente você, sem máscaras, sem fantasias, sem boas lembranças, sem proteção materna. senti seu abraço frio depois de tantos anos, cruzei com seu olhar perdido, vazio. não senti o amor de artista que sempre achei que tinha. não tive vontade de falar do que gosto, da minha vida, não quis mostrar meus desenhos, nem falar que gosto de paralamas e djavan (mesmo que eles lembram muito você). eu sentia falta do que nunca tive, mas hoje percebi que já tenho tudo que preciso, do melhor jeito sincero e real. você é fantasia, você é história, você faz parte do que me tornei, mas não sou o que você é. eu sou realidade, sou amor, sou alegria, sou sincera, sou filha, sou humana e mais importante: não sou criança.
precisei sentir a frieza e o vazio, perguntar algum porquê e ter certeza que não preciso disso. não preciso. só preciso é do amor com aqueles que me criaram do melhor jeito, só preciso daqueles que deram a vida por mim e continuam dando, até o fim. mas saiba que não choro por arrependimento nem de saudade, minhas lágrimas são de desgosto pelo ser humano, especificamente por você que afirma que a vida é bela e sem consequências. e vem cá, a vida é bela com toda certeza, mas há, E MUITAS, consequências de acordo com cada atitude e palavra escolhida. eu sou uma consequência, não queria, porém não coube a mim a decisão.
precisei sentir a frieza e o vazio, perguntar algum porquê e ter certeza que não preciso disso. não preciso. só preciso é do amor com aqueles que me criaram do melhor jeito, só preciso daqueles que deram a vida por mim e continuam dando, até o fim. mas saiba que não choro por arrependimento nem de saudade, minhas lágrimas são de desgosto pelo ser humano, especificamente por você que afirma que a vida é bela e sem consequências. e vem cá, a vida é bela com toda certeza, mas há, E MUITAS, consequências de acordo com cada atitude e palavra escolhida. eu sou uma consequência, não queria, porém não coube a mim a decisão.
26 maio, 2009
paraíso
a felicidade, as vezes, é tão simples. é numa passagem cara de avião e numa mesa de bar, é nas palavras bêbadas, é nos copos e corações transbordantes. muito amor, de todos os lados, nos enchendo e esvaziando pra encher de novo. é na intensidade dos abraços suados, nas gargalhadas soltas, nos excessos de cigarros e bebida, nos excessos de água gelada pra limpar o corpo nu cansado. a felicidade é real, o amor existe. existe de uma forma absurda, sem dimensões. dói tanto a saudade, a realidade vivida e preferida.
são paulo se tornou mais bela, mais cinza, mais quente de amor. as noites escutaram nossos gritos de felicidade e nossos risos borbulhando de dentro pra fora. o paraíso virou tão próximo, tão aconchegante. camisola, calcinha e conversas como se fossem, desde crianças, desde de sempre, amigas.
vem pro reino da alegria, eterno, feliz, aconchegante. vem falar sobre amor, sobre aracaju, vem cantar 'clareia minha vida, amor, no olhar' nos meus ouvidos. vem sambar, beber, me ter, só não se esqueça da hora de parar, só vamos embora quando tudo terminar.
vem viver a realidade.
vem amar.
vem transbordar.
a verdadeira poesia desaba a alma.
são paulo se tornou mais bela, mais cinza, mais quente de amor. as noites escutaram nossos gritos de felicidade e nossos risos borbulhando de dentro pra fora. o paraíso virou tão próximo, tão aconchegante. camisola, calcinha e conversas como se fossem, desde crianças, desde de sempre, amigas.
vem pro reino da alegria, eterno, feliz, aconchegante. vem falar sobre amor, sobre aracaju, vem cantar 'clareia minha vida, amor, no olhar' nos meus ouvidos. vem sambar, beber, me ter, só não se esqueça da hora de parar, só vamos embora quando tudo terminar.
vem viver a realidade.
vem amar.
vem transbordar.
a verdadeira poesia desaba a alma.
09 maio, 2009
a realidade dentro do trem
era quarta feira, são paulo estava cinza, o Sol se escondia entre as nuvens e de vez em quando conseguia esquentar quem procurava por ele. peguei metro e trem como todos os dias. escolhi um vagão qualquer, um mais vazio, queria sentar, mochila pesada. quando o trem pára e abre as portas na barra-funda aquele vagão enche. carrinhos com melões e atemóias, de monte, atrapalhando gritantemente a passagem. pessoas de pé, sentadas no chão, expremidas nos bancos. entram dois caras conversando, um com violão, outro com cabelo cor de fogo. começam a tocar 'No dia em que saí de casa minha mãe me disse filho vem cá...' e eu me empolguei porque lembrei do filme dois filhos de Francisco e sabia o que significava aquela letra. o do cabelo cor de fogo viu meus lábios se mexendo, continuou a cantar e andar pelo vagão, por entre pernas, sacolas e melões. e eu sentada ali, sem conseguir piscar, queria ter uma máquina pra registrar as bizarrices belas e diárias. 'Mas ela sabe que depois que cresce, o filho vira passarinho e quer voar' e estava chegando minha estação e não queria perder a continuação daquilo, parecia cenário pra um filme nacional. era realidade. havia gritos dos comerciantes ambulantes, quem quer? quem quer tesoura? bala? amendoim? escutava vozes, risadas, as cordas do violão. meus pensamentos conseguiram silenciar tudo à volta, eram mais altos, meus olhos queriam registrar tudo, não perder nenhum detalhe. deixei aquele assento sujo, aquele vagão único, mágico, tão real pensando que nem todos os dias é tão ruim pegar trem. a realidade está dentro de um trem.
13 abril, 2009
continuo com as palavras
eu desenhei nosso universo: perfeito e completo. me senti sozinha nesse mundo todo. me senti tola - vivendo só de fantasia. (parecia tão real)
esqueci da realidade. ruim, falsa, má. a realidade triste e egoísta.
a claridade do que é real fugiu de mim.
amar é sofrer, e eu me dispus a sofrer. não quero sofrer, (mas) quero amar. porém, não posso querer só amar (love is all we need).
as palavras destróem (ou quase) todos sorrisos e planos. os sentimentos sinceros, puros e cegos.
o mundo está cinza agora. como se são paulo me esfriasse, me acinzentasse. virei concreto, caos interno, vento gelado. perdi meus contrastes, meu brilho, a luz refletida nos meus espelhos. me perdi nas minhas próprias esquinas. confundi o chão com o céu, caminhei de cabeça pra baixo, senti a gravidade me corroendo, me destruindo. virei pó, me espalhei por todos muros e prédios. por todos cantos, bares e pessoas. me perdi na minha própria liberdade, foi uma sensação boa de ser livre, mas prefiro não voar (sozinha). não gosto de me perder, gosto das minhas verdades e eixos. ai, meu infinito particular (confuso e profundo).
esqueci da realidade. ruim, falsa, má. a realidade triste e egoísta.
a claridade do que é real fugiu de mim.
amar é sofrer, e eu me dispus a sofrer. não quero sofrer, (mas) quero amar. porém, não posso querer só amar (love is all we need).
as palavras destróem (ou quase) todos sorrisos e planos. os sentimentos sinceros, puros e cegos.
o mundo está cinza agora. como se são paulo me esfriasse, me acinzentasse. virei concreto, caos interno, vento gelado. perdi meus contrastes, meu brilho, a luz refletida nos meus espelhos. me perdi nas minhas próprias esquinas. confundi o chão com o céu, caminhei de cabeça pra baixo, senti a gravidade me corroendo, me destruindo. virei pó, me espalhei por todos muros e prédios. por todos cantos, bares e pessoas. me perdi na minha própria liberdade, foi uma sensação boa de ser livre, mas prefiro não voar (sozinha). não gosto de me perder, gosto das minhas verdades e eixos. ai, meu infinito particular (confuso e profundo).
31 março, 2009
é tempo ...
é tempo de plantar, de aproveitar todas oportunidades, de se jogar, de se perder e voltar ao eixo, de conhecer pessoas, de selecionar verdadeiros amigos (àqueles que serão eternos). é tempo de apaixonar e desapaixonar, de se entregar de corpo e alma, de quebrar a cara, de se recompor, de viver tudo intensamente. é tempo de aprender todo dia, de levar as coisas a sério mas nem tudo, de dançar a noite inteira, de apegar e desapegar às coisas, às pessoas, aos vícios. não pára, não pode parar, o tempo não pára, a cidade não pára, nada, nada. é preciso entender que love is all we need, que sorrisos e promessas falsas tem de monte, se não, o que tem de mais por aí. porém é só saber onde encontrar sorrisos sinceros e abraços quentes, onde há amor, onde há poesia e música agradável. isso também tem de monte, só é preciso encontrar.
intensidade é a palavra desse tempo, tanto no riso como na lágrima. portanto ser intenso não é sinônimo de desequilíbrio, mas até aí eu também não sei medir intensidade de uma forma equilibrada. equilíbrio talvez seja o que a humanidade morre procurando.
chega do insconciente coletivo, das aparências protegidas, das verdades-mentiras. as coisas são ou não são, só falta coragem pra assumir (e ser) a verdade. não quero saber de fitas métricas e paredes brancas, só quero ter a certeza a cada dia que há épocas, tempos, fases. hoje é minha época, meu tempo, minha fase (e acredito que pode durar eternamente) contigo.
intensidade é a palavra desse tempo, tanto no riso como na lágrima. portanto ser intenso não é sinônimo de desequilíbrio, mas até aí eu também não sei medir intensidade de uma forma equilibrada. equilíbrio talvez seja o que a humanidade morre procurando.
chega do insconciente coletivo, das aparências protegidas, das verdades-mentiras. as coisas são ou não são, só falta coragem pra assumir (e ser) a verdade. não quero saber de fitas métricas e paredes brancas, só quero ter a certeza a cada dia que há épocas, tempos, fases. hoje é minha época, meu tempo, minha fase (e acredito que pode durar eternamente) contigo.
02 março, 2009
pés sujos
muita sujeira. lixo nas ruas, nas valetas, nos canteiros. cheiro do ralo exalando 24 horas pra quem passar por ali. sol, asfalto quente, suor na pele, cheiro humano no ar, impregnado no ar. gritos comerciais, quem vende mais, quem pirateia mais, quem rouba mais. mão firme na bolsa, descer as escadas, passar por um túnel ridículo de medíocre - vergonhoso dizer que aquilo é são paulo - medo, cansaço, asco.
asco é a melhor palavra pra resumir a pior sensação de todas. sim, sinto asco por tudo isso.
é tanto cheiro que não sabe se é lixo, carniça, esgoto ou humano. e esses 34ºC paulistanos queimando tudo, deixando tudo mais intenso.
ônibus cheio, ficar de pé, mão nos canos, bolsa na frente, água quente na bolsa, suor escorrendo pelas costas, pelo peito, pelas mãos, pela testa. pés sujos, chinelos imundos. trânsito clássico em plena segunda feira na anhanguera. acabem logo essas obras! descer num ponto que esvazia o ônibus. 'ar puro', não tão denso quanto aquele lá dentro. sentia minha pele suada, grudenta, suja, sentia areia e pó nas pernas. subi a ladeira, ofegante, tentando respirar descentemente. olhei pro céu e vi um céu rosa, laranja, amarelo. ainda existe beleza nesse mundo. esqueci do asco, esqueci da falta de ar, da ladeira enorme, olhava pro céu enquanto andava, tropeçava, mas via o que me fascinava. cheguei em casa, tirei a roupa grudada no corpo poluído, cheirando lapa, cheirando gente alheia. água, ÁGUA fria, água suja descendo pelo ralo, cheiros, cheiros de sabonete, de xampu, cheiro de banho, de limpeza. ufa! colocar a roupa mais leve, tomar suco de laranja gelado, comer salada com shoyu. olhar na janela e deparar diretamente com a lua. linda, crescente, colorida, nuvens e estrelas fazendo parte do conjunto. existe beleza nesse mundo. eu sei que ainda existe! basta saber olhá-las.
asco é a melhor palavra pra resumir a pior sensação de todas. sim, sinto asco por tudo isso.
é tanto cheiro que não sabe se é lixo, carniça, esgoto ou humano. e esses 34ºC paulistanos queimando tudo, deixando tudo mais intenso.
ônibus cheio, ficar de pé, mão nos canos, bolsa na frente, água quente na bolsa, suor escorrendo pelas costas, pelo peito, pelas mãos, pela testa. pés sujos, chinelos imundos. trânsito clássico em plena segunda feira na anhanguera. acabem logo essas obras! descer num ponto que esvazia o ônibus. 'ar puro', não tão denso quanto aquele lá dentro. sentia minha pele suada, grudenta, suja, sentia areia e pó nas pernas. subi a ladeira, ofegante, tentando respirar descentemente. olhei pro céu e vi um céu rosa, laranja, amarelo. ainda existe beleza nesse mundo. esqueci do asco, esqueci da falta de ar, da ladeira enorme, olhava pro céu enquanto andava, tropeçava, mas via o que me fascinava. cheguei em casa, tirei a roupa grudada no corpo poluído, cheirando lapa, cheirando gente alheia. água, ÁGUA fria, água suja descendo pelo ralo, cheiros, cheiros de sabonete, de xampu, cheiro de banho, de limpeza. ufa! colocar a roupa mais leve, tomar suco de laranja gelado, comer salada com shoyu. olhar na janela e deparar diretamente com a lua. linda, crescente, colorida, nuvens e estrelas fazendo parte do conjunto. existe beleza nesse mundo. eu sei que ainda existe! basta saber olhá-las.
16 fevereiro, 2009
o belo
a palavra salva. a palavra escraviza. quanto mais a uso, mais busco por outras. a falta, a procura, incessantemente. é daí que surgem os desentendimentos: pela escravização da palavra. quem não discute, não vive. quem não se desentende com quem mais ama, nunca se sentirá completo. qualquer relacionamento é construído por desentendimentos. são eles que nos fazem continuar a viver e ter beleza. palavras são autoritárias, sinceras, perversas, penetrantes. não há liberdade com a palavra. é preciso seguir o padrão, as leis, pra tudo tem-se um nome, e ponto, não mudará. mas tudo isso faz parte de uma representação - que é a vida. somos todos e apenas atores, vivemos o real e depois narramos de alguma forma estética a realidade (algo passado). porém somente os melhores (atores) conseguem enxergar o belo. não a beleza, mas a virtude das coisas não-físicas. virtude de sentir dor, de sofrer por amor, de expressar sentimentos, de provocar, de criar alguma moral dentro de alguma sociedade. só há virtude com estética, e essa, por sua vez, é a sensibilidade, o corpo, os desejos e vícios. por isso é muito maior que a racionalidade, já que envolve tudo, principalmente os sentidos. esses que nos fazem ser belos virtuosos vivendo em meios aos desentendimentos-construtivos, e afinal, felizes.
(isso que uma aula maravilhosa de estética e filosofia da arte faz com a gente)
(isso que uma aula maravilhosa de estética e filosofia da arte faz com a gente)
08 fevereiro, 2009
fim
luzes e cristais pendurados, cores completando cores, música alta, rodas de dança, amarelos, verdes, vermelhos, azuis, sem cores, bebidas amarelas, sementes de maracujá, conversas e risadas. la macarena, britney, chão, justice, cervejas, cinzeiros, varanda, calor, varanda de novo. quarto e banheiro cheios, sofás sem lugar, paredes manchadas, sorrisos grandes e olhos pequenos, mais cerveja, mais amarelo. rebouças, escada, sujeira, silêncio, pingos refrescantes. de volta ao barulho, ao inferno, coca cola, água, quarto vazio, cama macia, abajur aceso, janela aberta, sacola suja, coração partido, sozinha, chorar em silêncio, batidas na porta, lágrimas pretas, passado, verdades contadas, sensações ruins, banquinho na varanda, overdose de palavras, overdose de gente. excessos, quarto de novo, silêncio absoluto, eu queria voz, queria abraço, queria ir embora, 5am. sala vazia, luzes apagadas, troca de cama, 6am, cama pequena, calor, barulho urbano, cheio do ralo, sem ressaca, talvez ressaca de palavras, de barulhos, de coisas. pão com requeijão e coca cola. calor externo, frieza interna. que foi? silêncio e mais silêncio. porra, cansei das buzinas e motores, quero sua voz.
banho gelado, qualquer roupa, comida, solidão de novo, muita. acendi velas, era de noite, fiquei sem energia, e sozinha. o que seria do homem sem energia? números discados desesperadamente, tututututu. cansei, pensei em ficar ali deitada pra sempre. sem mensagens, sem triliiim do telefone, sozinha, me senti sozinha, muito. tive medo, quis ir pra rua, tinha mais claridade, as velas não me dão segurança. a luz voltou, a música voltou, a tv voltou, mas eu não, ainda me sentia sozinha. o que seria do homem sem companhia? tive medo de tanta coisa.
mas agora isso nada mais importa, acabou! (e ponto)
Hard times hard times come again no more
Hard times hard times come again no more
Hard times hard times come again no more
Hard times hard times come again no more
Hard times hard times come again no more
Hard times hard times come again no more
Hard times hard times come again no more
banho gelado, qualquer roupa, comida, solidão de novo, muita. acendi velas, era de noite, fiquei sem energia, e sozinha. o que seria do homem sem energia? números discados desesperadamente, tututututu. cansei, pensei em ficar ali deitada pra sempre. sem mensagens, sem triliiim do telefone, sozinha, me senti sozinha, muito. tive medo, quis ir pra rua, tinha mais claridade, as velas não me dão segurança. a luz voltou, a música voltou, a tv voltou, mas eu não, ainda me sentia sozinha. o que seria do homem sem companhia? tive medo de tanta coisa.
mas agora isso nada mais importa, acabou! (e ponto)
Hard times hard times come again no more
Hard times hard times come again no more
Hard times hard times come again no more
Hard times hard times come again no more
Hard times hard times come again no more
Hard times hard times come again no more
Hard times hard times come again no more
06 fevereiro, 2009
tô dentro
Caio sabe dizer melhor que eu ...
"Em luta, meu ser se parte em dois. Um que foge, outro que aceita. O que aceita diz: não. Eu não quero pensar no que virá: quero pensar no que é. Agora. No que está sendo. Pensar no que ainda não veio é fugir, buscar apoio em coisas externas a mim, de cuja consistência não posso duvidar porque não a conheço. Pensar no que está sendo, ou antes, não, não pensar, mas enfrentar e penetrar no que está sendo é coragem. Pensar é ainda fuga: aprender subjetivamente a realidade de maneira a não assustar. Entrar nela significa viver."
"Em luta, meu ser se parte em dois. Um que foge, outro que aceita. O que aceita diz: não. Eu não quero pensar no que virá: quero pensar no que é. Agora. No que está sendo. Pensar no que ainda não veio é fugir, buscar apoio em coisas externas a mim, de cuja consistência não posso duvidar porque não a conheço. Pensar no que está sendo, ou antes, não, não pensar, mas enfrentar e penetrar no que está sendo é coragem. Pensar é ainda fuga: aprender subjetivamente a realidade de maneira a não assustar. Entrar nela significa viver."
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