23 junho, 2008

espasmo


'Quem diria que viver ia dar nisso?'
Essa é minha vida. Sei que não sou descartável.
Vivo tantas coisas internas, tantos sonhos e ilusões, tantas viagens e jornais nas paredes, tantos amores e significados, muita música e muita poesia. Mas será que ninguém consegue ver meus traumas, minhas quedas, meu desequilíbrio, meus (tantos) medos?
Às vezes me sinto tão segura e certa da maneira como penso e ajo, mas às vezes me sinto tão doente e patética.
Ter você é tão bom, quero tanto que chega a doer-me. Sei que isso tornou-se visível nos meus olhos, nos meus beijos apaixonados. Não existe um minuto que não esteja em meus pensamentos. Mas por que a convivência torna as coisas tão mais complicadas que o normal? Por que as pessoas insistem tanto sendo um obstáculo?
Sei que não estou louca, não estou fazendo mal nenhum às suas amizades, elas que não conseguem me ver ao seu lado. Me pergunto até que ponto sou insuportável, e me pergunto mais ainda como outros conseguem me amar tanto.
Não existe um padrão de normalidade no mundo. As pessoas e as coisas são todas relativas, só depende do ponto de vista. É isso que me conforta. Pelo menos de algum ângulo sou boa o bastante para alguém, sou amável e quem sabe até interessante.
'Joguei sobre você tantos medos, tanta coisa travada, tanto medo de rejeição, tanta dor. Difícil explicar. Muitas coisas duras por dentro.'
As coisas por natureza já são duras demais, e eu talvez consiga endurecê-las mais.
Cansei de mim, cansei do meu egoísmo de tentar ser feliz verdadeiramente, cansei do egoísmo de querer você só para mim. Cansei de pensar tanto e no fim não pensar em nada. Cansei do vazio.
Contudo, sei que depois de todas quedas e naufrágios o que fica em mim é cada vez mais sincero e essencial.

14 junho, 2008

amor de merda

eu gosto do seu cheiro. gosto de sentir seu sabor.
gosto do seu suor que penetra em minha pele.
viciei-me em teu suor.
gosto de te tocar, gosto de sentir você, preciso te sentir.
gosto de beijar-te mesmo quando acabamos de acordar.
gosto de escutar sua respiração, suas batidas aceleradas.
gosto do jeito mais inocente e mais profano.
sinto do jeito mais sincero e real.

faça-me sentir mulher, dê-me motivos para querer mais, para gritar mais.
me satisfaça, me enlouqueça, sou sua.
me ame, me beije, me toque, me faça sentir única.
dê um beijo no meu rosto mostrando que me ama da maneira mais sincera e verdadeira.
segure-me por uns segundos para sentir seu corpo em mim.
me cheire, sinta meu gosto, que sabor tenho?
prova que ama de corpo e alma.
me vire de todos os lados, sussurre no meu ouvido, me faça rir.

sabe-se que amar é quando o nojento perde sentido e a intimidade cheirosa torna-se tão comum e natural. quando conhece o mais profundo, quando sente os verdadeiros gostos.
amar é tornar-se um aninal que cheira um ao outro. sem máculas, sem disfarces, somente a realidade mais bela e sedutora.
amar é conhecer o outro corpo assim como você conhece o seu.

me ame.

09 junho, 2008

falsa heroína

como toda criança tem seu herói, eu tinha minha heroína.
uma guerreira fortíssima, linda com seus cabelos louros que sabia me salvar das tantas confusões infantis.
era topo. almejava ser como ela.
e é triste dizer que hoje as coisas mudaram tanto ao ponto de não sentir-me orgulhosa ao olhar pra ela e dizer 'minha heroína'. eu olho e faltam-me palavras.
queria ao menos entender o que a vida fez, como fez meu coração transformar-se em quase uma pedra de gelo em relação a ela.
se faz de tão forte visivelmente, mas eu escuto seus gemidos e gritos durante a madrugada. vejo seus olhos inxados pela manhã. debilitada, odeio sentir esse cheiro que não pertencia ao corpo dela. odeio saber a verdade.
eu cresci. hoje enxergo as coisas que estavam ofuscadas.
hoje brigo, hoje falo alto, hoje respeito e ainda amo porém almejo ser uma pessoa totalmente diferente da minha heroína.
hoje quero sair de casa o mais rápido possível para não enxergar a verdade todo dia.
para não ter que fazer parte de algo tão falso.
para viver do jeito que acho que as coisas são, vivenciando essas coisas de longe, de outro ângulo.
me faria (tão) melhor.
eu estaria melhor.

02 junho, 2008

todos os ritmos

era uma multidão.
no meio de tantos passos e rodas, frio e toucas, ladeira e grama, maracatu e triângulo.
como se todos ângulos e perpendiculares juntassem em uma reta só, uma direção só.
vi tudo: os abraços, a vibração, os gritos, os amigos, a grade.
não podia, nem ao menos queria.
aquela chuva escondeu as lágrimas, as batidas esconderam o disparar do coração, a caixa de som escondeu todos meus altos pensamentos que me pertubavam.
senti-me tão suja quanto àquele barro que fazia-me deslizar. e nem toda aquela tempestade pôde limpar-me de toda sujeira.
e entre pingos, medo, cansaço eu senti aquela mão. aquela que não me soltava, se soltava, era para abraçar-me mais forte apaziguando a situação.
e no silêncio dos passos escutava-se cada pulsar, cada batida que meu coração batia para um alguém.
somente para um alguém.
assim como as lianas são parasitas de parede e cobrem repentinamente a mesma, meu sentimento cresce a cada olhar e a cada abraço que me renova, porque sim, você renova (-me).
deixa-se levar na mesma sintonia, no mesmo ritmo, essa nossa música que vai do maracatu à rpda de jazz, da malemolência brasileira ao rock 'n roll descabelado. você é todos os ritmos que faz-me querer dançar e amar.
e amar.