18 outubro, 2010

o poder das curvas

era volta para casa numa quinta-feira. o relógio quase girara todas suas horas diárias mas mesmo assim o movimento era grande na estação de trem. dentro do trem, os bancos foram ocupados por corpos cansados e agradecidos de conseguirem sentar até a estação de destino. as portas abrem na parada seguinte e uma senhora entra à procura de seu direito, porém só encontrou bancos cheios e pessoas indispostas a oferecer-lhe seu lugar. portanto, depois da senhora notou-se uma jovem negra alta, com suas curvas evidentes, com brincos de argola que encostavam nos ombros magros, decote provocador e um sorriso branco no rosto. um homem levantou e ofereceu-lhe gentilmente seu lugar à moça. a senhora riu da situação se conformando que não tem mais como conseguir fácil as coisas porque suas curvas não são mais acentuadas.
os homens jogavam algum desses jogos rápidos de baralho, enquanto riam, competiam e se exibiam para àquela negra bonita. não só se exibiam no jogo, mas em seus aparelhos eletrônicos, nos quais ofereciam para ela distrair-se com música no saculejar do trem.
as trocas de sorrisos e olhares aconteceram durante todo o trajeto e as alianças douradas gritavam nas mãos dos três homens que tanto queriam agradar a moça sedutora.