eu precisava de mim, de ficar sentada por horas sentindo aquela brisa e escutando o barulho das ondas. precisava desligar-me de um mundo tão cansativo. precisava fazer minhas leituras, ver alguns filmes interessantes, precisava ligar o rádio e escutar qualquer música dançante.
precisava sentir saudade e escutar algumas poucas vozes.
senti tudo. senti o Sol de inverno penetrando em minha pele, senti o suor escorrendo pelo meu corpo. senti a tranquilidade fora da cidade. degustei os mais deliciosos sorvetes, os doces mais doces. senti saudade de épocas. senti meus pés descalços na areia deixando marcas para trás.
eu precisava de uns dias-familiares, de algumas conversas sinceras demais com palavrões e piadas internas. precisava dizer o meu lado, a minha dor. e precisava escutar o lado de vocês.
aquelas 2 ou mais horas de gritos e calmaria foram tão necessárias quanto todos esses sentimentos e sensações juntos. ter o conhecimento de regras misteriosas e um pouco implícitas, de dores passadas, de um futuro premeditado, de um presente tão confuso e sem soluções.
falei de tantas dores com aquela voz guardando tanto choro dentro de mim, portanto ao falar, senti aquele alívio como a brisa do mar que faz o cabelo voar.
e lendo Luiz Fernando Emediato, as Trevas no Paraíso souberam me dizer que na luta dos gigantes há um grande herói que torna-se com o tempo o velho-herói, que morre feliz e satisfeito mesmo fracassando na imaginação de seu novo mundo, o mesmo em que viveriam até as figuras que um dia fizeram-no ter medo. minha grande(-falsa) heroína também morrerá um dia bem feliz e satisfeita com tudo que já fizera na vida. eu tão-somente sei. porém essas suas figuras medonhas somos nós, sou eu, as estranhas. as que criaram uma barreira tão imensa contra todas palavras proferidas em momentos de espasmos. talvez a vida e o tempo tenham nos ensinado que por cima de feridas e cicatrizes que jamais se curavam, cria-se uma barreira sobre tudo isso, deixando algo duro como uma pedra e frio como o gelo.
envergonho-me de dizer que sou essa coisa-bizarra-sem-coração-e-sem-nome, porém foi uma forma de auto-defesa. entende?
e mesmo sendo o Sol de inverno que aqueceu-me durantes esses dias, ele conseguiu me esquentar tão bem, derreter algumas partes internas congeladas, clareou alguns becos escuros e fez-me espairecer de muitas boas formas.