era uma multidão.
no meio de tantos passos e rodas, frio e toucas, ladeira e grama, maracatu e triângulo.
como se todos ângulos e perpendiculares juntassem em uma reta só, uma direção só.
vi tudo: os abraços, a vibração, os gritos, os amigos, a grade.
não podia, nem ao menos queria.
aquela chuva escondeu as lágrimas, as batidas esconderam o disparar do coração, a caixa de som escondeu todos meus altos pensamentos que me pertubavam.
senti-me tão suja quanto àquele barro que fazia-me deslizar. e nem toda aquela tempestade pôde limpar-me de toda sujeira.
e entre pingos, medo, cansaço eu senti aquela mão. aquela que não me soltava, se soltava, era para abraçar-me mais forte apaziguando a situação.
e no silêncio dos passos escutava-se cada pulsar, cada batida que meu coração batia para um alguém.
somente para um alguém.
assim como as lianas são parasitas de parede e cobrem repentinamente a mesma, meu sentimento cresce a cada olhar e a cada abraço que me renova, porque sim, você renova (-me).
deixa-se levar na mesma sintonia, no mesmo ritmo, essa nossa música que vai do maracatu à rpda de jazz, da malemolência brasileira ao rock 'n roll descabelado. você é todos os ritmos que faz-me querer dançar e amar.
e amar.