tinha talco nos pés e um maço inteiro na bolsa como a melhor ou a única companhia. a sombra azul derretia com o calor das luzes quentes, mas dentro estava vazia.
era vazio.
tantos pés brancos e sorrisos demasiados, mas estava vazio.
ganhei um coração minimalista e um fósforo em que james brown ensina 'say it loud: i am somebody!'
tornei-me alguém quando fechei os olhos e deslizei no talco: sóbria, feliz e sozinha.
as 4am um dos lugares mais planos de são paulo me sugou e ao menos me deu aquela segurança que sinto só lá. mas que guarda segredos engavetados e continua vazio vazio vazio.
