18 agosto, 2009

sentir são paulo

são paulo me cerca mas eu tô com saudade de sentir são paulo úmida em mim. saudade das luzes e do vento gelado, das cores gris, dos grafittis nos muros e das bitucas de cigarros pelo asfalto. hoje senti vontade de sair debaixo da chuva, andar entre os guarda-chuvas abertos e sentir meus pés molhados. hoje quis transbordar marcella, transbordar amor amor são paulo em mim. me senti bem naquela mesa de bar pós-aula, com estômago pedindo comida desde as 6am, senti que encontraria meus eixos durante o dia, durante as palavras trocadas de experiência e amor. mas eu me deparo nessa cadeira, nesse computador tediante com estômago doendo, um pacote de suspiro aberto ao lado, um livro de arte contemporânea pra resenhar, o telefone estático esperando alguém ligar e me dizer boas coisas. chove muito lá fora, a energia acabou por alguns segundos, deitei na minha cama aconchegante esperando que quando eu abrisse os olhos, a dor tivesse ido embora, ela foi, mas já voltou. e volta, todos os dias. eu não quero mais lidar com dores físicas, elas me destróem. não mais que a saudade, não mais que o amor que corta as veias, que me cansa e consome. eu só preciso sair de casa agora, respirar são paulo, chão molhado, poluição diminuída, preciso escutar as buzinas infernais e ir a um lugar bonito beber de graça e acabar de vez com esse estômago doente.