o mais bonito do amor é inventar todos os dias uma nova forma de amar.
pelo retrovisor do meu carro, de camarote, assisti o reencontro de duas almas que não se viam ha dois anos e que ainda se amam. abraços longos, carinho excessivo, conversa meio boba (mas até na bobeira existe sintonia), reconhecimento do corpo, das mãos, do rosto, do cheiro, das tatuagens novas, do corte de cabelo, do encaixe de cada corpo: ela abraça por baixo, ele por cima. cigarros acesos foram rapidamente consumidos pelo nervosismo que também denunciavam as pernas meio trêmulas. a cada abraço os corações se tocavam no mesmo ritmo acelerado. corações que sentiram saudade dessa disritimia.
como uma película, meu retrovisor enquadrou dois corpos que queriam parar o tempo nesse momento em plena madrugada geladinha paulistana, enquanto um caminhão iluminava o amor com seus faróis.
as vezes desejamos ser ficção só para apertar o "pause" nas nossas partes preferidas.
para o amor não existe tempo. existe eternidade.