30 dezembro, 2013

queremos enganar a quem?

você é tão carinhosa.
eu sou. é meu jeito. quer que eu pare? (ela pára de fazer carinho nele) você não vai achar que estou apaixonada só porque faço carinho né?
não, não pára, eu gosto.

29 dezembro, 2013

caminhando para o fim

esse natal foi o primeiro que passei sem você, depois de 5 anos juntos.

24 dezembro, 2013

prefiro chamar de intimidade

criamos a rotina de nos desejar.
você chega tarde, abro a porta e ganho um beijo na boca, sentamos na sala, tentamos entrar na mesma sintonia de sorrisos e mãos que fazem carinho, o sofá nos engole, bebemos cerveja gelada ou o resto do vinho na geladeira, sinto seu cheiro de banho e cabelo lavado, gosto de ficar olhando suas mãos sujas de tinta, você fala tanto que chega a ser assustador e apaixonante. você me chama ou me leva para o quarto, diminuímos as luzes, e cada noite é uma descoberta de corpo e de vontade, uma construção de intimidade e prazer.
você começa a vestir suas roupas e eu nem posso deitar sobre seu peito nu ofegante. nem posso sentir seu abdômen durinho ou te beijar mais um pouco.
você vai embora e sempre fico olhando a movimentação das luzes de são paulo no meu teto e construindo histórias, tentando escrever sobre você, sobre suas fugas ou carências. tento entender o que você faz com meu corpo ainda molhado.
e sei que no dia seguinte talvez não nos falaremos. mas te vejo nas paredes de são paulo, no cruzamento da consolação ou na falta do meu isqueiro azul.

20 dezembro, 2013

dilema:

as pessoas deviam saber o que causam nas outras ou não?

16 dezembro, 2013

contorcionismos na cadeira

não dava pra olhar diretamente nos olhos muito menos chegar perto dele.
ela segurava suas pernas, seus braços e sua imaginação.

29 novembro, 2013

preciso de uma cama menor, talvez

a pior sensação do mundo de não estar apaixonado ou não amar ninguém é ter que sentir a cama gelada e vazia. é não ter um corpo quente ao seu lado ou te encaixando de conchinha. é não ter uma respiração no cangote ou a sintonia dos pulmões. não digo sobre sexo, digo de carinho e presença.
o mundo é solitário pra caralho.
dormir todas as noites sozinho chega a doer o corpo todo.

19 novembro, 2013

não nos atingimos

aqui em cima escuta-se caetano na vitrola vermelha, gaby amarantos, banda uó, toma-se cerveja em plena terça feira a tarde, ri da vida fodida, dança odara, enquanto são paulo para e buzina no trânsito.

17 novembro, 2013

a lua viu tudo

acordou já com frio na barriga. ele seria o primeiro a entrar naquele lugar novo. seria o primeiro a deitar na cama cheirando a fábrica e amaciante. entrou sol pela janela o dia inteiro. só de pensar na campainha tocando dava frio na barriga. e tocou. era ele com seu colete preto e sorriso lotado de malícia.
foi olhando o pacaembu que passaram mais tempo juntos com seus amuletos de coragem. foi na janela que ela tirou as calças dele e matou a vontade. foi em cima do tanque que ela de vestido sem calcinha abriu as pernas.
acompanharam as nuvens que surgiam atrás dos prédios da angélica. sentiram a textura dos telhados das casas, observaram a movimentação das luzes que se apagavam aos poucos, foi através do reflexo roxo e rosa da torre que se despiram.

15 novembro, 2013

uma quinta feira qualquer

sair de casa preparada para andar com currículos debaixo do braço. frei caneca, são luís, oscar freire, alameda lorena, tudo na sola dos pés. entrar em lojas só porque são bonitas, só pra conhecer mais um pouco de são paulo. perder o foco ao encontrar detalhes que só são paulo sabe que tem. o cara das luminárias, alguns mezaninos, cheiro de café. chegar em casa cansada e ter companhia para sentar no chão de taco, abrir uma brahma gelada, fumar vários cigarros até lotar o cinzeiro, pintar as unhas da mão de hippie chic e as dos pés de vermelho, escutar samba de portela até smiths (ah, hoje o dia tá tão smiths). a gente faz do jeito que somos levados a fazer. eu acredito que tudo dará certo, sem ser clichê. simplesmente porque elas dão certo quando fazemos dar certo.




véspera de feriado e eu gosto da companhia de smiths, cheiro de acetona no quarto e a marca do copo sobre a madeira.

06 novembro, 2013

e não vem dizer que não

todo mundo precisa de colo.

05 novembro, 2013

primavera no chão

daqui de cima escuto as rodas dos carros passando pelo asfalto molhado. daqui de cima escuto o vento conversando com as frestas de janelas. aqui em cima parece mais gelado. ou será que são os cômodos ainda vazios? ou será meu coração ainda desapaixonado?

no caminho novo de volta para casa, encontrei a primavera no chão que a chuva derrubou.


31 outubro, 2013

Se você for por favor não vá

Ninguém mais viu
Fui eu que vi
Você dormir comigo

27 outubro, 2013

coitado do amor

as pessoas usam o amor para justificar suas loucuras mais loucas.

24 outubro, 2013

crises contemporâneas

mensagens visualizadas e não respondidas.


quem dá mais?

21 outubro, 2013

experiência

tirar a palavra cansada do vocabulário!

15 outubro, 2013

verbalização de abraços

como de costume, ela colocou a saia florida-romântica, a calcinha de renda, passou rímel e seu perfume doce. fumou vários cigarros no trânsito para amenizar a ansiedade. mandou mensagem dizendo "estou na porta" e acendeu outro cigarro. ele abriu o portão e disse pra ela entrar pela lateral da casa e descer as escadas. lá embaixo ele deu um beijo frio no rosto dela. os dois estavam nervosos, meio gelados, meio sem saber o que fazer. ele mostrou o ateliê dele, a estante de sprays, a mesa que construiu sozinho, o ventilador que achou na rua e instalou sozinho. colocou umas músicas meio eletrônicas, tão a cara dele, e ela gosta, embora só escute com ele. sentaram de frente um pro outro e acenderam um beck. foram sorrisos gostosos junto com olhos baixos vergonhosos e pernas trêmulas. 

eu não consegui te abraçar porque se sentisse seu cheiro não ia resistir. você percebeu que não te abracei? 
(ele fechou o olho e respirou fundo imaginando ou lembrando o cheiro dela, enquanto falava)

sim, achei você meio frio mesmo. mas entendo.
(por dentro ela estava pulando de amor pela confissão, porque ela sentiu falta do abraço)

ai, você me desculpa? quero muito te abraçar, você sabe, mas é que ...


os corpos diziam. não era preciso verbalizar. mas ele gosta de verbalizar, como ela.
antes de subir as escadas e passar pela lateral da casa, ela pediu um abraço. afinal ninguém é de ferro.
ele sorriu e a abraçou daquele jeito gostoso, nariz no cangote, mãos na cintura e o mundo inteiro dentro deles.

14 outubro, 2013

sonhar não dá frio na barriga

a gente sonha a vida inteira, e quando está prestes a tornar realidade, sentimos um medo do caralho.


10 outubro, 2013

você gosta de adiar o prazer?

quando dois corpos quase transbordam sem ao menos ser tocados.
quando um teto baixo chega a sufocar de tanta energia trocada.
quando o sorriso não sai da boca por estar ali, na sua frente, chapada.
quando o racional consegue ser mais forte que qualquer outra coisa.
quando existe o encontro de desejos.
quando existe o desencontro de tempo.


03 outubro, 2013

único pensamento do momento

"falta tão pouco, tão pouco!"

27 setembro, 2013

calmaria autocontrolada

depois de muito omeprazol, cigarro, gritos, perda de cabelo, soro na veia, você entende que é preciso ter calma. é preciso ter calma no caminhar, nas baldeações de metrô/trem em são paulo, calma no trânsito, calma nas conversas mais sérias, calma na hora do emprego novo, das amizades novas, dos amores novos.
tenho escutado muito o quanto eu sou calma.
"queria ser calma como você!", e por dentro quero dar risada pensando que calma o caralho, eu só sou educada e tenho bom senso. porém hoje parei e olhei dentro de mim e o peito o coração a mente e o corpo estavam calmos. e eles tem estado calmos.
entendi que é possível autocontrolar a calmaria dos dias, dentro de mim.

23 setembro, 2013

nova fase

não querer as coisas fáceis
aprender a falar não sem arrependimento algum
me entregar somente quando eu realmente estiver afim fisicamente e psicologicamente
dar mais chance ao novo
sonhar menos
fazer mais
entender que as escolhas trazem sacrifícios momentâneos para um dia tudo fluir e ser melhor
respirar ares novos
construir rotinas novas, caminhos novos, paisagens novas, paredes novas
continuar perto de quem me ajudar a construir

06 setembro, 2013

vermelho amargo

o mar escondia-se depois de muito pensamento

04 setembro, 2013

flores raras


A arte de perder não é nenhum mistério; 
Tantas coisas contêm em si o acidente
De perdê-las, que perder não é nada sério. Perca um pouquinho a cada dia. 






Elizabeth Bishop

02 setembro, 2013

machistas contemporâneos

se diz contemporâneo, artista, sensível, luta contra a especulação imobiliária, contra os carros, contra o estupro e o machismo, é a favor do aborto, compartilha várias matérias-sociais, é ativista dentro do seu espaço e entendimento de vida, ama o meio ambiente, tira mil fotos das plantas na janela do quarto, faz todo um tipo de cara foda, de pessoa com a mente aberta, a favor da verbalização sentimental e da valorização da mulher só que te faz chupá-lo a noite inteira até gozar na sua boca. e não toca em você. em nada. veste a roupa e diz que precisa ir embora porque tá tarde.

machista de merda.

eu tiro toda sua máscara de cara fodão ativista de facebook quando trepo com você e vejo que é uma merda: que seu sexo e você são tudo merda.

01 setembro, 2013

o não vem depois de muito sim

ele sempre a desejou muito com os olhos.
eles sempre dão um jeito de se olhar e sorrir no meio das pessoas.
dançaram até as 5 horas da manhã. a pista era somente deles.
ele bebia resto de bebidas dos copos deixados sobre a mesa, totalmente bêbado.
ela estava completamente sóbria e cansada do dia longo que teve.

tô indo embora, quer carona? sua casa é caminho da minha.
mini saia, mãos nas coxas, pingos de catuaba na camiseta branca.
quer subir?
não, to muito cansada, só quero minha cama.
prometo que a gente só dorme.
(os olhos dele quase nem conseguiam ficar abertos)

ele a beijava tocava apertava chupava seus peitos e enlouquecido dizia que o 'não' dela era bobo e desnecessário. tentava abrir a camisa, a levantar a saia e a desligar o carro. não, hoje não, hoje não quero. e os carros insistiam em passar na avenida que já estava clareando.

ela entendeu que é preciso dizer não.
entendeu que para não sentir mais esse vazio, é preciso realmente estar com vontade, não apenas viver aquilo porque sempre é fácil. as coisas fáceis são fáceis. elas cansam justamente por serem fáceis.

take it easy, man.

(conforme foi saindo da frente do prédio dele, pelo retrovisor, o via com o copo vazio na mão e o pau duro preso na calça jeans)

30 agosto, 2013

o tempo de cada coisa

tristeza não tem fim. a felicidade sim.

29 agosto, 2013

eu não preciso de homem frouxo

gosto muito da palavra frouxo. ela tem encontro consonantal e um xis. ela é curta, mas a gente enche a boca para falar. enche mais ainda quando usamos essa palavra depois da palavra homem. e é exatamente sobre isso que quero falar:

homem frouxo.

o que mais se encontra no mundo hoje em dia, perto de mim e eu não preciso deles.


outro jeito de enxergar

as coisas lindas da vida moram no melhor do pior

19 agosto, 2013

“O primeiro problema para todos nós, homens e mulheres, não é aprender; mas sim desaprender.”

16 agosto, 2013

14 agosto, 2013

chochar meu corpo quente no mundo frio

o verbo mais feito em dias de muito frio é chochar.
chocha o chocolate no leite quente, a bolacha maizena no chá de morango ou jasmin, a torrada na sopa de legumes amarelos. chocha o corpo trêmulo nos primeiros pingos frios do chuveiro até esquentar por inteiro. chocha as pernas nos cobertores pela casa.

o cenário em casa não muda muito quando está 10 graus lá fora:
meia nos pés, moleton velho, mac no colo, caderno ao lado, caneta para anotar todos projetos, caneca de chá que esfria tão rápido, celular que não pára de apitar o whatsapp, gatos todos enroladinhos e encostadinhos em mim, trilha sonora animadinha para não perder o ânimo, descobertas de músicas como thaís gulin ou marina wisnik, olhos um pouco cansados do computador, mãos frias, papel higiênico ao lado, nariz que não pára, aquela vontade de comer o tempo todo e que resolvemos com chá para não virarmos obesos, pesquisa pesquisa pesquisa, fanzine, fotografia, peste coletiva, currículo, email lotado de convites incríveis em são paulo e a incapacidade de comparecer em todos, gmail com mais de 600 emails não lidos das minhas amigas frenéticas, facebook para marcar reuniões, agendamento da semana que vem inteira.
é preciso se ocupar para não congelar.
aqui está quente, embora os dedos frios.
aqui dentro está fervendo de vontade de fazerfazerfazer.

tô ligado em mim



jardim aquático, jardim botânico, jardim de infância, jardim de inverno
já te falei que tudo terminou
já te falei o meu amor secou
já te falei a vida é assim
já te falei eu to ligado em mim
to ligado em mim
A carne dura menos que qualquer madeira.

11 agosto, 2013

primeira luz do dia

voltar para casa enquanto o sol nasce.
enquanto o mundo dorme, eu via o sol nascendo rosa e roxo por cima de são paulo ainda quieta.
hoje decidi que gosto mais do nascer do que o posar.

05 agosto, 2013

Há uma alma na asa no ar

(quem foi que disse que a mulher não voa?)
(quem foi que disse que a mulher não voa?)

01 agosto, 2013

olhos que tocam

era só pra desenhar uma flor, mas pegou um outro papel branco do monte de papéis e começou a olhá-la e rabiscar com caneta bic. começou pela franja meio bagunçada. olhos baixos envergonhados, sorriso gostoso, blusinha de renda sem sutiã. sua sobrancelha é bonita. foi observada em traços. foi construída por linhas. eram outros olhos que olhavam agora: eram olhos atentos. surgiu uma timidez porque não estava acostumada com olho no olho, sempre foi olho e lente. estava acostumada com olhos por trás de uma lente, os quais ela acredita que eram atentos também. 
janela aberta para sair o cheiro de cigarro, aracaju e látex. bocas roxas de malbec sorriam sem parar. os pés estavam começando a ficar frios pelo vento fresco da noite paulistana. lá fora haviam estrelas, plantas suculentas e um foguete de prédio destoando o horizonte vertical. 
john lennon cantava.

31 julho, 2013

vem comigo mais um pouco, pára de fugir.



escolhemos a madrugada mais fria do ano para dormir num quarto gelado de motel em pinheiros e ser-fazer calor.

29 julho, 2013

ego(ísmo)

não toca nela, empurra, faz cara feia, me beija, empurro, mãos nos peitos, já os vi: são grandes, caras, bocas, tapa na bunda, gostosa, quero muito te comer hoje, sempre quis, corredor, parede, segura a porta, um gole de vinho por favor, cobertas, cheiro de sexo na pele, na festa, entre os corpos que dançavam, cheiro, pele, ele, eles, elas. ela chorava, a outra dizia que é apaixonada, não gosto de te ver com outras pessoas, não quero ficar longe de você, te amo pra caralho, é o vinho, é o frio, é a saudade do meu beijo, não sei, dizem que é quente mesmo, dizem que é grande mesmo, as mãos apalpam, as bocas roubam beijos, os ouvidos escutam sacanagens, não sei quem mais estou beijando, quem eu quero, quem eu desquero, a cerveja acabou, o coração disparou, o corpo suou, o corpo sentiu, tocou, foi tocado. corpo foi tocado. tocado ouvido querido mexido sentido almejado apertado engolido lambido beijado querido querido querido.


as vezes não é tesão, é só inchaço do ego.

15 julho, 2013

as vezes, ou na maioria das vezes

I loved you because it was easier than loving myself

12 julho, 2013

sou movida a sentir e a fazer sentir

She never looked nice. She looked like art, and art wasn’t supposed to look nice; it was supposed to make you feel something.

01 julho, 2013

exercício do desapego

acordar e dormir de frente para o mar. ter areia nos pés o tempo todo. ora rio ora mar. banho salgado de renovo, banho doce de limpeza e tranquilidade. o sol o tempo todo lembrando o quanto arde na pele fina. encontros de sotaques, de cores, de experiências e um único objetivo: fuga do mundo.
encontros debaixo do céu mais estrelado do brasil. troca de energia física, de sorrisos e de textura de pele. um abraço diferente de tudo que já senti.  

larga tudo e vem viver comigo, tem coragem?

eu gostaria de dizer que sim com toda coragem do mundo, mas a voz falhou.
porém aqui eu sou outra pessoa e gosto dessa pessoa que sou aqui.

27 junho, 2013

a paz vem de dentro, não do mundo

a gente foge prum lugar a quilômetros de distância esperando momentos de paz. sem a presença física de pessoas que nos faz tão mal. sem a pressão paulistana, sem o cinza que empalidece, sem o barulho que ensurdece. aí nos deparamos com os problemas dos outros que tornam tão nossos porque vivenciamos-os de pertinho. é, a vida num é fácil de nenhum lado, debaixo de chuva ou de sol nordestino. a gente sente dor em todos os lugares. temos que nos tornar rocha forte e ombro confortável para o outro deitar e sentir-se bem. no mundo não existem fugas. no mundo não existe paz. não existe paz porque somos humanos movidos a extremos e emoções fodidas. e eu só queria um pouco de paz.

e você é um equívoco

20 junho, 2013

você me afasta de você.

acho que entendi minha insistência: é o jeito que encontrei de me afastar de você.
seus defeitos, suas loucuras e seus surtos só me dão vontade de fugir.

maior roubo

você roubou-me a capacidade de me apaixonar.

10 junho, 2013

seus olhos me tocaram


hoje faz exatamente um ano.

você ama a minha pele, eu amo o seu coração.

06 junho, 2013

não sei lidar com meios termos

i wanted the whole world or nothing.

(buk)

05 junho, 2013

o instante é agora!

não quero usar o futuro para escapar do presente.

03 junho, 2013

na loucura dos amores contrariados não há espaço para a razão, apenas para mais loucura.

a maior invenção do mundo


(buk)

29 maio, 2013

perdi as estrelas

quando eu era criança, fechava os olhos e via o universo. parecia estar tudo em movimento. como se todas as estrelas fossem cadentes.


hoje fecho os olhos e só é escuro.

22 maio, 2013

reminiscências

corpo,
eu sei que a carência chega a doer
eu sei a falta que aquelas mãos ensurdecedoras faz
mas você precisa abrir-se ao mundo.
o mundo é grande demais para acreditarmos que ha somente um encaixe perfeito.

ainda ferveremos

espero que a vida, que as pessoas bonitas e quentes consigam fazer a gente ferver de novo um dia. acho que ainda precisamos dessa frieza pra poder ferver novamente um dia, porque só ferver não existe, quem só ferve um dia congela pra sempre.

15 maio, 2013

da sua varanda

enquanto você me comia por trás eu via são paulo na minha frente.
aquele vale cheio de casas, árvores e luzes piscando, se movimentando em silêncio.
quebramos o silêncio com nossos corpos se encontrando, se descobrindo, se desejando.

o som dos corpos é mais bonito que o da goteira caindo na telha ou da playlist sessentista ou das estrelas piscando.

08 maio, 2013

nos cigarros escondidos de madrugada, em silêncio, e no escuro, o barulho da nicotina queimando é alto.
Sua lágrima é minha saliva. 
Você me chora e eu te engulo.

07 maio, 2013

desculpas erradas, meu bem

o problema nunca foi o edifício.
nunca foram as lembranças construídas em cada canto do apartamento, nem cada folha que vocês plantaram juntos, nem o reflexo de vocês na janela do quarto.
não estávamos falando de respeito, nem de amigos, nem de farina, nada do que saiu da sua boca foi verdadeiro.
o problema simplesmente era eu. quem eu sou, a que te remeto, quais sentimentos te causo, quais sensações te provoco, qual sangue te bombeio.

o problema sempre foi você não saber lidar comigo.
o problema, na verdade, sempre foi você não saber lidar com você mesmo.

03 maio, 2013

a intensidade é uma doença contagiosa.


Fico pensando que ninguém se cura de nada. nunca. e que a dor são poros por onde transpiram a escrita. tudo sobra em mim, e ao mesmo tempo, não há nada em mim. nem ninguém. não sofro de nada nem ninguém.



hoje matei a saudade de Camila


23 abril, 2013

ser amado é secundário


"Nascemos todos com vontade de amar. Ser amado é secundário. Prejudica o amor que muitas vezes o antecede. Um amor não pode pertencer a duas pessoas, por muito que o queiramos. Cada um tem o amor que tem, fora dele. É esse afastamento que nos magoa, que nos põe doidos, sempre à procura do eco que não vem. Os que vêm são bem-vindos, às vezes, mas não são os que queremos. Quando somos honestos, ou estamos apaixonados, é apenas um que se pretende.
Tenho a certeza que não se pode ter o que se ama. Ser amado não corresponde jamais ao amor que temos, porque não nos pertence. Por isso escrevemos romances - porque ninguém acredita neles, excepto quem os escreve."


miguel esteves cardoso

17 abril, 2013

a falta me move

eu quero alguém que me surpreenda.
quero um novo amor que me tire da rotina de todo dia.
cansei de escutar da minha pele lisa, do meu cheiro gostoso, dos fios ruivos do meu cabelo, da minha boca macia, do meu beijo enlouquecedor, do meu sorriso bonito, do meu sexo, das minhas pernas torneadas, dos meus seios rosas, da surpresa ao descobrir as minhas curvas que se escondem com as roupas.
cansei de ouvir pertinho do ouvido que sou linda, a mais bonita de todas, e juras de amor.
disso eu já sei.
todos encontram as mesmíssimas palavras e me dizem as mesmas coisas. só variam na intensidade, no tom e na sinceridade.

quero alguém que me tire do chão.
a falta de vôos altos, longos e duplos tem me desesperado.
a realidade triste do chão não me tirou a esperança da existência de novos amores.

quero alguém que me surpreenda.
que diga o quanto sou chata, neurótica, insegura e o quanto meu nariz é grande. que conheça todos meus defeitos, minhas cicatrizes pelo corpo, todas minhas contradições, minha mania doentia de limpeza, mas que ao mesmo tempo, saiba de cor quantas sardas eu tenho pelo corpo todo. alguém que descubra outras qualidades não ditas: outros cheiros, outras curvas e músculos, outras tonalidades, outras texturas, outros gostos, outro sexo que até eu desconheço. que me ame por inteira, por tudo que sou.
quero alguém que me surpreenda a cada beijo de bom dia ou boa noite.
alguém que ame outra Marcella.


11 abril, 2013

o amor é mais bonito que a vida

A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não. 

uma outra realidade:

império da frieza.

09 abril, 2013

desculpe-me, minha linda, é que ainda não sei lidar com seu amor.

o amor é fodido

a busca louca pelo amor geralmente resulta em pernas abertas e desencontros.
em outros casos tem-se um cigarro e olhares para o teto. não mais, nem menos, mas também.


o amor, ma belle, é fodido. e nem por isso deixa de ser amor.

(jaya magalhães)

05 abril, 2013

essa é a realidade:

esse não querer, não existir, é tão real quanto um dia existiu.

01 abril, 2013

eu não preciso de você

eu não preciso de você. não preciso do seu amor correspondido. não preciso do seu sorriso nem da sua cara de raiva. não preciso da sua aprovação de quem eu quero por perto, nem dos projetos que tenho me jogado. não preciso saber dos seus discursos revolucionários sobre liberdade e mobilidade. não preciso saber das suas perdas e das suas dores. não preciso que você me leia. não preciso do seu colo, nem do seu abraço. não preciso ser sua amiga nas redes sociais nem ser respondida no whatsapp. não preciso entender de fato todos seus motivos, nem ser bem recebida pelos seus amigos falsos. não preciso de sorrisos ou abraços educados. não preciso de olhares que a todo momento esperam por uma loucura minha. não preciso ensinar como dança a dois. não preciso das suas fotos pelas minhas paredes nem dos seus clicks. não preciso do prazer que só você me dá. não preciso da nossa intimidade que nunca mais tive igual. não preciso das suas cócegas nem dos seu tapas ensurdecedores. não preciso do seu carinho. não preciso mais dos seus olhos me olhando e sorrindo. não preciso mais do seu incentivo. não preciso do seu machismo nem das suas ofensas. não preciso da sua desconfiança e palavras duras. não preciso das suas lembranças ruins. não preciso fazer parte do seu futuro. não preciso ter lugar na sua vida. não preciso ser a causa das suas frustrações. não preciso ser um problema na sua vida nem nos seus futuros relacionamentos. não preciso ser a causadora da sua raiva e das suas pernas trêmulas. não preciso ocupar todo esse espaço no seu hd, nem na sua mente nem no seu coração. não preciso fazer parte do seu cotidiano, nem dos seus aniversários, nem dos seus projetos. não preciso desse clima que criam sempre que apareço. não preciso saber de você sem querer saber. não preciso insistir em mais nada sobre nós. não preciso mais tentar ser legal a toa. não preciso forçar sorrisos e amadurecimento. não preciso me privar do que escrevo no MEU blog. não preciso mais me preocupar se exponho você e o jeito escroto que você me trata. não preciso mais da sua escrotice. não preciso mais me rastejar por paz. não preciso mais inventar maneiras de dizer te amo. não preciso mais te buscar no paraíso e te levar aonde você quer. não preciso mais mentir pras pessoas que eu estava com você. não preciso mais gastar dinheiro com motel ou escutar suas broncas conscientes-demais sobre a velocidade que conduzo meu carro. não preciso mais dos seus conselhos sobre quem sou e o que faço. não preciso escutar o quanto sou linda da sua boca. não preciso mais ver a cara de tesão quando você me olha nua. nem escutar sobre meus peitos, minha boca e minhas coxas. não preciso da sua aprovação para ser ruiva. não preciso escutar que estou gordinha e que preciso fazer academia. não preciso da confusão-maluca que é sua cabeça, nem dos seus conflitos de identidade. não preciso tentar te convencer para ser mais amoroso com sua família. não preciso lembrar seus princípios, aqueles mesmos que compartilhamos por muito tempo. não preciso lembrar que dentro de você existe um dos corações mais bonitos que já senti, mas que se perde nas mágoas e raivas reprimidas. não preciso escutar que sou a melhor na cama. nem que faço o melhor boquete. não preciso mais escrever sobre você, nem deixar de escutar músicas que amo só porque lembra a gente. não preciso mais acordar de sonhos tristes com você, muito menos sofrer por alguém que não existe mais. não preciso mais me preocupar em te querer bem e em paz. não preciso mais te defender diante dos seus amigos, da sua mãe e principalmente dos meus amigos. não preciso mais ser sua segurança. não preciso estar sempre disponível para sua carência. não preciso ser mais o motivo do seu ódio e do seu carma. não preciso deixar de ir a lugares que possivelmente você esteja também. não preciso me esconder mais, muito menos fingir. não preciso de desculpas fajutas. não preciso de comparações com a história dos seus pais. não preciso dos seus medos justificados nos meus erros e medos. não preciso de alguém covarde ao meu lado. não preciso de discursos auto-afirmativos ou morais. não preciso aparecer sem querer o tempo todo pra você através dos outros ou de coisas. não preciso ser um fantasma. não preciso sair escondida do seu quarto. não preciso gemer baixinho pra ninguém escutar que tem uma mulher no seu quarto. não preciso parar o carro na rua debaixo pra ninguém ver a gente. não preciso mais ser parte da mentira que você vive. não preciso mais ser o alvo de tudo que dá errado na sua vida. não preciso mais carregar essa culpa que você colocou em mim. não preciso mais sorrir ao lembrar de você. não preciso deixar de me entregar a pessoas incríveis que aparecem no meu caminho só por acreditar que um dia você voltará. não preciso mais me iludir com seu jeito doce de me tratar na cama, nem com algumas verdades bêbadas. não preciso mais sussurrar seu nome pra ninguém ouvir por perto. não preciso mais te convencer que mudei. não preciso ficar o tempo todo tentando te provar alguma coisa. não preciso mais chorar na sua frente, nem do seu abraço desesperado para tentar me acalmar. não preciso mais de ruazinhas escondidas por são paulo para existirmos. não preciso de casas vazias em pirituba, butantã ou paraíso pra existir com você. não preciso de histórias inventadas, nem de zica francesa pra cima de mim. não preciso de injustiça de gente que não tem moral alguma. não preciso de rotulações, nem sentir essa sensação que todos tem medo de mim. não preciso viver olhando ao redor para ver se você está por perto. não preciso do seu facebook desbloqueado para me sentir mais perto de você. não preciso dos meus amigos te adicionando porque você é um cara legal. não preciso escutar o quanto sou idiota por gostar de você. não preciso escutar que você mente pra mim até hoje. não preciso descobrir que você não se protege com outras meninas. não preciso saber que sou aquela que cortava as unhas do seu pé mas que sou intensamente pesada pra você. não preciso desconstruir amizades pelo seu egoísmo. não preciso encarar a frança diariamente nas visitas ao meu blog. não preciso viver com medo de pessoas. não preciso me submeter ao seu egoísmo só porque um dia te feri como homem. não preciso pisar no meu orgulho e nos meus sentimentos para você sentir-se bem. não preciso das suas mãos quadradinhas e do seu toque. não preciso me distrair brincando com seus cachos. não preciso me esforçar para te agradar o tempo todo. não preciso fazer comidas gostosas nem me preocupar com sua alimentação. não preciso me desesperar sempre que vejo uma notícia envolvendo ciclistas. não preciso abraçar suas causas só porque são suas. não preciso deixar você dirigir meu carro bêbado pela vila madalena. não preciso deixar de ficar com quem quero só porque você está por perto. não preciso deixar de viver por inteira por medo de me machucar de novo. não preciso ter medo. não preciso aceitar as coisas que você insiste em falar sobre mim. não preciso mais colocar minha felicidade em você. não preciso mais te colocar dentro dos meus sonhos de viagens, casa e família. não preciso mais me emocionar ao ver bebês loiros com cabelo enroladinho. não preciso mais gelar por dentro quando escuto seu nome. não preciso mais chorar no ônibus ou no metrô ao passar por lugares marcados por nós. não preciso mais ter manias que tinha com você. não preciso me apaixonar só por barbados esperando que tenham a sua barba macia. não preciso me forçar a experiências novas só pra te provar que tenho vivido o que você quer. não preciso te colocar em todas mesas de bares ou em todas confissões sexuais. não preciso ignorar esses 5 anos com você, mas também não preciso viver em função de prolongar essa história. não preciso ignorar sua existência mas também não colocá-la como uma das principais coisas da minha vida. não preciso emprestar meus livros achando que você vai ler e entender o que quero dizer. não preciso fazer um tcc sobre mim envolvendo a gente só pra você sentir-se foda. não preciso ouvir que te transformei em arte ou que você é o mr big. não preciso desacreditar nas realidades que crio e gosto só porque você finge ser racional demais, resolvido demais, verdadeiro demais. não preciso das suas verdades. não preciso tentar entrar em mundos que você construiu para tentar me esquecer. não preciso me fazer presente o tempo todo, eu sei. não preciso me fazer presente para existir em você. não preciso de uma torcida inteira para me convencer que não preciso de nada disso aqui.

26 março, 2013

22 março, 2013

boa noite de perto

agora ela deita e dorme comigo.
e consegue dormir a noite inteirinha assim.

18 março, 2013

quando viramos nó

os membros confundem-se tanto que são como raiz.
nosso dom de parar o tempo lá fora quando as pernas se encontram é a única coisa verdadeira nesse mundo. tão verdadeiro que sustenta como raiz. continua firme quando chove, venta e neva lá fora. 
a janela fica aberta para o calor do sol nos enquentar e a luz do luar invadir o quarto.
o universo parece tão pequeno para nós.
a cama parece tão grande para nós.
alguma música toca e faz melodia com o silêncio da madrugada. 
e acalma o peito.
com olhos fechados enxergamos eu, você e o mundo congelado lá fora para simplesmente existirmos juntas aqui dentro.




eu não quero acordar desse sonho. tornei minha realidade.

pra louise e ryh


só gosto de nó quando me refiro a abraços.
dêem nó com seus corpos, mas não dentro do peito ou da garganta.


15 março, 2013

Receita para um amor maldigerido

“Para dores de amor, nada melhor do que leite de magnésia (…). Na maior parte das vezes, os chamados males de amor, etcétera, são distúrbios digestivos, feijões duros que não digerem, peixe estragado, entupimento. Um bom purgante fulmina a loucura do amor.”


Vargas Llosa e Xico Sá

14 março, 2013


minha condição: leveza

queria ir até o seu escritório, te levar pro banheiro, te pegar de jeito, tirar sua roupa e dizer o quanto você é linda, assim, no ouvido só pra vc escutar pertinho e te mostrar que tudo isso é muito bom se não pensarmos muito.
eu só quero que as coisas sejam leves porque é isso que quero viver agora.

13 março, 2013

o silêncio que diz sim

E nessas idas e vindas
O amor enfraquece
Até o fim

boa noite de longe

todo mundo tem medo do apego.
ela deita comigo mas dorme no colchão ao lado.

11 março, 2013

A

tenho experimentado o a.

06 março, 2013

uma nova relação

tenho descoberto que essa relação por ouvido é muito instigante:
gosto de imaginar a forma de cada voz.



05 março, 2013

consolação: ponto de partida

era um outro quarto, outros tacos de madeira, outra cômoda bonita, outra luz quente no canto, outra janela, outra avenida lá embaixo, outra lente, outros olhos.
mas era o mesmo corpo suado, despido e registrado.
era eu.

de quente já basta eu!

nasci em fevereiro, mês de carnaval, dias em que a folia sai pelos poros em forma de suor. verão tropical, confetes e amores deixados pelos blocos em cada esquina. beijos roubados quentes em corpos quentes dentro de fantasias quentes no asfalto quente debaixo do sol quente.
sou filha dessa quentura, desse fervor todo.
nasci quente.
sou quente.

27 fevereiro, 2013

nunca

não me obrigue a fazer sentido.

26 fevereiro, 2013

é preciso voar para se esborrachar

por muito tempo voamos.
esquecemos algumas realidades impostas pela sociedade, não posso negar.
deixamos de comer arroz e feijão para sobreviver apenas de amor.
sobrevivemos durante alguns anos só de amor, você não pode negar também.
foi uma escolha nossa, do momento, sim, daquele momento que durou vários meses. não nos culpe por isso. não te culpes por isso. o mundo é duro pra caralho, mas quem disse que não podemos voar?

entre paredes azuis em algum lugar de são paulo descobrimos coisas bonitas dentro de mim e de você. descobrimos o gosto do corpo de cada um, descobrimos as fragilidades e as fortalezas que há em amar. descobrimos poesia em cada poro. e naquele momento, isso nos bastava. nosso mundo parava dentro do mundo externo e nem ligávamos para a existência desse último mundo, porque o mundo que criamos era suficiente para sermos felizes.
sim, éramos felizes, não podemos negar.
você não pode negar o quanto sorriu  ao meu lado.
eu nunca neguei. o amor, pra mim, sempre foi muito real e eu sempre fui sincera com as minhas sensações.

voamos tão tão tão alto que caimos de cara no chão.
ficamos cheios de feridas e cicatrizes que nunca se apagarão.
mas por que cortar as asas se ainda podemos voar mais?
(podemos voar mesmo estando feridos)

talvez precisamos andar as muralhas da china por meses para nos reencontrarmos e viver um reencontro bonito, sem feridas abertas, sem dúvida da beleza desse encontro. talvez precisamos construir outros mundos compartilhados, pintar paredes de outras cores, descobrir outros gostos e cheiros só para entendermos que sim, todo amor dói e todo amor se esborracha.

encontro

o verdadeiro encontro só se dá ao tirarmos os pés do chão.


quando nos transformamos em seres racionaisdemais, nos desencontramos.

22 fevereiro, 2013

o amor acaba

às vezes o amor acaba como se fora melhor nunca ter existido; mas pode acabar com doçura e esperança; uma palavra, muda ou articulada, e acaba o amor; na verdade; o álcool; de manhã, de tarde, de noite; na floração excessiva da primavera; no abuso do verão; na dissonância do outono; no conforto do inverno; em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba.


paulo mendes da rocha, minha última descoberta e meu pensamento do momento.

19 fevereiro, 2013

É natural que seja assim você ai
E eu aqui exatamente aqui

18 fevereiro, 2013

meu presente de aniversário

e é assim, sozinha, é sozinha que precisamos descobrir o que realmente precisamos e queremos viver. é trocando as marchas do carro e sentindo a fumaça do cigarro dentro do pulmão que as coisas começam a fazer sentido. é sair do motel ou daquele edifício no paraíso escondida que as vozes de todos os amigos veem a tona: sim, é uma grande merda. é merda atras de merda. é desejo atras de sexo fodido que a dor vem, a culpa vem, a raiva vem, mas a dor passa.
é nas marcas deixadas por ele no meu corpo, nas picadas que as formigas do seu quarto me deixaram, e coçam e me fazem lembrar que ontem, daquele jeito nosso, daquele jeito meio bêbados, você dirigiu meu carro e eu insisti pra tudo isso acontecer. tenho insistido. talvez você esteja certo, a palavra é insistir, e não "acreditar" como muito tempo acreditei. não existe mais. não somos mais. não sentimos mais. insistimos numa única coisa que não basta. tesão não basta. migalhas não bastam. melhor trepada não basta. irracionalidade não basta. carinho não basta. pernas abertas e corpos entregues não bastam.

não basta.
eu sozinha sei.


eu sozinha (me) basto.

13 fevereiro, 2013

qual é o meu máximo?
qual é o teu máximo?
qual é o nosso máximo?

08 fevereiro, 2013

o dia que eu descobri o amor físico, eu me confundi.

nelson rodrigues

03 fevereiro, 2013

all is full of love

te chamei pra dançar e no doispracádoispralá só restou beleza.
em passos meio bêbados, corpos suados e cangote, você dançou comigo. 
e nada mais importava se não nossos corpos.

02 fevereiro, 2013

as vezes é preciso fazer algo imperdoável para poder continuar vivendo.

01 fevereiro, 2013

(re)

você não consegue me olhar e redescobrir quem sou.
diz que não quer futuro, mas só enxerga passado.

31 janeiro, 2013

doentio é não saber falar a verdade

o mais patético do ser humano é quando ele usa os medos do outro para cobrir os seus.

vanilla sky

seus olhos pedem desculpa melhor.

29 janeiro, 2013

todo amor é eterno, e se acaba, não era amor.

o mais bonito do amor é inventar todos os dias uma nova forma de amar.

pelo retrovisor do meu carro, de camarote, assisti o reencontro de duas almas que não se viam ha dois anos e que ainda se amam. abraços longos, carinho excessivo, conversa meio boba (mas até na bobeira existe sintonia), reconhecimento do corpo, das mãos, do rosto, do cheiro, das tatuagens novas, do corte de cabelo, do encaixe de cada corpo: ela abraça por baixo, ele por cima. cigarros acesos foram rapidamente consumidos pelo nervosismo que também denunciavam as pernas meio trêmulas. a cada abraço os corações se tocavam no mesmo ritmo acelerado. corações que sentiram saudade dessa disritimia.
como uma película, meu retrovisor enquadrou dois corpos que queriam parar o tempo nesse momento em plena madrugada geladinha paulistana, enquanto um caminhão iluminava o amor com seus faróis.
as vezes desejamos ser ficção só para apertar o "pause" nas nossas partes preferidas.

para o amor não existe tempo. existe eternidade.

22 janeiro, 2013

o ato de pedalar

as pernas doem, mas o corpo todo, a mente e a alma, libertaram-se.

18 janeiro, 2013

urgências verbalizadas

eu não sei lidar com essa necessidade em verbalizar minhas crises emocionais.
são urgências, e acreditem, até elas sairem da minha boca ou dos meus dedos, é porque elas ficaram muito tempo sendo processadas dentro da mente e do coração.
vocês, mundo, não precisam entender. entendê-las como existência ou entendê-las como discurso emotivo-tpm-desnecessário. só não me chamem de louca.
esse é meu jeito de lidar com o mundo e comigo mesma.

só peço uma coisa: dê uma chance a essas urgências. um dia, todas farão muito sentido!

17 janeiro, 2013

abraçaço

“Abraçaço é uma palavra muito bonita e tem essa reverberação, parece um eco, mais ainda quando escrito, esse a-ce-cedilha duas vezes. É como se fossem círculos concêntricos de abraços, que vão se expandindo. Não é apenas grande ou maravilhoso como é um golaço, por exemplo. É expansivo”.


Caetano Veloso

10 janeiro, 2013

chego em casa, ligo a tv e o Otto me diz

Hoje eu só queria um dia claro como o que passou
Momentos felizes,
Momentos de amor.

09 janeiro, 2013

amaruinar

Alguns amores levam à ruína.
Eu soube disso desde a primeira vez em que Lavínia entrou na minha casa.

a irracionalidade é crua

como animal, gosto do sangue que seu coração bombeia, 
do gosto da sua carne crua,
gosto da aspereza da sua pele, 
do ofensivo das suas palavras cruas.

e como humano, gosto da falta de disfarce:
gosto das verdades cruas.

o ato de contagiar-se

passa uns dias, vira o ano, e a gente percebe que era só magia natalina.

02 janeiro, 2013

e x i s t i r

no último dia do ano, cheio de preguiça e intimidade, deitada na cama com os olhos grandes e verdes pertinho, entendi que não posso me responsabilizar pela mudança das pessoas, principalmente do mundo. as coisas acontecem naturalmente de acordo com seu tempo cíclico.
não preciso me fazer presente o tempo todo. 
os olhos verdes sinceros disseram que minha existência basta. eu tenho poder de marcar as pessoas. essa marca é natural. e assim, a mudança é natural.

existir é marcar e ser marcado.