nessa solidão crônica, nesses dias amargamente vazios, encontro até minhas pessoas preferidas no mundo e ainda continuo vazia. tomo cerveja e acabo com maços de cigarros, mas meu peito ainda quase rasga de tanto desprazer e solidão.
a sensação de vazio está dentro de mim. carrego a solidão nos lugares mais cheios de são paulo. virou de praxe voltar pra casa com a vontade mais forte de chorar, e choro quando encaro essa cama e esse quarto tão vazios. quando se está sozinho pelo mundo, parece que tudo é maior. o vazio é tão imenso que ele aumenta o tamanho de tudo para eu me sentir menor.
a vida não faz sentido quando você não ama, e principalmente quando você não é amado.
10 maio, 2014
06 março, 2014
o início do fim
tenho pensado muito sobre meu esgotamento por são paulo.
é aquele papo clichê sobre a relação intensa de amor-e-ódio, porém não só isso.
acredito que cada lugar tem seu tempo de descobrimento.
são paulo se esgotou principalmente por estar marcado. zona norte, zona oeste, zona sul e até um pouquinho da zona leste. quantas esquinas e bares, trajetos de ônibus, calçadas, estações de metrô, ruas, bairros, tudo tem história. não tem mais graça. já fiz, refiz e criei novas histórias numa mesma avenida ou quarteirão. já chorei, já ri, já amei, já odiei, já gritei, já abracei a mesma pessoa ou até pessoas diferentes no mesmo metro quadrado em tempos diferentes ou na mesma noite.
todo dia constróem arranha-céus gigantes e espelhados, todo dia inauguram bares, pizzarias ou galerias de arte, mas eu não tenho criado mais história. cansei de são paulo. embora ainda me encante todo dia ao pular poças pelas calçadas ou descobrir detalhes novos e escondidos. me encanta porque estou inteiramente disposta e entregue a são paulo, ainda acreditando no amor que existe aqui.
talvez o problema não seja são paulo.
são paulo será sempre são paulo, no seu cinza por excelência, na sua movimentação caótica e linda, na sua programação cultural, na sua falta de lugares para a água escorrer, na sua ânsia de ser mais megalópole, mais acesa, mais capitalista, mais instantânea, mais competitiva, mais sufocante.
estou num processo de desconstrução e desapego.
são paulo será sempre minha terra e minha origem, portanto decidi que quero ares mais limpos, vistas mais azuis, quero novas esquinas e novos bares para construir novos amores.
o mundo é muito grande pra nascermos e morrermos no mesmo lugar.
05 março, 2014
17 fevereiro, 2014
em construção
queria conseguir juntar toda dor que já senti por você e transformá-la em coragem pra mudar totalmente de vida.
uma nova dor
quando os sonhos sonhados por duas pessoas apaixonadas são vividos por uma dessas pessoas com outra pessoa.
14 fevereiro, 2014
quem sabe um dia.
se você conseguiu se apaixonar assim, quer dizer que eu também me apaixonarei um dia também, não é?
03 fevereiro, 2014
por que tanto medo?
O Agente - Eu só quero te pedir uma coisa
A Voz - O quê? O Agente - Eu queria pedir que procurasse se lembrar de mim ao menos uma vez por dia durante o tempo que você passar fora do hotel. A Voz - Mas é claro que isso vai acontecer. O Agente - Eu tenho uma sensação muito estranha… quase um medo. A Voz - De quê? O Agente - De que eu só exista para as pessoas quando estou ao lado delas.
Mutarelli
A Voz - O quê? O Agente - Eu queria pedir que procurasse se lembrar de mim ao menos uma vez por dia durante o tempo que você passar fora do hotel. A Voz - Mas é claro que isso vai acontecer. O Agente - Eu tenho uma sensação muito estranha… quase um medo. A Voz - De quê? O Agente - De que eu só exista para as pessoas quando estou ao lado delas.
Mutarelli
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