“Para dores de amor, nada melhor do que leite de magnésia (…). Na maior parte das vezes, os chamados males de amor, etcétera, são distúrbios digestivos, feijões duros que não digerem, peixe estragado, entupimento. Um bom purgante fulmina a loucura do amor.”
queria ir até o seu escritório, te levar pro banheiro, te pegar de jeito, tirar sua roupa e dizer o quanto você é linda, assim, no ouvido só pra vc escutar pertinho e te mostrar que tudo isso é muito bom se não pensarmos muito.
eu só quero que as coisas sejam leves porque é isso que quero viver agora.
era um outro quarto, outros tacos de madeira, outra cômoda bonita, outra luz quente no canto, outra janela, outra avenida lá embaixo, outra lente, outros olhos.
mas era o mesmo corpo suado, despido e registrado.
era eu.
nasci em fevereiro, mês de carnaval, dias em que a folia sai pelos poros em forma de suor. verão tropical, confetes e amores deixados pelos blocos em cada esquina. beijos roubados quentes em corpos quentes dentro de fantasias quentes no asfalto quente debaixo do sol quente.
sou filha dessa quentura, desse fervor todo.
nasci quente.
sou quente.