29 maio, 2008

meu segredo (não mais segredo)

por uma mera (ou não) coincidência, deparei-me mais que duas ou três vezes com uma mesma palavra nessa manhã. uma das minhas preferidas, que significa quase tudo pra mim. é aquela que quando um dos meus amigos escuta, chega noutro dia e diz 'ei, lembrei de você ontem'. e gosto de saber que sou lembrada quando tal palavra é proferida.
é essa que está no meu profile, na minha descrição, que está no livro, na revista, no jornal. mas também está na mente, no cotidiano, na alma, em mim.

já fui obrigada a ouvir que é uma perda de tempo procurar a essência das coisas. que as coisas são como são, nada mais. até alberto caeiro o diz. já que é anti metafísico e anti filosófico.
não posso discordar que as coisas são como elas são, visivelmente sim. porém, assim como todos sabem, tal heterônimo é materialista, o mundo exterior é mais válido e verdadeiro que o interior. 'Creio mais no meu corpo do que na minha alma' , sim, palavras do próprio.
aí entra minha discordância. meu corpo é reflexo da minha alma. sou o que sou por fora consequentemente daquilo que sinto e penso.
não danço simplesmente porque é bonito, mas porque sinto-me viva ao movimentar-me inteiramente e intensamente. danço porque é arte, é passar sentimentos e expressões internas.
invento formas e misturo cores não por ser legal, mas porque isso faz parte de mim, colocar num papel (ou em qualquer outro lugar) a minh'alma, meu eu.

acredito no poder de todo e qualquer movimento artístico. e nesse mundo ilusório, que talvez as pessoas não entendem e julgam tanto, é que vive-se melhor. na verdade, melhor não seria a palavra exata, entretanto é nele onde há intensidade, há paixão, há entrega, há atitude, há cor, há vida vida vida, muita vida !

sou viva, tenho alma, tenho essência. e é nisso que está o segredo de viver.
( porém meu segredo não é mais segredo )

21 maio, 2008

os lados

não se tem apenas um lado, nem uma só verdade, nem um só alguém.
parece que tudo se duplica/se complica.
são tantas certezas e vontades que passam a ser alguma-coisa-que-dê-dor-de-cabeça e muitos outros sentimentos um tanto inconstantes como incontroláveis.
são opostos mas são iguais. um completa o outro.
é necessidade, é rotina, é amor, mas é também estabilidade, é arte, é distância.
é norah jones mas tbm é chico.
é sentir borboletas e é sentir calafrios.
é tudo quando não é nada.
é intenso-tão-intenso, é viciante; mas há vazio também.
não preciso só de palavras, preciso de provas, de atos, de toques, de calor.
preciso de sinceridade, de palavras sussurradas, de auto-controle.
preciso tanto que estraguei da pior maneira.
do erro, tem-se o erro.
e da confiança perdida, é dificil o recuperar.
tempo? talvez ele diga alguma coisa.
só não quero perder, não quero.
quero aprender todas formas e cores, quero SER todas cores e formas. me trace, me pincela, me perco em seus traços. te inspiro.
quero aprender a ser guerreira, quero uma cerveja numa 2ª feira ensolarada, quero gostar de lianas. me ensine todos os ritmos e batidas, me apóie, me abraça do jeito que ninguém mais sabe.

eu não posso. simplesmente não posso.
e nesse paradoxo dói tanto que falta-me o ar.
não podia. acontece, fala, dói (...) e dói. e o resto não sei mais.

19 maio, 2008

descanse em paz, vovô.

nunca tinha sentido a perda de alguém próximo assim. é estranho pensar que ele só foi o primeiro.
numa barreira-de-traumas, me contive durante todo o dia. talvez para bancar uma aparência, ou talvez por não conseguir simplesmente me expor a tantas pessoas.
dói tanto ver todos desfigurados, a cada abraço duradouro ter que confortar com algumas palavras repetidas que secavam minha boca.
e em meio aquele cheiro de plantas, morte e tristeza, cantou-se um cântico a Deus. leve-o em paz, meu Deus.
descanse em paz, vovô.
numa distância entre eu e aquele corpo ali, totalmente indefeso e (des)cansado, era visível que estava num mundo diferente desse. sentia paz, havia um sorriso escondido naquele rosto.
e num sentimento confuso, consegui lembrar de bons momentos ao lado dele, por mais que na minha vida inteira fora muito ausente, ou nas horas presente, destratava a todos, principalmente a quem eu mais amava. é, pagou o preço do seu vício. um dia isso aconteceria de alguma maneira. aconteceu e eu sabia.
'Deus sabe o que faz', acredito nisso.

senti-me um pouco fria, mas não me senti mal ao sentir isso.
é justificável o porquê dela. eu sei. eu sei.
e numa fé que não tinha há tempos, ao ver aquela guerreira ali de pé ao lado do corpo, percebi que bem-aventurado aquele que crê.
eu creio.
amém

07 maio, 2008

i want to break free

é estranho mas é verdade, eu preciso me libertar.
de muitas formas isso está me fazendo mal. é tão dolorido que torna-se incontrolável.
na minha ideologia ilusória, pensei que iria ser tão normal como sempre foi.

'i can't get used to living without you by my side'
soa tão estranho e declarador.
é tão desesperador como as palavras proferidas alguns dias atrás por mim, e como resposta tive apenas o silêncio. é, aquele mesmo que me ensurdece (e odeio).

é ligar numa quarta feira qualquer e ter um ombro onde encostar no caminho do ônibus, é ter companhia para rir de coisas alheias e fúteis, é meu cotidiano, minha rotina.
tá cravado, tá selecionado, faz parte de mim, me conhece por inteira e eu simplesmente amo.
da forma mais pura, de um sentimento que brotou tão rápido e transformou-se numa necessidade diária.
sei que existe maturidade suficiente nesse elo, não há o porquê de tanta dor sentida nas últimas conversas-silenciosas.
'enjoy the silence', eu odeio o silêncio. odeio.
assim como odeio todas indiretas maldosas e os sorrisos no canteiro da boca.
e toda essa frieza que não sei como surgiu em alguém tão tão bom.
e toda essa repulsa que sinto quando (não) está perto de mim.
ei, sou eu. lembra ?

.

mais sincero que isso?
somente vendo meus olhos vermelhos.

03 maio, 2008

my blueberry nights

é como na tela de cinema
preciso de um molho de chaves simbolizando meu esquecimento, àquele que posso jogar num pote junto a tantas outras histórias que são apenas histórias esquecidas contadas por um dono de bar.
e numa rotina nova, com cigarros feitos a mão, muito frio, tortas de amora e bocas sujas, um sentimento é brotado.
não é apenas mais uma clichê história hollywoodiana, e sim, algo real. tão real que me vi nela.
só é preciso comprar uma torta de amora e comê-la todas as noites que encontro àquele que me faz sentir tão bem ao lado.
que me faça sentir viva como uma dançarina.
onde os dias que se passam ao seu lado, tornam-se tão curtos e rápidos por ser tão bons.
é triste a saudade que existe, mas é boa quando matada.
é quase tão necessário quanto a rotina de trabalho, estudos e família.
é tão necessário quanto um sorriso, já que é o causador de milhões de sorrisos diários (seja lá qual for a forma de tirá-los da minha boca).
até chico buarque soube dizer, junto com a mais simples sintonia. e jorge ben jor soube presenciar e tocar junto à realidade, se é que alguém me entende.
mas logo digo, as pessoas não sabem. não sabem de nada.
não há fotos que registrem os sorrisos e a rotina necessária, e são poucos os dias vividos, mas são tão válidos quanto uma vida inteira.

é assim intenso e real.
onde um sofá diz tanta coisa, onde uma rua tão suja de são paulo signifique tantas coisas.
onde as noites tornam-se tão coloridas, my blueberry nights.