hoje tive medo da cor do céu, tive medo dos raios e da tempestade. tive medo ao assistir a porra do jornal e me atualizar apenas das desgraças: dos tornados no rio grande do sul, do piscinão no taboão da serra, dos alagamentos constantes em são paulo, das pessoas soterradas, da mãe que acorrenta o próprio filho na própria casa, do empresário pedófilo de 74 anos que comia 3 menininhas no motel. caralho que mundo é esse? quem são esses monstros que vivem no meio da gente?
eu só consegui pensar em fugir disso, fugir de são paulo e do trânsito, fugir do barulho e das enchentes. pensei em pegar minhas tintas, minhas fotos, minhas palavras e livros e fugir pra algum lugar bem longe, tranquilo, deserto. fugir não por covardia, só tenho medo de me tornar alguém que não quero ser em meio a essa loucura. hoje minha médica perguntou se queria tomar calmante, não eu não quero calmante! eu vou saber me equilibrar, só preciso de tempo. mas não depende só de mim, o mundo a minha volta influencia em tudo isso. ah, eu até consigo imaginar areia branca e mar azul, uma casinha de madeira, o gabriel bolando um cigarrinho de palha e eu assando uma lagosta pra gente. mas sabe qual é o pior de tudo? eu sempre sentirei falta dessa merda caótica que se chama são paulo.