imagem no espelho, lágrimas pretas na face, um monstro.
muita dor, profunda, imensa, doída. ficar de pé era quase impossível. acomodou-se naquele lavabo pequeno, daqueles que tem debaixo da escada.
fraca, muito fraca. seus gemidos e soluços saiam aos poucos, altos e profundos. queria ensurdecer todos no mundo. porque pra ela, o silêncio a tinha ensurdecido.
os olhos ardiam porque a maquiagem misturou-se com tanta lágrima, ardiam de tanto chorar, ardiam porque tudo doía de alguma forma. mais uma dor não faria diferença.
seu coração não existia, tinha desmanchado de desgosto por ele próprio. sua alma parecia doente, culpada, inatingível. o que restava? um corpo debilitado no chão do banheiro. em meio aos latidos da madrugada, ninguém sabia que alguém estava acordado (ou fora da cama) naquela casa. porta trancada, quem a veria ali? podia morrer, apodrecer que ninguém perceberia.
pensou no conto de caio fernando, quando a mãe de Raul morre, e ele se sente feio e triste e feio. 'podia ter sido mais legal com ela', seu feio feio e triste e feio.
ela se sentia muito triste, muito feia, pior que um monstro. as vozes ficavam na sua cabeça, rodando, bagunçando, enlouquecendo. não tinha maconha nem álcool, era tristeza, era dor. pior que qualquer droga, pior que qualquer coisa.
odiava ver sua imagem no espelho, e quanto mais via, mais gemia de dor.
ficou por lá até não aguentar mais, abriu a porta, estava frio. descalça subiu as escadas, limpou os olhos, deitou na cama quente, aconchegante, dormiu se sentindo melhor. talvez não era um monstro quando não via seu reflexo no espelho.
29 novembro, 2008
18 novembro, 2008
brighter than sunshine

cheguei sozinha, umas duas horas antes, desci as escadas encantada, que lugar lindo. as pessoas ainda estavam chegando, se conhecendo, se acomodando. voltei lá fora, sentei perto da grama, minhas pernas e meus ombros se aqueciam com aquele Sol não tão quente. escutava-se a música vinda de dentro, eu gostei daquele dj, talvez fumei os melhores cigarros naquele lugar. esperei e esperei, pensava em qualquer coisa, mexia no celular, olhava o pequeno movimento dos carros lá fora. era domingo, um domingo agradável. entrei de novo, andei mais, desci mais escadas, vi mais gente. não tinha graça sem você, não tinha. eu precisava de alguém para comentar 'ei, vc viu aquilo?' - você demorou demais pra chegar. pensei em ir embora, pensei que ficaria ali sentada por horas e você não apareceria. tive medo, bem bobo, eu diria, mas tive. não sei porque sinto essas coisas as vezes, não é insegurança, é receio. insegurança e receio são coisas diferentes, não são? depois de tanto tempo, depois de tanta gente chegar feliz e passar por mim, comecei a me desesperar. fumava incontrolavelmente. talvez hoje eu entenda o que o camelo disse, do cigarro ser a melhor companhia em tanta solidão. claro, não cheguei ao ponto de me afundar na solidão, aliás, naquele lugar verde, claro, vivo, nem tinha como. mas por dentro eu sentia, sentia muita coisa ruim, muito medo. as lágrimas sairam descontroladas e tímidas, um soluço baixo, abaixei a cabeça pra respirar fundo, quando levantei meus olhos em direção àquela entrada que não tirei meus olhos por duas horas, vi você entrando, bem na hora pra me socorrer. você puxou minha mão e me levantou naquele chão que parecia ter formado um buraco debaixo de mim. me abraçou, disse que me amava, que nunca me abandonaria. agora o choro não era de medo, era de conforto, de amor. obrigada por existir, por me amar, por estar comigo. me senti viva de novo, desci as escadas de outra forma, mais confiante, querendo mostrar que alguém segurava minha mão. eu tenho você. 'What a feeling in my soul. Love burns brighter than sunshine, brighter than sunshine. I'm yours and suddenly you're mine, suddenly you're mine'.
e naquele sofá tão branco, me senti suja ao dizer pra você porque estava chorando, não sei se é besteira, acredito que não, porque sentimentos e sensações não são besteiras. eles só estavam confusos, um pouco errados. e todos os momentos seguintes foram ótimos. todos momentos contigo são ótimos. você me traz um alívio!
'Love will remain a mystery, but give me your hand and you will see your heart is keeping time with me'.
16 novembro, 2008
o jantar
ligaram e eu disse para virem me buscar, vamos jantar num lugar legal, a noite está tão agradável. pararam ali um pouco antes da muvuca toda, entrei no carro, cheiro de cerveja, cheiro de pele queimada, vermelhos, vamos ali no Chinês em Pinheiros, comer algum macarrão, sei lá. restaurante pequeno e aconchegante, famílias nas mesas, éramos só mais uma. pede mais cerveja, pra mim um suco, minha cabeça me matava por dentro. me vê um macarrão shop shuey pra três, daqueles fritos com bastante legumes, que fome!, conversas alheias. era irritante o jeito dele brincalhão demais, falador demais, tirador demais, cerveja demais. isso cansa, cansa quando faz parte dos seus finais de semana, cansa uma filha ter que falar pro pai 'ei, chega né?' - tentei ao máximo conversar, falar em tom baixo, em palavras sinceras e mansas, olhos nos olhos, tentei dizer que entendo tudo o que eles prezam e são, mas que não serei como eles, nem como elas. valorizo tanto tanto, eles não imaginam como e eu nem sei mais como demonstrar isso. parece que eles são cegos pelos príncipios, pela razão. qual razão? a deles? eu tenho a minha razão e basta ela pra eu viver. palavras ofensivas, silêncio, olhares procurando coisas nas paredes, na bolsa ou qualquer lugar fugitivo daquela conversa chata, desgastante. ela saiu da mesa, foi pagar a conta, eu levantei, senti asco, asco por mim, por eles, pela cerveja, por essa situação tão constante ultimamente. ele foi o último a sair da mesa, saiu direto, atravessamos a rua, entrei no carro. no caminho de casa só escutava as guitarras no rádio, aquele cd que ele tanto gosta, ela dirigia, se perdia nas ruas paradas de são paulo. eu ia atrás, com frio do ar condionado, pensando que se eu acendesse um cigarro talvez eles nem percebessem, eu precisava de um alívio. encostei a cabeça no banco, senti dor, queria chorar como chorei sábado, porém queria mais, queria gritar, soluçar, dizer que eu os amo muito (mais que tudo até) mas não dá. não dá. eu preciso me planejar, procurar um emprego legal, fazer a faculdade que quero, não depender deles, não aguento mais essa dependência. me sinto mal a cada um real que peço, a cada dia que deixo de fazer minhas coisas por eles. a cada briga que me desgasta de uma forma que me faz pensar em desistir de viver. cheguei em casa com aquele sono, abri a porta, troquei de roupa, liguei o computador pensando que teria alguém interessante on line, sábado as 23h não tem ninguém em casa, marcella, abri o blog mas não conseguia escrever, tudo estava a mil na mente, não sabia digerir aquelas palavras bêbadas sinceras, não quero digerí-las, por isso tive que esperar mais um dia pra poder escrever, tive que descansar, passar uma noite inteira dormindo, de vez em quando acordando entre os lençóis bagunçados e ficar lembrando que sonhei com aquele jantar, aquele macarrão e aquela conversa, sonhei que fumei na frente deles, me senti tão mais eu, acordava com medo de qualquer coisa, será que fiz mesmo?. sonhei coisas paralelas mas tão ruins quanto. era algo como não ter mais ninguém ao meu lado, aquele que amo tinha me deixado, eu estava perdida. acordei suando, tirei o edredon de cima de mim, vi que horas eram, respirei mais fundo, virei de lado, abracei meu pinguim de pelúcia, senti que ainda tinha alguém sim, era apenas um sonho. dormi de novo pra acordar as 11 da manhã, desci na cozinha, comi meu pão com queijo e eles estavam lá, bom dia, dormiu bem?, tudo normal, parece que não existiram cervejas nem ofensas, nem choros internos. tudo volta a rotina, cada um vivendo sua vida mas convivendo na mesma casa, dependendo um do outro pra conseguir conviver, amando os defeitos, os excessos.
pensei em tomar um banho, almoçar qualquer coisa e sair, ir para um parque, deitar na grama debaixo do Sol, sentir paz, me sentir de novo, pensei ir naquele show que tanto gosto, naquele lugar legal que sempre quis conhecer, pegar um ônibus cheio mesmo sendo domingo, fazer o quero. eu vou tomar um banho e tirar esse cheiro de asco, de desgosto, preciso de qualquer coisa que me faça bem fora daqui.
pensei em tomar um banho, almoçar qualquer coisa e sair, ir para um parque, deitar na grama debaixo do Sol, sentir paz, me sentir de novo, pensei ir naquele show que tanto gosto, naquele lugar legal que sempre quis conhecer, pegar um ônibus cheio mesmo sendo domingo, fazer o quero. eu vou tomar um banho e tirar esse cheiro de asco, de desgosto, preciso de qualquer coisa que me faça bem fora daqui.
11 novembro, 2008
sobre Caio
é sobre conversas debaixo do guarda-chuva, pés molhados, são paulo fria e tão aconchegante. no 15º andar, aquecedor, alguma esfiha de verdura e cerveja, esperando aquelas palavras que tanto já sabe de cor, que tanto já usou como se fosse as próprias. e naquela confusão de eus: de raul e de saul, de rotina e café, van gogh e cazuza, naquele deserto de almas, filmes como estopim para qualquer conversa e para no fim, misturar-se. e misturaram. deitaram nus e quase a noite inteira viam a brasa acesa do cigarro do outro. não importa se foram despedidos, se foram nominados aberrações por qualquer anonimato, "Um Atento Guardião da Moral", eles tinham um ao outro, e pra sempre (pela primeira vez um 'pra sempre' fez muito sentido pra mim). e naquelas poucas luzes e muitas palavras, chorei, chorei porque doía lá dentro, caio fernando sabe tocar na alma, deixa o amargo, o triste-muito-triste. e foi após a alma lavada, a maquiagem borrada e os telefonemas não atendidos, que saímos dali, na chuva, atravessando a paulista inteira. é sobre conversas debaixo do guarda-chuva, sobre pés molhados, sobre qualquer coisa que nos fazia sentir bem, afinal, éramos outras pessoas.
eu sentia saudade de rir tanto como ri, dançar com a alma, ver sorrisos lindos de cima do palco, do sorriso apaixonado ao sorriso amigável, aquela luz que me fazia suar de alegria, sensações, muitas sensações, te ter por perto, beber qualquer coisa gelada refrescando meu corpo, cigarros acesos compulsivamente, sofás debaixo do ar condicionado, músicas que me faziam sair do sofá e me jogar na pista, só eu e você, luzes piscando, pézinhos juntos, corações entrelaçados e palavras de monte. porque sou sua menina e você é meu menino. tudo vale a pena quando a alma não é pequena.
eu sentia saudade de rir tanto como ri, dançar com a alma, ver sorrisos lindos de cima do palco, do sorriso apaixonado ao sorriso amigável, aquela luz que me fazia suar de alegria, sensações, muitas sensações, te ter por perto, beber qualquer coisa gelada refrescando meu corpo, cigarros acesos compulsivamente, sofás debaixo do ar condicionado, músicas que me faziam sair do sofá e me jogar na pista, só eu e você, luzes piscando, pézinhos juntos, corações entrelaçados e palavras de monte. porque sou sua menina e você é meu menino. tudo vale a pena quando a alma não é pequena.
05 novembro, 2008
poema de natal
Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.
Vinicius de Moraes
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.
Vinicius de Moraes
03 novembro, 2008
as sensações
é a mesma sensação que senti dentro do carro subindo a serra vestida de neblina. aquela parede branca, só ao longe via-se um par de luzes vermelhas. abri a janela e pude sentir apenas frio, frio de alguma coisa branca que me cegava e me dava medo. uma sensação estranha de que não tenho controle de nada, quase não sou nada (comparada a tantas outras coisas). vi-me abrindo aquela porta que me sufovaca, andei pelo acostamento esbranquiçado, tive medo dos carros alheios, da imensidão ao meu redor, tive medo de qualquer outra coisa que não sei definir. como queria ter feito isso, mas hesitei - não sou louca - tranquei a porta.
sensações são estranhas, estão continuamente conosco, são ruins e são boas. na maioria das vezes, ruins - na verdade, ultimamente tem sido ruins - para mim.
ao colocar os pés descalços e frescos no painel do carro, aumentando o som do carro que tocava are you in? e insanamente me mexia naquele banco tão limitado de movimentos. 'What's so wrong with being happy?' com a janela aberta, vento no rosto, cabelo engraçado. e mesmo que o mar e o céu misturavam-se em um só cinza nos ameaçando de alguma chuva qualquer, pude sentir satisfação por estar ali. por estar longe de cidade, de gente, de barulho, de festas. eu precisava me sentir, terminar meu livro, ver televisão, conversar deitada na cama, chorar durante o almoço familiar, visitar lugares que me fazem bem, beber alguma bebida docinha que só se bebe em frente dos pais. rir de fatos, lembrar de épocas, amar mais, odiar algumas palavras e manias, saber que preciso deles pra continuar. essas são sensações boas. cantar num coro familiar 'I'd do anything, anything you can dream of; I'd do anything, anything for your love' e tocar baterias e guitarras imaginárias. falar no celular perto da janela e escutar a voz mais doce dizendo que tá com saudade. desejei em toda a viagem que você estivesse pensando em mim assim como não parei um minuto de pensar em ti, no quão bom seria você ali comigo em todos os lugares que fui.
não queria sentir as más sensações ao enfrentar esse trânsito paulistano caótico, nem ao ver o horário no relógio do rádio percebendo que era tarde demais pra matar a saudade de quem eu tanto desejei ver naquela noite. ver fotos indesejadas, querendo fazer parte delas, ver palavras falsas ou despreocupadas demais, escutar o silêncio que tanto me ensurdece, mudar de telefone, apertar mais forte contra a orelha. dói tanto aqui dentro como dói a orelha de quem fica duas horas ou mais no telefone, dói mais, na verdade. me corrói contar uma verdade sem base, sem fundamento, corrói-me mais ter que aceitá-la e viver com ela dentro de mim, de você, da gente. preciso escutar seu sorriso, preciso saber que existem mil caixinhas reservadas pra mim. preciso de um cigarro escondido em meio ao luar da madrugada e ao silêncio que me confunde.
quero as boas sensações de novo, sentir àquele vento no rosto escutando uma música libertadora com os pés leves. mas dessa vez, preciso estar de mãos dadas contigo, sentindo seu perfume pelo ar, escutar sua voz junto com a música, sentir-te perto de mim, me dando a certeza de que esse é nosso reino.
"Só de te ver eu penso em trocar a minha tv num jeito de te levar a qualquer lugar que você queira e, ir onde o vento for que pra nós dois, sair de casa já é se aventurar..."
sensações são estranhas, estão continuamente conosco, são ruins e são boas. na maioria das vezes, ruins - na verdade, ultimamente tem sido ruins - para mim.
ao colocar os pés descalços e frescos no painel do carro, aumentando o som do carro que tocava are you in? e insanamente me mexia naquele banco tão limitado de movimentos. 'What's so wrong with being happy?' com a janela aberta, vento no rosto, cabelo engraçado. e mesmo que o mar e o céu misturavam-se em um só cinza nos ameaçando de alguma chuva qualquer, pude sentir satisfação por estar ali. por estar longe de cidade, de gente, de barulho, de festas. eu precisava me sentir, terminar meu livro, ver televisão, conversar deitada na cama, chorar durante o almoço familiar, visitar lugares que me fazem bem, beber alguma bebida docinha que só se bebe em frente dos pais. rir de fatos, lembrar de épocas, amar mais, odiar algumas palavras e manias, saber que preciso deles pra continuar. essas são sensações boas. cantar num coro familiar 'I'd do anything, anything you can dream of; I'd do anything, anything for your love' e tocar baterias e guitarras imaginárias. falar no celular perto da janela e escutar a voz mais doce dizendo que tá com saudade. desejei em toda a viagem que você estivesse pensando em mim assim como não parei um minuto de pensar em ti, no quão bom seria você ali comigo em todos os lugares que fui.
não queria sentir as más sensações ao enfrentar esse trânsito paulistano caótico, nem ao ver o horário no relógio do rádio percebendo que era tarde demais pra matar a saudade de quem eu tanto desejei ver naquela noite. ver fotos indesejadas, querendo fazer parte delas, ver palavras falsas ou despreocupadas demais, escutar o silêncio que tanto me ensurdece, mudar de telefone, apertar mais forte contra a orelha. dói tanto aqui dentro como dói a orelha de quem fica duas horas ou mais no telefone, dói mais, na verdade. me corrói contar uma verdade sem base, sem fundamento, corrói-me mais ter que aceitá-la e viver com ela dentro de mim, de você, da gente. preciso escutar seu sorriso, preciso saber que existem mil caixinhas reservadas pra mim. preciso de um cigarro escondido em meio ao luar da madrugada e ao silêncio que me confunde.
quero as boas sensações de novo, sentir àquele vento no rosto escutando uma música libertadora com os pés leves. mas dessa vez, preciso estar de mãos dadas contigo, sentindo seu perfume pelo ar, escutar sua voz junto com a música, sentir-te perto de mim, me dando a certeza de que esse é nosso reino.
"Só de te ver eu penso em trocar a minha tv num jeito de te levar a qualquer lugar que você queira e, ir onde o vento for que pra nós dois, sair de casa já é se aventurar..."
20 outubro, 2008
clareia minha vida, amor
As janelas se abriram. o sereno entrou resfriando o quarto, e no meio de almofadas brancas, edredon vermelho e amor, sentia-se aquele cheiro de orvalho. acendeu-se um incenso, sândalo, misturando cheiros que davam sensações. aquele verde, o amarelo na rua, o azul escuro no céu, o Sol escondido querendo raiar, os pássaros querendo acordar. tudo numa sintonia. e dentro do quarto havia outra sintonia: aqueous transmission ou calcanhotto, nos definindo em melodias suaves, toques suaves, sereno, chão, verde. pernas de fora, uma blusa qualquer, poses envergonhadas, registros da varanda amanhecendo, narizes, risos (eternos), cama aconchegante.
Clareia minha vida, amor, no olhar! clareia todo dia, me acorde toda manhã, me mime, me diz coisas que só voce sabe dizer com o sotaque mais apaixonante.
não quero fechar as janelas, não quero arrumar a cama, gosto da sua cara de sono, do seu caos calmo, do pão com manteiga derretida e queijo, gosto do gato, das conversas que quebram o silêncio matinal, das batidas na porta, da correria do seu dia a dia. eu quero tanto fazer parte disso, posso? prometo aprender a tomar leite em copos grandes. prometo porque não juramos!
você tem todos meu sorrisos (secretos), guardados numa caixinha ou mil deles que você me rouba quando estou ao seu lado. milhões milhões!
tell me what we gonna do now (no nosso mundo).
as janelas não se fecharam, sei que elas ainda estão entreabertas pra eu poder entrar sempre que quiser.
Clareia minha vida, amor, no olhar! clareia todo dia, me acorde toda manhã, me mime, me diz coisas que só voce sabe dizer com o sotaque mais apaixonante.
não quero fechar as janelas, não quero arrumar a cama, gosto da sua cara de sono, do seu caos calmo, do pão com manteiga derretida e queijo, gosto do gato, das conversas que quebram o silêncio matinal, das batidas na porta, da correria do seu dia a dia. eu quero tanto fazer parte disso, posso? prometo aprender a tomar leite em copos grandes. prometo porque não juramos!
você tem todos meu sorrisos (secretos), guardados numa caixinha ou mil deles que você me rouba quando estou ao seu lado. milhões milhões!
tell me what we gonna do now (no nosso mundo).
as janelas não se fecharam, sei que elas ainda estão entreabertas pra eu poder entrar sempre que quiser.
16 outubro, 2008
08 outubro, 2008
new hobby
muito tempo sem computador, sem escrever.
as folhas se perderam no meio das minhas coisas, meus rascunhos, minhas frases de impacto, meus retratos. perdi minhas fotos, minhas musicas, meus segredos, meu passado proximo, esta tudo naquele hd maldito, odeio maquinas, odeio depender delas, odeio.
tinha tanta coisa em mente que agora me deparo com esse espaco em branco e me perco nos inumeros assuntos que queriam se tornar textos.
eu nao sei o que ta aconetecendo, acordar 11 da manha todo dia nao fazia parte de mim. passar madrugadas em claro conversando no telefone, lendo, vendo qualquer programa bobo na tv ou gastando tempo apenas, nao era meu hobby.
eu sinto falta de tanta coisa, daquela rotina diaria, semanal. de dancar, falar frances e ver pessoas diferentes, pegar transito. sempre disse que odeio rotina e eu realmente odeio, mas me dei conta que posso sentir saudade dela. porem sei que falta pouco pra uma nova rotina comecar, e tudo se encaixara da melhor forma.
as coisas estao ainda se digerindo, preciso de um tempo pra entender e acreditar em tudo. posso ter meu tempo? saber que preciso viver isso agora, porque eu quero muito, infinitamente, viver isso.
eu so tava pensando em acender mais um cigarro e respirar mais fundo hoje a noite.
as folhas se perderam no meio das minhas coisas, meus rascunhos, minhas frases de impacto, meus retratos. perdi minhas fotos, minhas musicas, meus segredos, meu passado proximo, esta tudo naquele hd maldito, odeio maquinas, odeio depender delas, odeio.
tinha tanta coisa em mente que agora me deparo com esse espaco em branco e me perco nos inumeros assuntos que queriam se tornar textos.
eu nao sei o que ta aconetecendo, acordar 11 da manha todo dia nao fazia parte de mim. passar madrugadas em claro conversando no telefone, lendo, vendo qualquer programa bobo na tv ou gastando tempo apenas, nao era meu hobby.
eu sinto falta de tanta coisa, daquela rotina diaria, semanal. de dancar, falar frances e ver pessoas diferentes, pegar transito. sempre disse que odeio rotina e eu realmente odeio, mas me dei conta que posso sentir saudade dela. porem sei que falta pouco pra uma nova rotina comecar, e tudo se encaixara da melhor forma.
as coisas estao ainda se digerindo, preciso de um tempo pra entender e acreditar em tudo. posso ter meu tempo? saber que preciso viver isso agora, porque eu quero muito, infinitamente, viver isso.
eu so tava pensando em acender mais um cigarro e respirar mais fundo hoje a noite.
23 setembro, 2008
desafinado
ultimamente estou me sentindo como uma esponja. absorvo tantas coisas. porém essas coisas não são boas. os gritos ficaram gravados na minha mente, as palavras, os rostos... aquele choro interminável, as inúmeras lágrimas que enxuguei.
não posso absorver tudo isso, preciso tanto ficar bem comigo mesma. e consequentemente com as pessoas. não estou querendo fugir, estou fazendo o que posso. eu acho.
às vezes penso que tampar os ouvidos é melhor. fechar meus olhos, pensar só em mim. isso, só pensar em mim. é ser egoísta? estou numa fase em que preciso focar meus objetivos, meu foco talvez não seja socorrer todo mundo, ouvir todo mundo, dar meu ombro por aí.
ninguém quer escutar o que penso, meu conflito interno, minhas tantas dúvidas e inseguranças. queria tanto saber toda verdade, entender tudo o que acontece em volta. mas acho que quanto mais verdade, mais deprimente a vida fica. não quero pensar que a vida é assim.
estou me sentindo tão estranha, os fatos ruins tem superado os bons, nunca fui assim. sempre fui tão otimista e confiante. não estou querendo fugir, não sou covarde, só preciso reavaliar meus princípios, até eles se perderam. hoje faço coisas das quais nunca gostei e era contra, portanto acredito que seja fase, meu momento de abrir a mente, de experimentar novas histórias, novos personagens, novos vícios. só preciso sair dessa rotina dos mesmos amigos e da mesma maneira de levar a vida. me senti madura ao olhar pra trás outro dia e percebi que havia muita coisa diferente. eu cansei de ficar na areia esperando a onda chegar, entende?
preciso ser parada numa tarde de 6ª feira na av paulista e ser interrogada 'você é feliz?', e não hesitar 'sou muito feliz!' - mesmo sendo estudante, mesmo não tendo dinheiro pra tudo que quero fazer/ter, mesmo sendo brasileira e vivendo nesse país de merda, mesmo sendo (ou tentando ser) uma artista sem apoio dos próprios pais, e tantas inúmeras coisas negativas, eu sou feliz!
preciso rir à toa com os caiderantes que pedem esmola nos faróis, preciso tirar foto do pôr-do-sol entre os prédios, ou de qualquer momento digno de ser registrado. preciso passar em frente à Fnac e descobrir que está tendo um pockt show de uma banda legal. preciso ter espasmos e companhia para realizá-los. preciso de espelhos no teto para me encontrar, de um banho frio num dia frio, de cobertas estranhas pra perceber que gosto das minhas. preciso reviver bons momentos, encontrar velhos amigos e vê-los mudados também. rir de um passado tão perto mas que parece ter vivido há décadas. preciso acordar num domingo bem cinza e ser convidada pra um cinema. os desafinados. chorar com eles, chorar com as músicas, amores, paixões. perceber que todos amam e se apaixonam desesperadamente, instantaneamente. não sou a única egoísta. posso amar e me apaixonar ao mesmo tempo. porém posso enlouquecer por isso.
'Que no peito dos desafinados
No fundo do peito
Bate calado,
Que no peito dos desafinados
Também bate um coração.'
eu preciso apenas viver esse tão-meu momento (desafinado)
não posso absorver tudo isso, preciso tanto ficar bem comigo mesma. e consequentemente com as pessoas. não estou querendo fugir, estou fazendo o que posso. eu acho.
às vezes penso que tampar os ouvidos é melhor. fechar meus olhos, pensar só em mim. isso, só pensar em mim. é ser egoísta? estou numa fase em que preciso focar meus objetivos, meu foco talvez não seja socorrer todo mundo, ouvir todo mundo, dar meu ombro por aí.
ninguém quer escutar o que penso, meu conflito interno, minhas tantas dúvidas e inseguranças. queria tanto saber toda verdade, entender tudo o que acontece em volta. mas acho que quanto mais verdade, mais deprimente a vida fica. não quero pensar que a vida é assim.
estou me sentindo tão estranha, os fatos ruins tem superado os bons, nunca fui assim. sempre fui tão otimista e confiante. não estou querendo fugir, não sou covarde, só preciso reavaliar meus princípios, até eles se perderam. hoje faço coisas das quais nunca gostei e era contra, portanto acredito que seja fase, meu momento de abrir a mente, de experimentar novas histórias, novos personagens, novos vícios. só preciso sair dessa rotina dos mesmos amigos e da mesma maneira de levar a vida. me senti madura ao olhar pra trás outro dia e percebi que havia muita coisa diferente. eu cansei de ficar na areia esperando a onda chegar, entende?
preciso ser parada numa tarde de 6ª feira na av paulista e ser interrogada 'você é feliz?', e não hesitar 'sou muito feliz!' - mesmo sendo estudante, mesmo não tendo dinheiro pra tudo que quero fazer/ter, mesmo sendo brasileira e vivendo nesse país de merda, mesmo sendo (ou tentando ser) uma artista sem apoio dos próprios pais, e tantas inúmeras coisas negativas, eu sou feliz!
preciso rir à toa com os caiderantes que pedem esmola nos faróis, preciso tirar foto do pôr-do-sol entre os prédios, ou de qualquer momento digno de ser registrado. preciso passar em frente à Fnac e descobrir que está tendo um pockt show de uma banda legal. preciso ter espasmos e companhia para realizá-los. preciso de espelhos no teto para me encontrar, de um banho frio num dia frio, de cobertas estranhas pra perceber que gosto das minhas. preciso reviver bons momentos, encontrar velhos amigos e vê-los mudados também. rir de um passado tão perto mas que parece ter vivido há décadas. preciso acordar num domingo bem cinza e ser convidada pra um cinema. os desafinados. chorar com eles, chorar com as músicas, amores, paixões. perceber que todos amam e se apaixonam desesperadamente, instantaneamente. não sou a única egoísta. posso amar e me apaixonar ao mesmo tempo. porém posso enlouquecer por isso.
'Que no peito dos desafinados
No fundo do peito
Bate calado,
Que no peito dos desafinados
Também bate um coração.'
eu preciso apenas viver esse tão-meu momento (desafinado)
15 setembro, 2008
saborosa sensação
eu senti aquela mão me puxando para o palco. e num instante me vi lá em cima, à frente de todas aquelas sombras, de sorrisos, da euforia, daquela fumaça que invadia nossos pulmões, consegui ver aqueles desenhos todos nas paredes, escutei todos gritos nitidamente, pés descalços, soltos, livres, areia branca, movimentos, cada acorde, a cada 'pápapá', fechei meus olhos e me imaginei no meu quarto, como se ninguém estivesse me vendo. saborosa sensação! saborosíssissima sensação. vi flashs, vi sorrisos suados e emocionados, não tinha melhor companhia pra dançar ao meu lado, não teve momento melhor do que esse.
'Agora eu sei o que quero enxergar, esse colorido não devia mais me enganar, porque a cor deforma quando a luz vem a brilhar, e assim seu olho, começo a decifrar'
'e aí dançarina?' escutei na fila do caixa, no banheiro, aleatoriamente, felizmente.
mais de mil sorrisos, mais de mil sensações numa noite.
e aquela garoa bem fria escurecia ainda mais são paulo numa madrugada tão quente para mim.
e ao sentar naquele chão gelado pude me esquentar de carinho, de mil beijos sardinhas, de alguém que não me viu dançar, mas que pensou em mim durante as 3 horas de show. eu sei que pensou.
'Seu sorriso é um paraíso, e no ar voou em transe ao sol para me livrar de tanto mar. Resolvi espairecer, aparecer sem avisar pra não ser sempre na mesma rotina de ilusões'
te absorvo, me apaixono, me faz rir de qualquer coisa, me esquente do frio, te conto meu segredo. (que segredo?)
'Deixe-se acreditar, nada vai te acontecer, tudo pode ser nada vai acontecer, não tema esse é o reino da alegria!'
esse é meu reino da alegria.
http://www.flickr.com/photos/gianlucca90/2856483575/
'Agora eu sei o que quero enxergar, esse colorido não devia mais me enganar, porque a cor deforma quando a luz vem a brilhar, e assim seu olho, começo a decifrar'
'e aí dançarina?' escutei na fila do caixa, no banheiro, aleatoriamente, felizmente.
mais de mil sorrisos, mais de mil sensações numa noite.
e aquela garoa bem fria escurecia ainda mais são paulo numa madrugada tão quente para mim.
e ao sentar naquele chão gelado pude me esquentar de carinho, de mil beijos sardinhas, de alguém que não me viu dançar, mas que pensou em mim durante as 3 horas de show. eu sei que pensou.
'Seu sorriso é um paraíso, e no ar voou em transe ao sol para me livrar de tanto mar. Resolvi espairecer, aparecer sem avisar pra não ser sempre na mesma rotina de ilusões'
te absorvo, me apaixono, me faz rir de qualquer coisa, me esquente do frio, te conto meu segredo. (que segredo?)
'Deixe-se acreditar, nada vai te acontecer, tudo pode ser nada vai acontecer, não tema esse é o reino da alegria!'
esse é meu reino da alegria.
http://www.flickr.com/photos/gianlucca90/2856483575/
12 setembro, 2008
who's gonna save my soul ?
'Who's ganna sang my song now
Who's ganna sang my song now
I wonder If i will live grow old now
Getting high
Cause i feel so lone now
I may be just a little selfish
All i have is the memory
Yet i never start to wonder
Is it possible
You hurt worse than me
Still my heart turns to greedcause what about what i need
An aahh
Who's gon save my soul now
Who's gon save my soul now
Oo i know
I'm out of control now
Tired enough
To lay my own soul down'
(Gnarls Barkley)
http://www.youtube.com/watch?v=kTVSygNKAsg
Who's ganna sang my song now
I wonder If i will live grow old now
Getting high
Cause i feel so lone now
I may be just a little selfish
All i have is the memory
Yet i never start to wonder
Is it possible
You hurt worse than me
Still my heart turns to greedcause what about what i need
An aahh
Who's gon save my soul now
Who's gon save my soul now
Oo i know
I'm out of control now
Tired enough
To lay my own soul down'
(Gnarls Barkley)
http://www.youtube.com/watch?v=kTVSygNKAsg
08 setembro, 2008
tão não-eu .
aquela voz desconhecida. essa voz não pertence a você.
chora e chora, me liga, me preocupa, me desorienta. me destrói.
eu queria que num abraço forte tudo de ruim fosse embora.
não sei lidar com isso, parece ser mais que amizade, é tanto peso.
me promete que desligará o telefone e irá dormir, não pra sempre, só um pouco. descanse.
um te amo vale alguma coisa nesse momento?
se valer, eu digo infinitamente, quantas vezes você quiser ouvir.
meus domingos interrompidos, meus risos cortados, meu semblante mudado.
não acredito mais em você. tanto medo.
não entendo nada disso, tudo é uma merda. menos você, você não é uma merda.
você tem vida, porra. não basta?
as coisas mais simples que existem são as que mais me fazem sentir viva, nao fazem o mesmo contigo?
olha pro céu, olhe pro alto, é de lá que vem seu socorro!
confia em mim, no meu amor, na minha amizade, no meu silêncio, nas palavras que tanto decorei e pensei mas não saem da minha boca, elas falham. elas se esgotaram. todas!
você disse que meu silêncio bastava, ele bastou?
parece que você quer mais, o que posso te dar? eu não sei, não sei.
preciso tanto saber. preciso tanto aprender a lidar contigo. seja a mesma pessoa sempre.
chega de altos e baixos, chega de gritos e fantasias, quero a verdade, só a verdade importa.
pra que viver de aparências? tire todas as máscaras, não é mais carnaval. nunca foi carnaval, não pra mim.
você me faz perder a cabeça, me sinto tão não-eu.
preciso aprender a lidar com isso, tá me matando (também).
chora e chora, me liga, me preocupa, me desorienta. me destrói.
eu queria que num abraço forte tudo de ruim fosse embora.
não sei lidar com isso, parece ser mais que amizade, é tanto peso.
me promete que desligará o telefone e irá dormir, não pra sempre, só um pouco. descanse.
um te amo vale alguma coisa nesse momento?
se valer, eu digo infinitamente, quantas vezes você quiser ouvir.
meus domingos interrompidos, meus risos cortados, meu semblante mudado.
não acredito mais em você. tanto medo.
não entendo nada disso, tudo é uma merda. menos você, você não é uma merda.
você tem vida, porra. não basta?
as coisas mais simples que existem são as que mais me fazem sentir viva, nao fazem o mesmo contigo?
olha pro céu, olhe pro alto, é de lá que vem seu socorro!
confia em mim, no meu amor, na minha amizade, no meu silêncio, nas palavras que tanto decorei e pensei mas não saem da minha boca, elas falham. elas se esgotaram. todas!
você disse que meu silêncio bastava, ele bastou?
parece que você quer mais, o que posso te dar? eu não sei, não sei.
preciso tanto saber. preciso tanto aprender a lidar contigo. seja a mesma pessoa sempre.
chega de altos e baixos, chega de gritos e fantasias, quero a verdade, só a verdade importa.
pra que viver de aparências? tire todas as máscaras, não é mais carnaval. nunca foi carnaval, não pra mim.
você me faz perder a cabeça, me sinto tão não-eu.
preciso aprender a lidar com isso, tá me matando (também).
04 setembro, 2008
traz um alívio
o sol refletia suas inúmeras cores naquele lago, tão calmo, tão lindo. era fim de tarde, via-se o pôr-do-sol, alguns patos e pássaros brincando, pessoas andando, pessoas se amando, outras estáticas. não parecia são paulo, não escutava buzinas nem barulho de carros descontrolados. senti tanta coisa ali sentada naquela grama molhada. naquele tronco tão desenhado, debaixo daquela árvore tão cheia de vida. falávamos de coisas vividas, de fatos, de amizade. eu precisava dela, daquela conversa, de verdades, de um mc chicken que só estraga meu estômago. mas pelo momento tudo vale, tudo.
eu quase desisti de tentar, foram inúmeras ligações, inúmeras frases decoradas e não ditas. mas no último momento deu certo, algumas boas cervejas renderam em ótimas risadas e sotaques. dreads, espasmos, carinho. não durou mais de duas horas, mas foi muito mais válido que isso. mais um ônibus se passa e eu fico a esperar, mas não por vontade de esperar, e sim por ter com quem estar. eu queria tanto um lugar pra fugir, pra escrever e não ter ninguém pra falar que isso é besteira, que é um diário. são verdades, são momentos, não importa o resto. eu posso sentir tudo isso.
'debruçada no cansaço na correria do dia
eu tava atrás do desapego até voce chegar
não quero mais desespero, me traz um alívio
me traz um alívio na voz'.
queria andar toda madrugada no meio da rua, não tem sensação melhor que essa. sentir aquela brisa gelada, escutar um silêncio ensurdecedor, somente alguns latidos no fundo das casas, ver as luzes se apagando pelas janelas, a lua tão mais bela que o normal, somente ela acesa, parece até que tem luz própria. sair sem rumo escutando arizona. me traz um alívio. de novo tudo vira vício.
eu quase desisti de tentar, foram inúmeras ligações, inúmeras frases decoradas e não ditas. mas no último momento deu certo, algumas boas cervejas renderam em ótimas risadas e sotaques. dreads, espasmos, carinho. não durou mais de duas horas, mas foi muito mais válido que isso. mais um ônibus se passa e eu fico a esperar, mas não por vontade de esperar, e sim por ter com quem estar. eu queria tanto um lugar pra fugir, pra escrever e não ter ninguém pra falar que isso é besteira, que é um diário. são verdades, são momentos, não importa o resto. eu posso sentir tudo isso.
'debruçada no cansaço na correria do dia
eu tava atrás do desapego até voce chegar
não quero mais desespero, me traz um alívio
me traz um alívio na voz'.
queria andar toda madrugada no meio da rua, não tem sensação melhor que essa. sentir aquela brisa gelada, escutar um silêncio ensurdecedor, somente alguns latidos no fundo das casas, ver as luzes se apagando pelas janelas, a lua tão mais bela que o normal, somente ela acesa, parece até que tem luz própria. sair sem rumo escutando arizona. me traz um alívio. de novo tudo vira vício.
03 setembro, 2008
.
sou tão egoísta.
odeio o egoísmo, mas não sei ser outra coisa agora.
tarde demais.
obrigada pela preferência de ler meu diário semanal :)
odeio o egoísmo, mas não sei ser outra coisa agora.
tarde demais.
obrigada pela preferência de ler meu diário semanal :)
01 setembro, 2008
guardar a lista
pés descalços sambavam no tapete no centro da sala. rolava um samba, um rock, uma macarena. eram flashs e conversas paralelas. podia ficar uma noite inteira de barriga pra cima olhando qualquer movimento. via são paulo e sentia o frio do sétimo andar. não precisei de nada para brisar naquele lugar, naquilo.
é tudo tão novo, tão preciso. eu posso precisar disso, não posso?
eu preciso e ponto!
preciso até daquela garoa mais chata, andando à procura de qualquer prédio em qualquer esquina, e entre rostos estranhos, sempre tem os conhecidos. mas os estranhos tornam-se queridos rápido demais. tudo é rápido demais. não é?
os sorrisos só aumentam a cada dia, os baús estão bem cheios.
eu tinha todos assuntos possíveis para escrever, mas preferi não misturar.
eu só quero saber de coisas boas, de momentos raros. felizes!
algumas coisas não valem a pena, talvez, de serem mencionadas.
agora preciso guardar uma lista um tanto estranha, mas uma lista de coisas ótimas.
é, é melhor guardá-la.
é tudo tão novo, tão preciso. eu posso precisar disso, não posso?
eu preciso e ponto!
preciso até daquela garoa mais chata, andando à procura de qualquer prédio em qualquer esquina, e entre rostos estranhos, sempre tem os conhecidos. mas os estranhos tornam-se queridos rápido demais. tudo é rápido demais. não é?
os sorrisos só aumentam a cada dia, os baús estão bem cheios.
eu tinha todos assuntos possíveis para escrever, mas preferi não misturar.
eu só quero saber de coisas boas, de momentos raros. felizes!
algumas coisas não valem a pena, talvez, de serem mencionadas.
agora preciso guardar uma lista um tanto estranha, mas uma lista de coisas ótimas.
é, é melhor guardá-la.
28 agosto, 2008
cadê marte ?
eu não consegui ver Marte hoje. saí pela rua à procura de algo no céu, só não sabia exatamente o quê. tá fazendo um friozinho nas noites paulistas. são noites tão aconchegantes.
não tinha lua, nem marte, só estrelas, até que bastante para uma noite nublada. e tinha muitas nuvens também. amanhã talvez saia algo no jornal sobre tudo isso, veremos!
mas antes de procurar lua e planeta, ganhei duas luas.
foi durante a tarde, assim, repentinamente. e sim, foram duas.
uma grande e cheia, outra crescente, pequena e especial.
até que hoje daria para guardar muitos sorrisos,
alguém quer colecioná-los?
encheria uma caixa, eu acho.
é, encheria um baú, quem sabe.
não tinha lua, nem marte, só estrelas, até que bastante para uma noite nublada. e tinha muitas nuvens também. amanhã talvez saia algo no jornal sobre tudo isso, veremos!
mas antes de procurar lua e planeta, ganhei duas luas.
foi durante a tarde, assim, repentinamente. e sim, foram duas.
uma grande e cheia, outra crescente, pequena e especial.
até que hoje daria para guardar muitos sorrisos,
alguém quer colecioná-los?
encheria uma caixa, eu acho.
é, encheria um baú, quem sabe.
25 agosto, 2008
uma lista
preciso escrever para me calar. tentar colocar as coisas em algum lugar.
preciso perder uns 5 kg, preciso comer só maçã, preciso prestar enem semana que vem e estar preparada, preciso estudar muito mais do que estudo, preciso ver a peça do wagner moura, preciso baixar novas músicas e escutar os meus primeiros cd's gravados, preciso de uma calça jeans nova e preciso receber dinheiro de muita gente que me deve. preciso sair desse computador, mas ao mesmo tempo é tão necessário pesquisar nele. preciso parar de tomar refrigerante e fazer uma endoscopia urgente, meu estômago tá me matando. preciso fazer as unhas do meu pé, preciso cortar meu cabelo que tá gigante e sem corte.
preciso escutar aquele sotaque de novo, mas preciso ver aquela calça de sarja que tanto sinto falta, preciso daquele abraço apertado diariamente.
tava precisando que alguém cantasse pra mim, mas não qualquer música nem qualquer pessoa.
precisava comprar canson e tintas novas, mais coloridas, preciso terminar tanta coisa que comecei. preciso das minhas fotos na parede.
preciso ver nome próprio de novo pra digerir melhor, preciso ler a máquina de pinball, preciso terminar tantos livros, preciso assistir mais gnt, preciso dar satisfação a velhas amigas, preciso ver mais algumas pessoas realmente interessantes. preciso de uma tequila, de fotos novas, de bares novos.
preciso de crédito no celular, preciso planejar minha viagem de final de ano. preciso de outro curso de desenho, de mais história da arte.
preciso procurar novos amores, chega dos velhos, chega de dores antigas, das mesmas histórias. elas se repetem, porém posso ter histórias diferentes de todas que já tive também.
preciso de dinheiro pro show da madonna (hahaah), preciso ser figurante de novo, até que é legal!
preciso da minha parceria, tô com tanta saudade dela, dos dias simples tão significativos.
preciso ver mais exposições, perdi algumas tão boas esse ano.
preciso me organizar mais, pensar mais.
preciso ver porque tô tremendo tanto ultimamente, não tenho vício nenhum, o que poderia ser?
acho que é a falta de algum, então.
eu tô bem,
só preciso de tudo isso.
preciso perder uns 5 kg, preciso comer só maçã, preciso prestar enem semana que vem e estar preparada, preciso estudar muito mais do que estudo, preciso ver a peça do wagner moura, preciso baixar novas músicas e escutar os meus primeiros cd's gravados, preciso de uma calça jeans nova e preciso receber dinheiro de muita gente que me deve. preciso sair desse computador, mas ao mesmo tempo é tão necessário pesquisar nele. preciso parar de tomar refrigerante e fazer uma endoscopia urgente, meu estômago tá me matando. preciso fazer as unhas do meu pé, preciso cortar meu cabelo que tá gigante e sem corte.
preciso escutar aquele sotaque de novo, mas preciso ver aquela calça de sarja que tanto sinto falta, preciso daquele abraço apertado diariamente.
tava precisando que alguém cantasse pra mim, mas não qualquer música nem qualquer pessoa.
precisava comprar canson e tintas novas, mais coloridas, preciso terminar tanta coisa que comecei. preciso das minhas fotos na parede.
preciso ver nome próprio de novo pra digerir melhor, preciso ler a máquina de pinball, preciso terminar tantos livros, preciso assistir mais gnt, preciso dar satisfação a velhas amigas, preciso ver mais algumas pessoas realmente interessantes. preciso de uma tequila, de fotos novas, de bares novos.
preciso de crédito no celular, preciso planejar minha viagem de final de ano. preciso de outro curso de desenho, de mais história da arte.
preciso procurar novos amores, chega dos velhos, chega de dores antigas, das mesmas histórias. elas se repetem, porém posso ter histórias diferentes de todas que já tive também.
preciso de dinheiro pro show da madonna (hahaah), preciso ser figurante de novo, até que é legal!
preciso da minha parceria, tô com tanta saudade dela, dos dias simples tão significativos.
preciso ver mais exposições, perdi algumas tão boas esse ano.
preciso me organizar mais, pensar mais.
preciso ver porque tô tremendo tanto ultimamente, não tenho vício nenhum, o que poderia ser?
acho que é a falta de algum, então.
eu tô bem,
só preciso de tudo isso.
18 agosto, 2008
um bucado de mim
a confusão insiste mesmo em mentes ocupadas.
é chegar em casa e não ter aquela paz tanto almejada.
são coisas que misturam-se, ficam distorcidas, feias, doloridas. depois tornam-se tão distantes, quase perdidas (será que existe em pensamento ainda ?), e como um ciclo, tende a ficar perto, às vezes 'perto demais'.
é real? isso não está claro, o presente e o passado parecem um só, ou seria um mundo pararelo no qual imaginei tudo?
parecia tão real, senti tão intensamente, toquei, respirei o mesmo ar, apertei aquelas mãos frias, escutei aquelas músicas que definem alguém, várias e várias vezes. misturei as cores e elas insistiam em formar sua imagem.
talvez eu não tenha mais aquela certeza, algumas coisas mudaram (bastante).
entretanto, aprendi que as pessoas se encontram e se perdem, é algo tão natural como beber água e ir almoçar. o amor disacelera e acelera incansavelmente, repentinamente, aí que nos encontramos por algumas muitas vezes. e faz disso tão estranho, tão bizarro.
porém, são das coisas bizarramente estranhas que realmente nos apaixonamos e almejamos.
isso eu não quero e nem pretendo entender, só preciso viver.
preciso tanto viver.
'Mas vai e antes de ir embora leva
Leva bucado de mim'
(3 na massa)
é chegar em casa e não ter aquela paz tanto almejada.
são coisas que misturam-se, ficam distorcidas, feias, doloridas. depois tornam-se tão distantes, quase perdidas (será que existe em pensamento ainda ?), e como um ciclo, tende a ficar perto, às vezes 'perto demais'.
é real? isso não está claro, o presente e o passado parecem um só, ou seria um mundo pararelo no qual imaginei tudo?
parecia tão real, senti tão intensamente, toquei, respirei o mesmo ar, apertei aquelas mãos frias, escutei aquelas músicas que definem alguém, várias e várias vezes. misturei as cores e elas insistiam em formar sua imagem.
talvez eu não tenha mais aquela certeza, algumas coisas mudaram (bastante).
entretanto, aprendi que as pessoas se encontram e se perdem, é algo tão natural como beber água e ir almoçar. o amor disacelera e acelera incansavelmente, repentinamente, aí que nos encontramos por algumas muitas vezes. e faz disso tão estranho, tão bizarro.
porém, são das coisas bizarramente estranhas que realmente nos apaixonamos e almejamos.
isso eu não quero e nem pretendo entender, só preciso viver.
preciso tanto viver.
'Mas vai e antes de ir embora leva
Leva bucado de mim'
(3 na massa)
08 agosto, 2008
É, só tinha de ser com você
eu não me canso de escutar as mesmas músicas, colocar no 'repete' toda vez que escuto-as. não me canso de ver as mesmas fotos, em sequência ou aleatoriamente. não me canso de ler os mesmos versos, lembrar dos mesmos fatos.
isso tudo é tão nosso, te sentir, relacionar tudo a você.
às vezes me sinto tão idiota de confessar isso, me sinto tão errada. penso que preciso conter-me mais nas palavras já que são muitas.
aquelas conversas na cama, nossos sprays na parede, minha marca em você, minha lista de defeitos tanto meus quanto seus, seu cinto de couro (brochante) e suas meias coloridas, suas camisetas dos smiths e dos beatles, meus desabafos interrompíveis, sua companhia no portão aqui de casa, nossos diamantes negros, meus gritos internos, seu ciúme quase neurótico, minhas palavras duras, seu manjar líquido, meu bolo de fubá compacto.
eu poderia citar mil coisas, mil dias, todas as coisas que definem a gente.
mas é tão difícil colocá-las em sequência, numa ordem inexistente, estou insegura.
só quero dançar todos lp's que estão ao lado da sua vitrola, ask me ask me ask me, só de cueca e meia e toda sua malemolência, acende um incenso, deite do meu lado e olhe nos meus olhos dizendo 'É, só tinha de ser com você', assim como Elis disse.
faça do seu prólogo nossos dias, minhas palavras.
isso tudo é tão nosso, te sentir, relacionar tudo a você.
às vezes me sinto tão idiota de confessar isso, me sinto tão errada. penso que preciso conter-me mais nas palavras já que são muitas.
aquelas conversas na cama, nossos sprays na parede, minha marca em você, minha lista de defeitos tanto meus quanto seus, seu cinto de couro (brochante) e suas meias coloridas, suas camisetas dos smiths e dos beatles, meus desabafos interrompíveis, sua companhia no portão aqui de casa, nossos diamantes negros, meus gritos internos, seu ciúme quase neurótico, minhas palavras duras, seu manjar líquido, meu bolo de fubá compacto.
eu poderia citar mil coisas, mil dias, todas as coisas que definem a gente.
mas é tão difícil colocá-las em sequência, numa ordem inexistente, estou insegura.
só quero dançar todos lp's que estão ao lado da sua vitrola, ask me ask me ask me, só de cueca e meia e toda sua malemolência, acende um incenso, deite do meu lado e olhe nos meus olhos dizendo 'É, só tinha de ser com você', assim como Elis disse.
faça do seu prólogo nossos dias, minhas palavras.
03 agosto, 2008
os que tem asas
enquanto enxugava as poucas lágrimas que escorriam pensei que isso era bobagem. que não preciso de olhos conhecidos para apreciarem algum movimento feito por mim.
sendo uma última apresentação, eu esperava aqueles que tanto são importantes. não estou pedindo apoio nem um elogio, mas vocês poderiam ficar perto de mim, me abraçar e desejar-me sorte antes de eu subir no palco?
talvez sejam tantas balelas neuróticas, mas são tão significativas. não são?
porém durante essa crise pré-palco conseguiram me encorajar de tal forma que desconhecia até agora (as reais palavras, sem acréscimos):
'vá lá. faça a melhor apresentação da sua vida. faça-a pra você. você merece muito mais que todo mundo que sua performance seja a mais linda de todas. quando você chegar em casa, deita na cama e lembre de cada passo que você fez. eu sei que é dificil isso. mas existe uma coisa muito maior que tudo isso: o amor que você tem por dançar. então faz o melhor que você pode.'
eu prometi que dançarei como jamais dancei antes. sentirei aquelas luzes quentes e coloridas penetrando em mim, farei com que todo esse sentimento borbulhoso transpareça a cada giro, a cada movimento. darei o meu melhor, e depois de tudo isso, fecharei meus olhos e lembrarei de cada único momento, meu momento.
e nos encontros de pensamentos é você quem eu encontro, é pra você que eu dançarei. me sinta. te sinto. na verdade, nunca parei de sentir. meu (quase) show exclusivo. não perca!
como caio fernando disse 'é difícil aprisionar os que tem asas!'
sendo uma última apresentação, eu esperava aqueles que tanto são importantes. não estou pedindo apoio nem um elogio, mas vocês poderiam ficar perto de mim, me abraçar e desejar-me sorte antes de eu subir no palco?
talvez sejam tantas balelas neuróticas, mas são tão significativas. não são?
porém durante essa crise pré-palco conseguiram me encorajar de tal forma que desconhecia até agora (as reais palavras, sem acréscimos):
'vá lá. faça a melhor apresentação da sua vida. faça-a pra você. você merece muito mais que todo mundo que sua performance seja a mais linda de todas. quando você chegar em casa, deita na cama e lembre de cada passo que você fez. eu sei que é dificil isso. mas existe uma coisa muito maior que tudo isso: o amor que você tem por dançar. então faz o melhor que você pode.'
eu prometi que dançarei como jamais dancei antes. sentirei aquelas luzes quentes e coloridas penetrando em mim, farei com que todo esse sentimento borbulhoso transpareça a cada giro, a cada movimento. darei o meu melhor, e depois de tudo isso, fecharei meus olhos e lembrarei de cada único momento, meu momento.
e nos encontros de pensamentos é você quem eu encontro, é pra você que eu dançarei. me sinta. te sinto. na verdade, nunca parei de sentir. meu (quase) show exclusivo. não perca!
como caio fernando disse 'é difícil aprisionar os que tem asas!'
28 julho, 2008
blábláblá
21 julho, 2008
meu Sol de inverno
eu precisava de mim, de ficar sentada por horas sentindo aquela brisa e escutando o barulho das ondas. precisava desligar-me de um mundo tão cansativo. precisava fazer minhas leituras, ver alguns filmes interessantes, precisava ligar o rádio e escutar qualquer música dançante.
precisava sentir saudade e escutar algumas poucas vozes.
senti tudo. senti o Sol de inverno penetrando em minha pele, senti o suor escorrendo pelo meu corpo. senti a tranquilidade fora da cidade. degustei os mais deliciosos sorvetes, os doces mais doces. senti saudade de épocas. senti meus pés descalços na areia deixando marcas para trás.
eu precisava de uns dias-familiares, de algumas conversas sinceras demais com palavrões e piadas internas. precisava dizer o meu lado, a minha dor. e precisava escutar o lado de vocês.
aquelas 2 ou mais horas de gritos e calmaria foram tão necessárias quanto todos esses sentimentos e sensações juntos. ter o conhecimento de regras misteriosas e um pouco implícitas, de dores passadas, de um futuro premeditado, de um presente tão confuso e sem soluções.
falei de tantas dores com aquela voz guardando tanto choro dentro de mim, portanto ao falar, senti aquele alívio como a brisa do mar que faz o cabelo voar.
e lendo Luiz Fernando Emediato, as Trevas no Paraíso souberam me dizer que na luta dos gigantes há um grande herói que torna-se com o tempo o velho-herói, que morre feliz e satisfeito mesmo fracassando na imaginação de seu novo mundo, o mesmo em que viveriam até as figuras que um dia fizeram-no ter medo. minha grande(-falsa) heroína também morrerá um dia bem feliz e satisfeita com tudo que já fizera na vida. eu tão-somente sei. porém essas suas figuras medonhas somos nós, sou eu, as estranhas. as que criaram uma barreira tão imensa contra todas palavras proferidas em momentos de espasmos. talvez a vida e o tempo tenham nos ensinado que por cima de feridas e cicatrizes que jamais se curavam, cria-se uma barreira sobre tudo isso, deixando algo duro como uma pedra e frio como o gelo.
envergonho-me de dizer que sou essa coisa-bizarra-sem-coração-e-sem-nome, porém foi uma forma de auto-defesa. entende?
e mesmo sendo o Sol de inverno que aqueceu-me durantes esses dias, ele conseguiu me esquentar tão bem, derreter algumas partes internas congeladas, clareou alguns becos escuros e fez-me espairecer de muitas boas formas.
precisava sentir saudade e escutar algumas poucas vozes.
senti tudo. senti o Sol de inverno penetrando em minha pele, senti o suor escorrendo pelo meu corpo. senti a tranquilidade fora da cidade. degustei os mais deliciosos sorvetes, os doces mais doces. senti saudade de épocas. senti meus pés descalços na areia deixando marcas para trás.
eu precisava de uns dias-familiares, de algumas conversas sinceras demais com palavrões e piadas internas. precisava dizer o meu lado, a minha dor. e precisava escutar o lado de vocês.
aquelas 2 ou mais horas de gritos e calmaria foram tão necessárias quanto todos esses sentimentos e sensações juntos. ter o conhecimento de regras misteriosas e um pouco implícitas, de dores passadas, de um futuro premeditado, de um presente tão confuso e sem soluções.
falei de tantas dores com aquela voz guardando tanto choro dentro de mim, portanto ao falar, senti aquele alívio como a brisa do mar que faz o cabelo voar.
e lendo Luiz Fernando Emediato, as Trevas no Paraíso souberam me dizer que na luta dos gigantes há um grande herói que torna-se com o tempo o velho-herói, que morre feliz e satisfeito mesmo fracassando na imaginação de seu novo mundo, o mesmo em que viveriam até as figuras que um dia fizeram-no ter medo. minha grande(-falsa) heroína também morrerá um dia bem feliz e satisfeita com tudo que já fizera na vida. eu tão-somente sei. porém essas suas figuras medonhas somos nós, sou eu, as estranhas. as que criaram uma barreira tão imensa contra todas palavras proferidas em momentos de espasmos. talvez a vida e o tempo tenham nos ensinado que por cima de feridas e cicatrizes que jamais se curavam, cria-se uma barreira sobre tudo isso, deixando algo duro como uma pedra e frio como o gelo.
envergonho-me de dizer que sou essa coisa-bizarra-sem-coração-e-sem-nome, porém foi uma forma de auto-defesa. entende?
e mesmo sendo o Sol de inverno que aqueceu-me durantes esses dias, ele conseguiu me esquentar tão bem, derreter algumas partes internas congeladas, clareou alguns becos escuros e fez-me espairecer de muitas boas formas.
11 julho, 2008
fé
naqueles segundos que pareceram tão eternos, tão profundos e silenciosos fechei meu olhos com força e fiz minha prece, acreditando naquele que um dia me deu fé para acreditar em mim mesma. e nos outros segundos gritei, gritei com mais aquelas pessoas todas que sofrem como eu. gritei com minha alma, era um barulho desvastador, desesperador, aliviante.
ao acenderem as luzes, tudo parecia mais claro, mais limpo, mais seguro.
eu senti-me tão mais viva, passei a acreditar que não serei um fracasso, já que muitas coisas nesse mundo não estão certas, não são justas o bastante com todos.
talvez eu não esteja fazendo o necessário para merecer, porém minha personalidade não é bitolada, não consigo me limitar em dias sentada resolvendo exercicios e tentando entender todas as coisas existentes. por mais que seja um ano sacrificante, eu não sei fazer certos sacrifícios. preciso espairecer, preciso ir aos meus ensaios, preciso ter meus momentos diários, preciso de tantas outras coisas que fazem me sentir viva.
é aquela fé que me disseram um dia, aquela mesma que está com arco-íris e céus de chocolate.
ao acenderem as luzes, tudo parecia mais claro, mais limpo, mais seguro.
eu senti-me tão mais viva, passei a acreditar que não serei um fracasso, já que muitas coisas nesse mundo não estão certas, não são justas o bastante com todos.
talvez eu não esteja fazendo o necessário para merecer, porém minha personalidade não é bitolada, não consigo me limitar em dias sentada resolvendo exercicios e tentando entender todas as coisas existentes. por mais que seja um ano sacrificante, eu não sei fazer certos sacrifícios. preciso espairecer, preciso ir aos meus ensaios, preciso ter meus momentos diários, preciso de tantas outras coisas que fazem me sentir viva.
é aquela fé que me disseram um dia, aquela mesma que está com arco-íris e céus de chocolate.
04 julho, 2008
doce como algodão-doce
não me faça esperar, não levante a voz, não diz que vem e mais tarde não vem, não me iluda, não me faça sentir uma completa idiota, não desvie os olhos dos meus, diga que me ama no meio de uma briga, me abraça e diga que está tudo bem, me aquece do frio, deixa o seu cheiro ficar em mim, não abra a porta pra mim porque na verdade eu só quero ficar contigo, não me prometa dias do qual sempre sonhei, não diga que está louco sendo que também estou, não solte da minha mão, não atravesse a rua, ande na calçada do lado da rua, me faça sentir protegida, me faça sentir que sou sua, somente sua, porque eu sou, não me faça odiar-te por instantes, odeio te odiar quando brigamos, odeio te odiar quando te espero, odeio sua preguiça, odeio sentir meu coração tão longe do seu, vem aqui, me abraça forte, sinta meu corpo ao seu, sinta me cheiro de algodão-doce, entre no meu aquário, cansei das tempestades, cansei do orgulho, do erro, mas quero aprender, me ensina?, amo de uma maneira que nunca amei, desejo numa intensidade da qual nunca desejei, sorri e ri e ri e ri novamente, ei vem rir comigo, deixa disso, eu amo você.
23 junho, 2008
espasmo

'Quem diria que viver ia dar nisso?'
Essa é minha vida. Sei que não sou descartável.
Vivo tantas coisas internas, tantos sonhos e ilusões, tantas viagens e jornais nas paredes, tantos amores e significados, muita música e muita poesia. Mas será que ninguém consegue ver meus traumas, minhas quedas, meu desequilíbrio, meus (tantos) medos?
Às vezes me sinto tão segura e certa da maneira como penso e ajo, mas às vezes me sinto tão doente e patética.
Ter você é tão bom, quero tanto que chega a doer-me. Sei que isso tornou-se visível nos meus olhos, nos meus beijos apaixonados. Não existe um minuto que não esteja em meus pensamentos. Mas por que a convivência torna as coisas tão mais complicadas que o normal? Por que as pessoas insistem tanto sendo um obstáculo?
Sei que não estou louca, não estou fazendo mal nenhum às suas amizades, elas que não conseguem me ver ao seu lado. Me pergunto até que ponto sou insuportável, e me pergunto mais ainda como outros conseguem me amar tanto.
Não existe um padrão de normalidade no mundo. As pessoas e as coisas são todas relativas, só depende do ponto de vista. É isso que me conforta. Pelo menos de algum ângulo sou boa o bastante para alguém, sou amável e quem sabe até interessante.
'Joguei sobre você tantos medos, tanta coisa travada, tanto medo de rejeição, tanta dor. Difícil explicar. Muitas coisas duras por dentro.'
As coisas por natureza já são duras demais, e eu talvez consiga endurecê-las mais.
Cansei de mim, cansei do meu egoísmo de tentar ser feliz verdadeiramente, cansei do egoísmo de querer você só para mim. Cansei de pensar tanto e no fim não pensar em nada. Cansei do vazio.
Contudo, sei que depois de todas quedas e naufrágios o que fica em mim é cada vez mais sincero e essencial.
14 junho, 2008
amor de merda
eu gosto do seu cheiro. gosto de sentir seu sabor.
gosto do seu suor que penetra em minha pele.
viciei-me em teu suor.
gosto de te tocar, gosto de sentir você, preciso te sentir.
gosto de beijar-te mesmo quando acabamos de acordar.
gosto de escutar sua respiração, suas batidas aceleradas.
gosto do jeito mais inocente e mais profano.
sinto do jeito mais sincero e real.
faça-me sentir mulher, dê-me motivos para querer mais, para gritar mais.
me satisfaça, me enlouqueça, sou sua.
me ame, me beije, me toque, me faça sentir única.
dê um beijo no meu rosto mostrando que me ama da maneira mais sincera e verdadeira.
segure-me por uns segundos para sentir seu corpo em mim.
me cheire, sinta meu gosto, que sabor tenho?
prova que ama de corpo e alma.
me vire de todos os lados, sussurre no meu ouvido, me faça rir.
sabe-se que amar é quando o nojento perde sentido e a intimidade cheirosa torna-se tão comum e natural. quando conhece o mais profundo, quando sente os verdadeiros gostos.
amar é tornar-se um aninal que cheira um ao outro. sem máculas, sem disfarces, somente a realidade mais bela e sedutora.
amar é conhecer o outro corpo assim como você conhece o seu.
me ame.
gosto do seu suor que penetra em minha pele.
viciei-me em teu suor.
gosto de te tocar, gosto de sentir você, preciso te sentir.
gosto de beijar-te mesmo quando acabamos de acordar.
gosto de escutar sua respiração, suas batidas aceleradas.
gosto do jeito mais inocente e mais profano.
sinto do jeito mais sincero e real.
faça-me sentir mulher, dê-me motivos para querer mais, para gritar mais.
me satisfaça, me enlouqueça, sou sua.
me ame, me beije, me toque, me faça sentir única.
dê um beijo no meu rosto mostrando que me ama da maneira mais sincera e verdadeira.
segure-me por uns segundos para sentir seu corpo em mim.
me cheire, sinta meu gosto, que sabor tenho?
prova que ama de corpo e alma.
me vire de todos os lados, sussurre no meu ouvido, me faça rir.
sabe-se que amar é quando o nojento perde sentido e a intimidade cheirosa torna-se tão comum e natural. quando conhece o mais profundo, quando sente os verdadeiros gostos.
amar é tornar-se um aninal que cheira um ao outro. sem máculas, sem disfarces, somente a realidade mais bela e sedutora.
amar é conhecer o outro corpo assim como você conhece o seu.
me ame.
09 junho, 2008
falsa heroína
como toda criança tem seu herói, eu tinha minha heroína.
uma guerreira fortíssima, linda com seus cabelos louros que sabia me salvar das tantas confusões infantis.
era topo. almejava ser como ela.
e é triste dizer que hoje as coisas mudaram tanto ao ponto de não sentir-me orgulhosa ao olhar pra ela e dizer 'minha heroína'. eu olho e faltam-me palavras.
queria ao menos entender o que a vida fez, como fez meu coração transformar-se em quase uma pedra de gelo em relação a ela.
se faz de tão forte visivelmente, mas eu escuto seus gemidos e gritos durante a madrugada. vejo seus olhos inxados pela manhã. debilitada, odeio sentir esse cheiro que não pertencia ao corpo dela. odeio saber a verdade.
eu cresci. hoje enxergo as coisas que estavam ofuscadas.
hoje brigo, hoje falo alto, hoje respeito e ainda amo porém almejo ser uma pessoa totalmente diferente da minha heroína.
hoje quero sair de casa o mais rápido possível para não enxergar a verdade todo dia.
para não ter que fazer parte de algo tão falso.
para viver do jeito que acho que as coisas são, vivenciando essas coisas de longe, de outro ângulo.
me faria (tão) melhor.
eu estaria melhor.
uma guerreira fortíssima, linda com seus cabelos louros que sabia me salvar das tantas confusões infantis.
era topo. almejava ser como ela.
e é triste dizer que hoje as coisas mudaram tanto ao ponto de não sentir-me orgulhosa ao olhar pra ela e dizer 'minha heroína'. eu olho e faltam-me palavras.
queria ao menos entender o que a vida fez, como fez meu coração transformar-se em quase uma pedra de gelo em relação a ela.
se faz de tão forte visivelmente, mas eu escuto seus gemidos e gritos durante a madrugada. vejo seus olhos inxados pela manhã. debilitada, odeio sentir esse cheiro que não pertencia ao corpo dela. odeio saber a verdade.
eu cresci. hoje enxergo as coisas que estavam ofuscadas.
hoje brigo, hoje falo alto, hoje respeito e ainda amo porém almejo ser uma pessoa totalmente diferente da minha heroína.
hoje quero sair de casa o mais rápido possível para não enxergar a verdade todo dia.
para não ter que fazer parte de algo tão falso.
para viver do jeito que acho que as coisas são, vivenciando essas coisas de longe, de outro ângulo.
me faria (tão) melhor.
eu estaria melhor.
02 junho, 2008
todos os ritmos
era uma multidão.
no meio de tantos passos e rodas, frio e toucas, ladeira e grama, maracatu e triângulo.
como se todos ângulos e perpendiculares juntassem em uma reta só, uma direção só.
vi tudo: os abraços, a vibração, os gritos, os amigos, a grade.
não podia, nem ao menos queria.
aquela chuva escondeu as lágrimas, as batidas esconderam o disparar do coração, a caixa de som escondeu todos meus altos pensamentos que me pertubavam.
senti-me tão suja quanto àquele barro que fazia-me deslizar. e nem toda aquela tempestade pôde limpar-me de toda sujeira.
e entre pingos, medo, cansaço eu senti aquela mão. aquela que não me soltava, se soltava, era para abraçar-me mais forte apaziguando a situação.
e no silêncio dos passos escutava-se cada pulsar, cada batida que meu coração batia para um alguém.
somente para um alguém.
assim como as lianas são parasitas de parede e cobrem repentinamente a mesma, meu sentimento cresce a cada olhar e a cada abraço que me renova, porque sim, você renova (-me).
deixa-se levar na mesma sintonia, no mesmo ritmo, essa nossa música que vai do maracatu à rpda de jazz, da malemolência brasileira ao rock 'n roll descabelado. você é todos os ritmos que faz-me querer dançar e amar.
e amar.
no meio de tantos passos e rodas, frio e toucas, ladeira e grama, maracatu e triângulo.
como se todos ângulos e perpendiculares juntassem em uma reta só, uma direção só.
vi tudo: os abraços, a vibração, os gritos, os amigos, a grade.
não podia, nem ao menos queria.
aquela chuva escondeu as lágrimas, as batidas esconderam o disparar do coração, a caixa de som escondeu todos meus altos pensamentos que me pertubavam.
senti-me tão suja quanto àquele barro que fazia-me deslizar. e nem toda aquela tempestade pôde limpar-me de toda sujeira.
e entre pingos, medo, cansaço eu senti aquela mão. aquela que não me soltava, se soltava, era para abraçar-me mais forte apaziguando a situação.
e no silêncio dos passos escutava-se cada pulsar, cada batida que meu coração batia para um alguém.
somente para um alguém.
assim como as lianas são parasitas de parede e cobrem repentinamente a mesma, meu sentimento cresce a cada olhar e a cada abraço que me renova, porque sim, você renova (-me).
deixa-se levar na mesma sintonia, no mesmo ritmo, essa nossa música que vai do maracatu à rpda de jazz, da malemolência brasileira ao rock 'n roll descabelado. você é todos os ritmos que faz-me querer dançar e amar.
e amar.
29 maio, 2008
meu segredo (não mais segredo)
por uma mera (ou não) coincidência, deparei-me mais que duas ou três vezes com uma mesma palavra nessa manhã. uma das minhas preferidas, que significa quase tudo pra mim. é aquela que quando um dos meus amigos escuta, chega noutro dia e diz 'ei, lembrei de você ontem'. e gosto de saber que sou lembrada quando tal palavra é proferida.
é essa que está no meu profile, na minha descrição, que está no livro, na revista, no jornal. mas também está na mente, no cotidiano, na alma, em mim.
já fui obrigada a ouvir que é uma perda de tempo procurar a essência das coisas. que as coisas são como são, nada mais. até alberto caeiro o diz. já que é anti metafísico e anti filosófico.
não posso discordar que as coisas são como elas são, visivelmente sim. porém, assim como todos sabem, tal heterônimo é materialista, o mundo exterior é mais válido e verdadeiro que o interior. 'Creio mais no meu corpo do que na minha alma' , sim, palavras do próprio.
aí entra minha discordância. meu corpo é reflexo da minha alma. sou o que sou por fora consequentemente daquilo que sinto e penso.
não danço simplesmente porque é bonito, mas porque sinto-me viva ao movimentar-me inteiramente e intensamente. danço porque é arte, é passar sentimentos e expressões internas.
invento formas e misturo cores não por ser legal, mas porque isso faz parte de mim, colocar num papel (ou em qualquer outro lugar) a minh'alma, meu eu.
acredito no poder de todo e qualquer movimento artístico. e nesse mundo ilusório, que talvez as pessoas não entendem e julgam tanto, é que vive-se melhor. na verdade, melhor não seria a palavra exata, entretanto é nele onde há intensidade, há paixão, há entrega, há atitude, há cor, há vida vida vida, muita vida !
sou viva, tenho alma, tenho essência. e é nisso que está o segredo de viver.
( porém meu segredo não é mais segredo )
é essa que está no meu profile, na minha descrição, que está no livro, na revista, no jornal. mas também está na mente, no cotidiano, na alma, em mim.
já fui obrigada a ouvir que é uma perda de tempo procurar a essência das coisas. que as coisas são como são, nada mais. até alberto caeiro o diz. já que é anti metafísico e anti filosófico.
não posso discordar que as coisas são como elas são, visivelmente sim. porém, assim como todos sabem, tal heterônimo é materialista, o mundo exterior é mais válido e verdadeiro que o interior. 'Creio mais no meu corpo do que na minha alma' , sim, palavras do próprio.
aí entra minha discordância. meu corpo é reflexo da minha alma. sou o que sou por fora consequentemente daquilo que sinto e penso.
não danço simplesmente porque é bonito, mas porque sinto-me viva ao movimentar-me inteiramente e intensamente. danço porque é arte, é passar sentimentos e expressões internas.
invento formas e misturo cores não por ser legal, mas porque isso faz parte de mim, colocar num papel (ou em qualquer outro lugar) a minh'alma, meu eu.
acredito no poder de todo e qualquer movimento artístico. e nesse mundo ilusório, que talvez as pessoas não entendem e julgam tanto, é que vive-se melhor. na verdade, melhor não seria a palavra exata, entretanto é nele onde há intensidade, há paixão, há entrega, há atitude, há cor, há vida vida vida, muita vida !
sou viva, tenho alma, tenho essência. e é nisso que está o segredo de viver.
( porém meu segredo não é mais segredo )
21 maio, 2008
os lados
não se tem apenas um lado, nem uma só verdade, nem um só alguém.
parece que tudo se duplica/se complica.
são tantas certezas e vontades que passam a ser alguma-coisa-que-dê-dor-de-cabeça e muitos outros sentimentos um tanto inconstantes como incontroláveis.
são opostos mas são iguais. um completa o outro.
é necessidade, é rotina, é amor, mas é também estabilidade, é arte, é distância.
é norah jones mas tbm é chico.
é sentir borboletas e é sentir calafrios.
é tudo quando não é nada.
é intenso-tão-intenso, é viciante; mas há vazio também.
não preciso só de palavras, preciso de provas, de atos, de toques, de calor.
preciso de sinceridade, de palavras sussurradas, de auto-controle.
preciso tanto que estraguei da pior maneira.
do erro, tem-se o erro.
e da confiança perdida, é dificil o recuperar.
tempo? talvez ele diga alguma coisa.
só não quero perder, não quero.
quero aprender todas formas e cores, quero SER todas cores e formas. me trace, me pincela, me perco em seus traços. te inspiro.
quero aprender a ser guerreira, quero uma cerveja numa 2ª feira ensolarada, quero gostar de lianas. me ensine todos os ritmos e batidas, me apóie, me abraça do jeito que ninguém mais sabe.
eu não posso. simplesmente não posso.
e nesse paradoxo dói tanto que falta-me o ar.
não podia. acontece, fala, dói (...) e dói. e o resto não sei mais.
parece que tudo se duplica/se complica.
são tantas certezas e vontades que passam a ser alguma-coisa-que-dê-dor-de-cabeça e muitos outros sentimentos um tanto inconstantes como incontroláveis.
são opostos mas são iguais. um completa o outro.
é necessidade, é rotina, é amor, mas é também estabilidade, é arte, é distância.
é norah jones mas tbm é chico.
é sentir borboletas e é sentir calafrios.
é tudo quando não é nada.
é intenso-tão-intenso, é viciante; mas há vazio também.
não preciso só de palavras, preciso de provas, de atos, de toques, de calor.
preciso de sinceridade, de palavras sussurradas, de auto-controle.
preciso tanto que estraguei da pior maneira.
do erro, tem-se o erro.
e da confiança perdida, é dificil o recuperar.
tempo? talvez ele diga alguma coisa.
só não quero perder, não quero.
quero aprender todas formas e cores, quero SER todas cores e formas. me trace, me pincela, me perco em seus traços. te inspiro.
quero aprender a ser guerreira, quero uma cerveja numa 2ª feira ensolarada, quero gostar de lianas. me ensine todos os ritmos e batidas, me apóie, me abraça do jeito que ninguém mais sabe.
eu não posso. simplesmente não posso.
e nesse paradoxo dói tanto que falta-me o ar.
não podia. acontece, fala, dói (...) e dói. e o resto não sei mais.
19 maio, 2008
descanse em paz, vovô.
nunca tinha sentido a perda de alguém próximo assim. é estranho pensar que ele só foi o primeiro.
numa barreira-de-traumas, me contive durante todo o dia. talvez para bancar uma aparência, ou talvez por não conseguir simplesmente me expor a tantas pessoas.
dói tanto ver todos desfigurados, a cada abraço duradouro ter que confortar com algumas palavras repetidas que secavam minha boca.
e em meio aquele cheiro de plantas, morte e tristeza, cantou-se um cântico a Deus. leve-o em paz, meu Deus.
descanse em paz, vovô.
numa distância entre eu e aquele corpo ali, totalmente indefeso e (des)cansado, era visível que estava num mundo diferente desse. sentia paz, havia um sorriso escondido naquele rosto.
e num sentimento confuso, consegui lembrar de bons momentos ao lado dele, por mais que na minha vida inteira fora muito ausente, ou nas horas presente, destratava a todos, principalmente a quem eu mais amava. é, pagou o preço do seu vício. um dia isso aconteceria de alguma maneira. aconteceu e eu sabia.
'Deus sabe o que faz', acredito nisso.
senti-me um pouco fria, mas não me senti mal ao sentir isso.
é justificável o porquê dela. eu sei. eu sei.
e numa fé que não tinha há tempos, ao ver aquela guerreira ali de pé ao lado do corpo, percebi que bem-aventurado aquele que crê.
eu creio.
amém
numa barreira-de-traumas, me contive durante todo o dia. talvez para bancar uma aparência, ou talvez por não conseguir simplesmente me expor a tantas pessoas.
dói tanto ver todos desfigurados, a cada abraço duradouro ter que confortar com algumas palavras repetidas que secavam minha boca.
e em meio aquele cheiro de plantas, morte e tristeza, cantou-se um cântico a Deus. leve-o em paz, meu Deus.
descanse em paz, vovô.
numa distância entre eu e aquele corpo ali, totalmente indefeso e (des)cansado, era visível que estava num mundo diferente desse. sentia paz, havia um sorriso escondido naquele rosto.
e num sentimento confuso, consegui lembrar de bons momentos ao lado dele, por mais que na minha vida inteira fora muito ausente, ou nas horas presente, destratava a todos, principalmente a quem eu mais amava. é, pagou o preço do seu vício. um dia isso aconteceria de alguma maneira. aconteceu e eu sabia.
'Deus sabe o que faz', acredito nisso.
senti-me um pouco fria, mas não me senti mal ao sentir isso.
é justificável o porquê dela. eu sei. eu sei.
e numa fé que não tinha há tempos, ao ver aquela guerreira ali de pé ao lado do corpo, percebi que bem-aventurado aquele que crê.
eu creio.
amém
07 maio, 2008
i want to break free
é estranho mas é verdade, eu preciso me libertar.
de muitas formas isso está me fazendo mal. é tão dolorido que torna-se incontrolável.
na minha ideologia ilusória, pensei que iria ser tão normal como sempre foi.
'i can't get used to living without you by my side'
soa tão estranho e declarador.
é tão desesperador como as palavras proferidas alguns dias atrás por mim, e como resposta tive apenas o silêncio. é, aquele mesmo que me ensurdece (e odeio).
é ligar numa quarta feira qualquer e ter um ombro onde encostar no caminho do ônibus, é ter companhia para rir de coisas alheias e fúteis, é meu cotidiano, minha rotina.
tá cravado, tá selecionado, faz parte de mim, me conhece por inteira e eu simplesmente amo.
da forma mais pura, de um sentimento que brotou tão rápido e transformou-se numa necessidade diária.
sei que existe maturidade suficiente nesse elo, não há o porquê de tanta dor sentida nas últimas conversas-silenciosas.
'enjoy the silence', eu odeio o silêncio. odeio.
assim como odeio todas indiretas maldosas e os sorrisos no canteiro da boca.
e toda essa frieza que não sei como surgiu em alguém tão tão bom.
e toda essa repulsa que sinto quando (não) está perto de mim.
ei, sou eu. lembra ?
.
mais sincero que isso?
somente vendo meus olhos vermelhos.
de muitas formas isso está me fazendo mal. é tão dolorido que torna-se incontrolável.
na minha ideologia ilusória, pensei que iria ser tão normal como sempre foi.
'i can't get used to living without you by my side'
soa tão estranho e declarador.
é tão desesperador como as palavras proferidas alguns dias atrás por mim, e como resposta tive apenas o silêncio. é, aquele mesmo que me ensurdece (e odeio).
é ligar numa quarta feira qualquer e ter um ombro onde encostar no caminho do ônibus, é ter companhia para rir de coisas alheias e fúteis, é meu cotidiano, minha rotina.
tá cravado, tá selecionado, faz parte de mim, me conhece por inteira e eu simplesmente amo.
da forma mais pura, de um sentimento que brotou tão rápido e transformou-se numa necessidade diária.
sei que existe maturidade suficiente nesse elo, não há o porquê de tanta dor sentida nas últimas conversas-silenciosas.
'enjoy the silence', eu odeio o silêncio. odeio.
assim como odeio todas indiretas maldosas e os sorrisos no canteiro da boca.
e toda essa frieza que não sei como surgiu em alguém tão tão bom.
e toda essa repulsa que sinto quando (não) está perto de mim.
ei, sou eu. lembra ?
.
mais sincero que isso?
somente vendo meus olhos vermelhos.
03 maio, 2008
my blueberry nights
é como na tela de cinema
preciso de um molho de chaves simbolizando meu esquecimento, àquele que posso jogar num pote junto a tantas outras histórias que são apenas histórias esquecidas contadas por um dono de bar.
e numa rotina nova, com cigarros feitos a mão, muito frio, tortas de amora e bocas sujas, um sentimento é brotado.
não é apenas mais uma clichê história hollywoodiana, e sim, algo real. tão real que me vi nela.
só é preciso comprar uma torta de amora e comê-la todas as noites que encontro àquele que me faz sentir tão bem ao lado.
que me faça sentir viva como uma dançarina.
onde os dias que se passam ao seu lado, tornam-se tão curtos e rápidos por ser tão bons.
é triste a saudade que existe, mas é boa quando matada.
é quase tão necessário quanto a rotina de trabalho, estudos e família.
é tão necessário quanto um sorriso, já que é o causador de milhões de sorrisos diários (seja lá qual for a forma de tirá-los da minha boca).
até chico buarque soube dizer, junto com a mais simples sintonia. e jorge ben jor soube presenciar e tocar junto à realidade, se é que alguém me entende.
mas logo digo, as pessoas não sabem. não sabem de nada.
não há fotos que registrem os sorrisos e a rotina necessária, e são poucos os dias vividos, mas são tão válidos quanto uma vida inteira.
é assim intenso e real.
onde um sofá diz tanta coisa, onde uma rua tão suja de são paulo signifique tantas coisas.
onde as noites tornam-se tão coloridas, my blueberry nights.
preciso de um molho de chaves simbolizando meu esquecimento, àquele que posso jogar num pote junto a tantas outras histórias que são apenas histórias esquecidas contadas por um dono de bar.
e numa rotina nova, com cigarros feitos a mão, muito frio, tortas de amora e bocas sujas, um sentimento é brotado.
não é apenas mais uma clichê história hollywoodiana, e sim, algo real. tão real que me vi nela.
só é preciso comprar uma torta de amora e comê-la todas as noites que encontro àquele que me faz sentir tão bem ao lado.
que me faça sentir viva como uma dançarina.
onde os dias que se passam ao seu lado, tornam-se tão curtos e rápidos por ser tão bons.
é triste a saudade que existe, mas é boa quando matada.
é quase tão necessário quanto a rotina de trabalho, estudos e família.
é tão necessário quanto um sorriso, já que é o causador de milhões de sorrisos diários (seja lá qual for a forma de tirá-los da minha boca).
até chico buarque soube dizer, junto com a mais simples sintonia. e jorge ben jor soube presenciar e tocar junto à realidade, se é que alguém me entende.
mas logo digo, as pessoas não sabem. não sabem de nada.
não há fotos que registrem os sorrisos e a rotina necessária, e são poucos os dias vividos, mas são tão válidos quanto uma vida inteira.
é assim intenso e real.
onde um sofá diz tanta coisa, onde uma rua tão suja de são paulo signifique tantas coisas.
onde as noites tornam-se tão coloridas, my blueberry nights.
23 abril, 2008
meus (des)vícios
não fiz nenhuma descoberta, mas tenho afirmado isso diariamente: não posso fugir de mim mesma. por mais que eu tente e invente desculpas a mim mesma, no fim, sempre acabo na mesma resposta, com a mesma resposta.
posso esticar tudo, posso procurar nas minhas raízes, posso sentir o encantamento, porém a verdade é clara. por mais que os dias tem sido cinzas e chuvosos e minha visão-gris nao tenha discernimento o suficiente pra distinguir as cores e formas, eu cai em mim.
'eu quase digo e calo, eu quase sinto e esqueço'.
nessa constante contradição procuro meu caminho reto, procuro as ruas que contumavam me espairecer.
e agora, num desaparecer de todas as palavras, onde somente àquela imagem-cinematográfica passa em minha mente junto às mais lindas memórias, eu sinto uma convicção que está certo assim, está bom assim.
independente do antes e do depois, mas o meu presente está bom. já que todo dia é dia de salvar e ser salvo. todo dia é dia de atirar e ser o alvo.
alguém um dia me ensinou isso, e hoje carrego essas palavras cravadas em minha coleção de frases excelentes. viciei-me em coleções. viciei-me em muitas outras coisas.
e por fim, meus milhões de sorrisos diários inversos-ou-não-inversos me fazem de alguma forma acreditar em mim mesma, com todas contradições e oscilações, vícios e desvícios, palavras e vontades. isso tudo me dá um motivo a mais. é, na verdade, isso que me faz viver.
posso esticar tudo, posso procurar nas minhas raízes, posso sentir o encantamento, porém a verdade é clara. por mais que os dias tem sido cinzas e chuvosos e minha visão-gris nao tenha discernimento o suficiente pra distinguir as cores e formas, eu cai em mim.
'eu quase digo e calo, eu quase sinto e esqueço'.
nessa constante contradição procuro meu caminho reto, procuro as ruas que contumavam me espairecer.
e agora, num desaparecer de todas as palavras, onde somente àquela imagem-cinematográfica passa em minha mente junto às mais lindas memórias, eu sinto uma convicção que está certo assim, está bom assim.
independente do antes e do depois, mas o meu presente está bom. já que todo dia é dia de salvar e ser salvo. todo dia é dia de atirar e ser o alvo.
alguém um dia me ensinou isso, e hoje carrego essas palavras cravadas em minha coleção de frases excelentes. viciei-me em coleções. viciei-me em muitas outras coisas.
e por fim, meus milhões de sorrisos diários inversos-ou-não-inversos me fazem de alguma forma acreditar em mim mesma, com todas contradições e oscilações, vícios e desvícios, palavras e vontades. isso tudo me dá um motivo a mais. é, na verdade, isso que me faz viver.
11 abril, 2008
pausa-do-dia
numa pausa do dia, onde os pensamentos tentam vir devorar mais ainda minhas neuroses diárias, onde uma xícara de café, ou um passeio pela avenida angélica numa tarde chuvosa, simplesmente não bastam.
mente cansada, o corpo anseia por cama, os olhos fecham-se sozinhos, uma rotina agradável porém desgastante. e com tudo isso, ainda nessa pausa do dia, existe alguma sintonia. um estudo de mim, onde a corda bamba fica firme. ou nem tão firme assim, entretanto, tento.
e em algumas escapadas dessa rotina cansativa, fazem com que eu perceba o quanto vale a pena espairecer, sair pela rua cantando e dançando, sentar num bar no meio do caminho e beber uma cerveja, mesmo que seja uma, mas já é alguma coisa.
e depois de algumas interrogações, vêm respostas que não queria escutar. é pouco pra mim. ou ainda não descobri se sou eu que não faço valer a pena. por isso digo, essas pausas diárias são necessárias para meu estudo de mim.
recordo-me que alguns dias atrás, numa confusão sentimental-mental vomitei-me todas minhas neuroses, e a partir disso, a decisão veio à tona. porém conforme o decorrer das horas, após o falar sincero em meio ao contentamento de lágrimas, as decisões não foram as mesmas. porque a vida é assim mesmo, movida a tentativas!
e sem pé nem cabeça, termino dizendo que motivos mil me levam a querer tanto, mas que em poucos minutos os mesmos desaparecem. por isso fico nisso: nessa ansiedade da minha pausa diária, onde eu posso sentir e ouvir meu as estrelas .
mente cansada, o corpo anseia por cama, os olhos fecham-se sozinhos, uma rotina agradável porém desgastante. e com tudo isso, ainda nessa pausa do dia, existe alguma sintonia. um estudo de mim, onde a corda bamba fica firme. ou nem tão firme assim, entretanto, tento.
e em algumas escapadas dessa rotina cansativa, fazem com que eu perceba o quanto vale a pena espairecer, sair pela rua cantando e dançando, sentar num bar no meio do caminho e beber uma cerveja, mesmo que seja uma, mas já é alguma coisa.
e depois de algumas interrogações, vêm respostas que não queria escutar. é pouco pra mim. ou ainda não descobri se sou eu que não faço valer a pena. por isso digo, essas pausas diárias são necessárias para meu estudo de mim.
recordo-me que alguns dias atrás, numa confusão sentimental-mental vomitei-me todas minhas neuroses, e a partir disso, a decisão veio à tona. porém conforme o decorrer das horas, após o falar sincero em meio ao contentamento de lágrimas, as decisões não foram as mesmas. porque a vida é assim mesmo, movida a tentativas!
e sem pé nem cabeça, termino dizendo que motivos mil me levam a querer tanto, mas que em poucos minutos os mesmos desaparecem. por isso fico nisso: nessa ansiedade da minha pausa diária, onde eu posso sentir e ouvir meu as estrelas .
31 março, 2008
queridos amigos.
um dia desses tive tantas certezas quase que juntas que foram capazes de me tirar o fôlego. não só pelo fato de ter bebido algumas já, mas pela sincronia. pelo movimento. pelos assuntos. e nos olhos-cheios-d'água aos cigarros fumados, nas conversas paralelas entre o mudar de clima fim-de-tarde ao comecinho frio de uma noite típica paulista foram se tornando uma mesma conversa, um mesmo assunto. não por falta de educação de querer escutar conversas alheias, porem pelos ouvidos aguçados e sedentos por assuntos interessantes. e após alguns brindes e experiências trocadas, confirmações vieram à tona.
como aquelas em que sabemos que o universo fala conosco através das estrelas - 'ora, pois, direis ouvir estrelas, pois só quem ama é capaz de ouvir e entender as estrelas' - e nossos queridos amigos o sabem bem.
até aquelas em que sabemos que estamos no lugar certo, por mais que sejamos animais ( ou pelo menos a ciência diz ), temos alma. vivemos da poesia, das formas e cores, da sincronia em que há entre todo tipo de arte. temos alma ao sentar numa mesa de bar das 3 da tarde até quase as 7 da noite, sem faltar assunto, sem faltar amor, sem falar o sentimento de parceria.
e no meio de confissões, de nostalgias que ficaram tão vagas e de vontades que infelizmente não podemos mais ter, sabemos da nossa verdade. da minha verdade.
da minha auto-suficiência que contradiz com meu desequilibrio momentâneo, mas que em tardes como essas, me recomponho novamente.
e por mais que os dias seguintes sejam ruins ao ponto de quase me fazerem chorar, sinto os mesmos bons sentimentos daquela tarde. afinal, a companhia era única.
e na mesma sinceridade da conversa, estou aqui sendo sincera comigo numa noite de domingo sem sono pensando no amanhã e no quem virá junto com ele.
e num alivio imensurável, digo com toda certeza e honestidade, sem roubo de palavras, mas apenas em idéias trocadas, eu sinto, afinal, tenho alma.
como aquelas em que sabemos que o universo fala conosco através das estrelas - 'ora, pois, direis ouvir estrelas, pois só quem ama é capaz de ouvir e entender as estrelas' - e nossos queridos amigos o sabem bem.
até aquelas em que sabemos que estamos no lugar certo, por mais que sejamos animais ( ou pelo menos a ciência diz ), temos alma. vivemos da poesia, das formas e cores, da sincronia em que há entre todo tipo de arte. temos alma ao sentar numa mesa de bar das 3 da tarde até quase as 7 da noite, sem faltar assunto, sem faltar amor, sem falar o sentimento de parceria.
e no meio de confissões, de nostalgias que ficaram tão vagas e de vontades que infelizmente não podemos mais ter, sabemos da nossa verdade. da minha verdade.
da minha auto-suficiência que contradiz com meu desequilibrio momentâneo, mas que em tardes como essas, me recomponho novamente.
e por mais que os dias seguintes sejam ruins ao ponto de quase me fazerem chorar, sinto os mesmos bons sentimentos daquela tarde. afinal, a companhia era única.
e na mesma sinceridade da conversa, estou aqui sendo sincera comigo numa noite de domingo sem sono pensando no amanhã e no quem virá junto com ele.
e num alivio imensurável, digo com toda certeza e honestidade, sem roubo de palavras, mas apenas em idéias trocadas, eu sinto, afinal, tenho alma.
26 março, 2008
minha confissão .
can I have you ?
me deparo com uma ambiguidade que me leva além dos pensamentos-paradoxos.
de um lado, é fato o que tenho, quem tenho e a intensidade que tenho.
intensidade que me faz delirar só de lembrar, mas que ao mesmo tempo, me faz pensar se posso ter algo tão intenso.
é desse outro lado, que a dúvida ou a insegurança me fazem perder a cabeça numa coisa que parece ser tão sutil.
mas apenas eu mesma, somente eu, entenderei o verdadeiro sentido da confusão-psicológica.
talvez não sinto tudo o que realmente sempre quis sentir, e ilusão a minha foi achar, na verdade, ter quase certeza que tinha conseguido sentir da maior e melhor maneira.
e numa rotina que me alegra e ao mesmo tempo me deixa tão desgastada, me fez perceber que ainda era tudo muito cedo. mas como tudo, o tempo é relativo. e me pergunto o que é considerado tarde ou cedo na minha vida. e por mais que eu tente, percebi que o problema não está no tempo, na intensidade ou em alguém, está em mim.
está nos meus pensamentos-cotidianos-automáticos que me incomodam absurdamente. sem eu perceber, encontro-me perturbada e confusa.
sim, eu cheguei ao ponto de assumir (finalmente) que talvez não sou essa pessoa equilibrada que acham que sou. tenho minhas recaídas ( e muitas ) e meu desequilíbrio é visível.
e nesse desequilíbrio mental-sentimental confessado (vergonhasamente) o final de um texto perdeu-se. ou talvez não tenha conclusão para algo tão verdadeiro e perturbador.
me deparo com uma ambiguidade que me leva além dos pensamentos-paradoxos.
de um lado, é fato o que tenho, quem tenho e a intensidade que tenho.
intensidade que me faz delirar só de lembrar, mas que ao mesmo tempo, me faz pensar se posso ter algo tão intenso.
é desse outro lado, que a dúvida ou a insegurança me fazem perder a cabeça numa coisa que parece ser tão sutil.
mas apenas eu mesma, somente eu, entenderei o verdadeiro sentido da confusão-psicológica.
talvez não sinto tudo o que realmente sempre quis sentir, e ilusão a minha foi achar, na verdade, ter quase certeza que tinha conseguido sentir da maior e melhor maneira.
e numa rotina que me alegra e ao mesmo tempo me deixa tão desgastada, me fez perceber que ainda era tudo muito cedo. mas como tudo, o tempo é relativo. e me pergunto o que é considerado tarde ou cedo na minha vida. e por mais que eu tente, percebi que o problema não está no tempo, na intensidade ou em alguém, está em mim.
está nos meus pensamentos-cotidianos-automáticos que me incomodam absurdamente. sem eu perceber, encontro-me perturbada e confusa.
sim, eu cheguei ao ponto de assumir (finalmente) que talvez não sou essa pessoa equilibrada que acham que sou. tenho minhas recaídas ( e muitas ) e meu desequilíbrio é visível.
e nesse desequilíbrio mental-sentimental confessado (vergonhasamente) o final de um texto perdeu-se. ou talvez não tenha conclusão para algo tão verdadeiro e perturbador.
12 março, 2008
03 março, 2008
minha rotina-alternada .
odeio rotina.
quem me conhece, sabe .
mas há um certo momento que não nos damos conta de que fazemos parte da rotina, não que eu faça parte dela, mas ela de mim.
tento sair dela nos caminhos alternativos que faço, nos onibus diferentes que tomo, no outro lado da calçada que ando, nas ligações inusitadas que disco, nos sorrisos matinais que mando, nas músicas escutadas (...), qualquer coisa que não me faça sentir cansada depois.
mesmo que eu ande o dobro a mais, não me importo, ver as nuvens tão de perto e sentir a brisa do fim da tarde me fazem sentir melhor, me tornam uma pessoa melhor.
mesmo que o trem às 7 da manhã me mate de tanto desgosto, e a Sé me faça me sentir uma formiga no meio de um formigueiro, cheio de predadores e outros insetos malvados, e mesmo eu vendo pessoas brigando, aproveitando, empurrando, conseguem (às vezes) me tirar de mim mesma, ao ponto de querer chorar em meio a multidão de tanto desprezo que sinto pela humanidade. e até de mim mesma, porque sei que faço parte dela. todas com seus fones de ouvidos, tão egoístas, tão individuais. e por mais que eu esteja com os meus também, observo todos, reparo em todos, ainda mais que esteja lutando contra meus olhos quase fechados de sono. não que eu seja melhor que eles, mas eu ainda sinto. sinto muito. queria poder mudar essa parte da minha rotina matinal. não queria me entristecer logo de manhã, as vezes penso que deixar meus olhos fechados seria melhor, viveria melhor. mas assim, perderia as coisas boas, que ainda existem também. então conclui que, por mais que a realidade seja como ela é, ela é assim simplesmente. tudo é ruim, tudo é bom.
prefiro viver minha vida, ter meus caminhos alternados, ter infelizmente que sentir todas partes dos corpos alheios nos trens-estupidamente-lotados de manhã, ter meus sorrisos guardados, mas que no fim do dia, são liberados, e da melhor forma. e no fim do dia, ter com quem falar no telefone ou abraçar, ter um banho prolongado de água fria, ter poucas estrelas no céu que mesmo sendo poucas, me tiram sorrisos.
e assim vai, vivendo a vida, com a melhor trilha sonora de fundo, sentindo cada batida, cada palavra ou grito. estar em meio à multidão, mas conseguir lembrar de bons momentos, de perfumes e gostos. de manias e épocas.
a vida é bela do jeito estranho que ela é. do jeito caótico e barulhento que ela é.
apenas vive.
quem me conhece, sabe .
mas há um certo momento que não nos damos conta de que fazemos parte da rotina, não que eu faça parte dela, mas ela de mim.
tento sair dela nos caminhos alternativos que faço, nos onibus diferentes que tomo, no outro lado da calçada que ando, nas ligações inusitadas que disco, nos sorrisos matinais que mando, nas músicas escutadas (...), qualquer coisa que não me faça sentir cansada depois.
mesmo que eu ande o dobro a mais, não me importo, ver as nuvens tão de perto e sentir a brisa do fim da tarde me fazem sentir melhor, me tornam uma pessoa melhor.
mesmo que o trem às 7 da manhã me mate de tanto desgosto, e a Sé me faça me sentir uma formiga no meio de um formigueiro, cheio de predadores e outros insetos malvados, e mesmo eu vendo pessoas brigando, aproveitando, empurrando, conseguem (às vezes) me tirar de mim mesma, ao ponto de querer chorar em meio a multidão de tanto desprezo que sinto pela humanidade. e até de mim mesma, porque sei que faço parte dela. todas com seus fones de ouvidos, tão egoístas, tão individuais. e por mais que eu esteja com os meus também, observo todos, reparo em todos, ainda mais que esteja lutando contra meus olhos quase fechados de sono. não que eu seja melhor que eles, mas eu ainda sinto. sinto muito. queria poder mudar essa parte da minha rotina matinal. não queria me entristecer logo de manhã, as vezes penso que deixar meus olhos fechados seria melhor, viveria melhor. mas assim, perderia as coisas boas, que ainda existem também. então conclui que, por mais que a realidade seja como ela é, ela é assim simplesmente. tudo é ruim, tudo é bom.
prefiro viver minha vida, ter meus caminhos alternados, ter infelizmente que sentir todas partes dos corpos alheios nos trens-estupidamente-lotados de manhã, ter meus sorrisos guardados, mas que no fim do dia, são liberados, e da melhor forma. e no fim do dia, ter com quem falar no telefone ou abraçar, ter um banho prolongado de água fria, ter poucas estrelas no céu que mesmo sendo poucas, me tiram sorrisos.
e assim vai, vivendo a vida, com a melhor trilha sonora de fundo, sentindo cada batida, cada palavra ou grito. estar em meio à multidão, mas conseguir lembrar de bons momentos, de perfumes e gostos. de manias e épocas.
a vida é bela do jeito estranho que ela é. do jeito caótico e barulhento que ela é.
apenas vive.
17 fevereiro, 2008
imaginação do real que não é real
pensei que teria alguma diferença esse dia na minha vida, mas percebi que só foi mais um dentre todos caóticos. até pior, na verdade. ou talvez por eu ser tão tola ao esperar algumas-coisas-óbvias. e pra ser mais clara a realidade, fui detida por tomar minhas atitudes (pequenas), como se um ano a mais ou um ano a menos não fizesse a mínima diferença.
mas enfim, é ela, a única pessoa no mundo que ainda consegue me tirar um sentimento dentro desse coração-frio. que consegue fazer jorrar água desses olhos desérticos.
e talvez, ela seja a única mesmo que pode fazê-lo.
e como se não bastasse, entra minha idealização-imaginação.
como se o (quase perfeito) real não fosse real, e os meus mais profundos desejos fossem a realidade.
tento afagar a falta do que nunca teve, de quem nunca esteve (ou esteve por tão pouco tempo).
por isso grito ao meio de travesseiros, para ninguém descobrir ou ouvir.
'sou a causa ou sei o por quê?'
e nos pensamentos soltos, nos emails mandados, nas músicas que fazem mais sentido que o normal, nas palavras (tão) pessoais e confessadas, faço minha (quase) refeição do dia com uma caneca de nescafé gelado numa tentativa de que meus olhos vermelhos leiam as coisas certas, para que eu não sinta à toa (de novo).
e nessa luta real/não real, só peço que você me guie para a segurança.
só assim saberei que esperar/mudar/esquecer valeu, de fato, a pena.
i won't wait forever.
mas enfim, é ela, a única pessoa no mundo que ainda consegue me tirar um sentimento dentro desse coração-frio. que consegue fazer jorrar água desses olhos desérticos.
e talvez, ela seja a única mesmo que pode fazê-lo.
e como se não bastasse, entra minha idealização-imaginação.
como se o (quase perfeito) real não fosse real, e os meus mais profundos desejos fossem a realidade.
tento afagar a falta do que nunca teve, de quem nunca esteve (ou esteve por tão pouco tempo).
por isso grito ao meio de travesseiros, para ninguém descobrir ou ouvir.
'sou a causa ou sei o por quê?'
e nos pensamentos soltos, nos emails mandados, nas músicas que fazem mais sentido que o normal, nas palavras (tão) pessoais e confessadas, faço minha (quase) refeição do dia com uma caneca de nescafé gelado numa tentativa de que meus olhos vermelhos leiam as coisas certas, para que eu não sinta à toa (de novo).
e nessa luta real/não real, só peço que você me guie para a segurança.
só assim saberei que esperar/mudar/esquecer valeu, de fato, a pena.
i won't wait forever.
13 fevereiro, 2008
minha outra pessoa .
será que alguém é capaz de me desequilibrar?
o meu jeito de ver as coisas como elas são, meus pensamentos (só meus), minhas chatices-neuróticas, minhas neuroses-chatas, minhas manias-irritantes (...)
e que agora, por um instante, perco-me nos muitos momentos que tive
como se estivesse saindo dos esquadros, saindo de mim mesma.
tudo isso porque 'eu quase digo e calo, eu quase sinto e esqueço'
esse desequilíbrio tem um nome (?)
é quando o alguém do seu lado faz você ver as coisas de outro jeito, não melhor nem pior, apenas diferente. te fala coisas que te levam pro alto, mostram a claridade do que é real.
como meu alguém mesmo disse, todo dia é dia de sentir algo.
é esse sentimento-desequilibrador que me transforma em alguma pessoa que desconheço.
o meu jeito de ver as coisas como elas são, meus pensamentos (só meus), minhas chatices-neuróticas, minhas neuroses-chatas, minhas manias-irritantes (...)
e que agora, por um instante, perco-me nos muitos momentos que tive
como se estivesse saindo dos esquadros, saindo de mim mesma.
tudo isso porque 'eu quase digo e calo, eu quase sinto e esqueço'
esse desequilíbrio tem um nome (?)
é quando o alguém do seu lado faz você ver as coisas de outro jeito, não melhor nem pior, apenas diferente. te fala coisas que te levam pro alto, mostram a claridade do que é real.
como meu alguém mesmo disse, todo dia é dia de sentir algo.
é esse sentimento-desequilibrador que me transforma em alguma pessoa que desconheço.
11 fevereiro, 2008
é engraçado como o fato do meu dia ter sido surreal-além-da-conta fez-me querer criar um blog.
escutar 65 days of static durante uma hora resultou em bons-estranhos pensamentos/planos. ainda mais com minha mania de observar pessoas. é tao estranho parar e observar os movimentos ao seu redor, como tudo gira e passa rápido. e logo após sentar numa mesa numa calçada da augusta bebendo uma original e tendo conversas alucinantes, mais ou menos aquelas que se tem com um mendigo ou um frentista (hã?). torna-se tão intenso, por mais qual seja ou foi o príncipio de tudo. e por fim dançar com uma bjork-brasileira-perfomática que dizia 'onde fica esse caminho reto? onde me levará pro alto' . é esse meu caminho reto, são meus dias surreais, minha parceria, são meus brindes a qualquer coisa sem/com sentido, são meus banhos de chuva, são minhas conversas num sofá rasgado da outs, são essas coisas que acontecem e sempre deixamos de lado. mas hoje entendi tudo. hoje senti tudo .
escutar 65 days of static durante uma hora resultou em bons-estranhos pensamentos/planos. ainda mais com minha mania de observar pessoas. é tao estranho parar e observar os movimentos ao seu redor, como tudo gira e passa rápido. e logo após sentar numa mesa numa calçada da augusta bebendo uma original e tendo conversas alucinantes, mais ou menos aquelas que se tem com um mendigo ou um frentista (hã?). torna-se tão intenso, por mais qual seja ou foi o príncipio de tudo. e por fim dançar com uma bjork-brasileira-perfomática que dizia 'onde fica esse caminho reto? onde me levará pro alto' . é esse meu caminho reto, são meus dias surreais, minha parceria, são meus brindes a qualquer coisa sem/com sentido, são meus banhos de chuva, são minhas conversas num sofá rasgado da outs, são essas coisas que acontecem e sempre deixamos de lado. mas hoje entendi tudo. hoje senti tudo .
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