07 outubro, 2009

afogamento

era um dia quente.
transpiração, respiração, mais transpiração, ansiedade, agonia, cansaço. o calor intensifica as sensações. sabia que ia chover, mas os pés estavam descobertos e o guarda-chuva não estava na bolsa. livre. caminhar pelas ruas e pingos gelados, pra assistir um filme sobre amor, sobre são paulo, sobre desilusões. combo de pipoca com guaraná, baratas saindo pelos bueiros, esgoto no pé, ônibus cheio, vidros fechados. tudo fodido. fodido pra caralho. esse desgaste urbano que faz a gente querer desistir de tudo. mas é ao mesmo tempo esse amor por são paulo molhada e caótica que nos faz sair de casa e enfrentarmos todo dia a mesma coisa, o mesmo cansaço, a mesma brutalidade. é a beleza da verticalidade, das luzes entre os prédios e torres. da diversidade nas ruas, a contradição nas calçadas, nos muros. a mudança rápida, amanhã já é diferente, amanhã já virou passado. tudo passa apressado, e apressado.
as noites viradas, a poesia bonita na estante empoeirada no velho sebo do 2º andar, a vista panorâmica cinza, as escadas por fora dos prédios, barulho, barulho, barulho.
a cidade enlouquece, não tem dó, judia, massacra, te afoga.