o verbo mais feito em dias de muito frio é chochar.
chocha o chocolate no leite quente, a bolacha maizena no chá de morango ou jasmin, a torrada na sopa de legumes amarelos. chocha o corpo trêmulo nos primeiros pingos frios do chuveiro até esquentar por inteiro. chocha as pernas nos cobertores pela casa.
o cenário em casa não muda muito quando está 10 graus lá fora:
meia nos pés, moleton velho, mac no colo, caderno ao lado, caneta para anotar todos projetos, caneca de chá que esfria tão rápido, celular que não pára de apitar o whatsapp, gatos todos enroladinhos e encostadinhos em mim, trilha sonora animadinha para não perder o ânimo, descobertas de músicas como thaís gulin ou marina wisnik, olhos um pouco cansados do computador, mãos frias, papel higiênico ao lado, nariz que não pára, aquela vontade de comer o tempo todo e que resolvemos com chá para não virarmos obesos, pesquisa pesquisa pesquisa, fanzine, fotografia, peste coletiva, currículo, email lotado de convites incríveis em são paulo e a incapacidade de comparecer em todos, gmail com mais de 600 emails não lidos das minhas amigas frenéticas, facebook para marcar reuniões, agendamento da semana que vem inteira.
é preciso se ocupar para não congelar.
aqui está quente, embora os dedos frios.
aqui dentro está fervendo de vontade de fazerfazerfazer.