27 setembro, 2013

calmaria autocontrolada

depois de muito omeprazol, cigarro, gritos, perda de cabelo, soro na veia, você entende que é preciso ter calma. é preciso ter calma no caminhar, nas baldeações de metrô/trem em são paulo, calma no trânsito, calma nas conversas mais sérias, calma na hora do emprego novo, das amizades novas, dos amores novos.
tenho escutado muito o quanto eu sou calma.
"queria ser calma como você!", e por dentro quero dar risada pensando que calma o caralho, eu só sou educada e tenho bom senso. porém hoje parei e olhei dentro de mim e o peito o coração a mente e o corpo estavam calmos. e eles tem estado calmos.
entendi que é possível autocontrolar a calmaria dos dias, dentro de mim.

23 setembro, 2013

nova fase

não querer as coisas fáceis
aprender a falar não sem arrependimento algum
me entregar somente quando eu realmente estiver afim fisicamente e psicologicamente
dar mais chance ao novo
sonhar menos
fazer mais
entender que as escolhas trazem sacrifícios momentâneos para um dia tudo fluir e ser melhor
respirar ares novos
construir rotinas novas, caminhos novos, paisagens novas, paredes novas
continuar perto de quem me ajudar a construir

06 setembro, 2013

vermelho amargo

o mar escondia-se depois de muito pensamento

04 setembro, 2013

flores raras


A arte de perder não é nenhum mistério; 
Tantas coisas contêm em si o acidente
De perdê-las, que perder não é nada sério. Perca um pouquinho a cada dia. 






Elizabeth Bishop

02 setembro, 2013

machistas contemporâneos

se diz contemporâneo, artista, sensível, luta contra a especulação imobiliária, contra os carros, contra o estupro e o machismo, é a favor do aborto, compartilha várias matérias-sociais, é ativista dentro do seu espaço e entendimento de vida, ama o meio ambiente, tira mil fotos das plantas na janela do quarto, faz todo um tipo de cara foda, de pessoa com a mente aberta, a favor da verbalização sentimental e da valorização da mulher só que te faz chupá-lo a noite inteira até gozar na sua boca. e não toca em você. em nada. veste a roupa e diz que precisa ir embora porque tá tarde.

machista de merda.

eu tiro toda sua máscara de cara fodão ativista de facebook quando trepo com você e vejo que é uma merda: que seu sexo e você são tudo merda.

01 setembro, 2013

o não vem depois de muito sim

ele sempre a desejou muito com os olhos.
eles sempre dão um jeito de se olhar e sorrir no meio das pessoas.
dançaram até as 5 horas da manhã. a pista era somente deles.
ele bebia resto de bebidas dos copos deixados sobre a mesa, totalmente bêbado.
ela estava completamente sóbria e cansada do dia longo que teve.

tô indo embora, quer carona? sua casa é caminho da minha.
mini saia, mãos nas coxas, pingos de catuaba na camiseta branca.
quer subir?
não, to muito cansada, só quero minha cama.
prometo que a gente só dorme.
(os olhos dele quase nem conseguiam ficar abertos)

ele a beijava tocava apertava chupava seus peitos e enlouquecido dizia que o 'não' dela era bobo e desnecessário. tentava abrir a camisa, a levantar a saia e a desligar o carro. não, hoje não, hoje não quero. e os carros insistiam em passar na avenida que já estava clareando.

ela entendeu que é preciso dizer não.
entendeu que para não sentir mais esse vazio, é preciso realmente estar com vontade, não apenas viver aquilo porque sempre é fácil. as coisas fáceis são fáceis. elas cansam justamente por serem fáceis.

take it easy, man.

(conforme foi saindo da frente do prédio dele, pelo retrovisor, o via com o copo vazio na mão e o pau duro preso na calça jeans)