06 março, 2014

o início do fim

tenho pensado muito sobre meu esgotamento por são paulo.
é aquele papo clichê sobre a relação intensa de amor-e-ódio, porém não só isso.
acredito que cada lugar tem seu tempo de descobrimento.
são paulo se esgotou principalmente por estar marcado. zona norte, zona oeste, zona sul e até um pouquinho da zona leste. quantas esquinas e bares, trajetos de ônibus, calçadas, estações de metrô, ruas, bairros, tudo tem história. não tem mais graça. já fiz, refiz e criei novas histórias numa mesma avenida ou quarteirão. já chorei, já ri, já amei, já odiei, já gritei, já abracei a mesma pessoa ou até pessoas diferentes no mesmo metro quadrado em tempos diferentes ou na mesma noite.
todo dia constróem arranha-céus gigantes e espelhados, todo dia inauguram bares, pizzarias ou galerias de arte, mas eu não tenho criado mais história. cansei de são paulo. embora ainda me encante todo dia ao pular poças pelas calçadas ou descobrir detalhes novos e escondidos. me encanta porque estou inteiramente disposta e entregue a são paulo, ainda acreditando no amor que existe aqui.

talvez o problema não seja são paulo.
são paulo será sempre são paulo, no seu cinza por excelência, na sua movimentação caótica e linda, na sua programação cultural, na sua falta de lugares para a água escorrer, na sua ânsia de ser mais megalópole, mais acesa, mais capitalista, mais instantânea, mais competitiva, mais sufocante.

estou num processo de desconstrução e desapego.
são paulo será sempre minha terra e minha origem, portanto decidi que quero ares mais limpos, vistas mais azuis, quero novas esquinas e novos bares para construir novos amores.
o mundo é muito grande pra nascermos e morrermos no mesmo lugar.

05 março, 2014

a primeira coisa que você disse quando acordamos foi que eu faço carinho até dormindo.