a pior sensação do mundo de não estar apaixonado ou não amar ninguém é ter que sentir a cama gelada e vazia. é não ter um corpo quente ao seu lado ou te encaixando de conchinha. é não ter uma respiração no cangote ou a sintonia dos pulmões. não digo sobre sexo, digo de carinho e presença.
o mundo é solitário pra caralho.
dormir todas as noites sozinho chega a doer o corpo todo.
29 novembro, 2013
19 novembro, 2013
não nos atingimos
aqui em cima escuta-se caetano na vitrola vermelha, gaby amarantos, banda uó, toma-se cerveja em plena terça feira a tarde, ri da vida fodida, dança odara, enquanto são paulo para e buzina no trânsito.
17 novembro, 2013
a lua viu tudo
acordou já com frio na barriga. ele seria o primeiro a entrar naquele lugar novo. seria o primeiro a deitar na cama cheirando a fábrica e amaciante. entrou sol pela janela o dia inteiro. só de pensar na campainha tocando dava frio na barriga. e tocou. era ele com seu colete preto e sorriso lotado de malícia.
foi olhando o pacaembu que passaram mais tempo juntos com seus amuletos de coragem. foi na janela que ela tirou as calças dele e matou a vontade. foi em cima do tanque que ela de vestido sem calcinha abriu as pernas.
acompanharam as nuvens que surgiam atrás dos prédios da angélica. sentiram a textura dos telhados das casas, observaram a movimentação das luzes que se apagavam aos poucos, foi através do reflexo roxo e rosa da torre que se despiram.
15 novembro, 2013
uma quinta feira qualquer
sair de casa preparada para andar com currículos debaixo do braço. frei caneca, são luís, oscar freire, alameda lorena, tudo na sola dos pés. entrar em lojas só porque são bonitas, só pra conhecer mais um pouco de são paulo. perder o foco ao encontrar detalhes que só são paulo sabe que tem. o cara das luminárias, alguns mezaninos, cheiro de café. chegar em casa cansada e ter companhia para sentar no chão de taco, abrir uma brahma gelada, fumar vários cigarros até lotar o cinzeiro, pintar as unhas da mão de hippie chic e as dos pés de vermelho, escutar samba de portela até smiths (ah, hoje o dia tá tão smiths). a gente faz do jeito que somos levados a fazer. eu acredito que tudo dará certo, sem ser clichê. simplesmente porque elas dão certo quando fazemos dar certo.
véspera de feriado e eu gosto da companhia de smiths, cheiro de acetona no quarto e a marca do copo sobre a madeira.
06 novembro, 2013
05 novembro, 2013
primavera no chão
daqui de cima escuto as rodas dos carros passando pelo asfalto molhado. daqui de cima escuto o vento conversando com as frestas de janelas. aqui em cima parece mais gelado. ou será que são os cômodos ainda vazios? ou será meu coração ainda desapaixonado?
no caminho novo de volta para casa, encontrei a primavera no chão que a chuva derrubou.
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