ele sempre a desejou muito com os olhos.
eles sempre dão um jeito de se olhar e sorrir no meio das pessoas.
dançaram até as 5 horas da manhã. a pista era somente deles.
ele bebia resto de bebidas dos copos deixados sobre a mesa, totalmente bêbado.
ela estava completamente sóbria e cansada do dia longo que teve.
tô indo embora, quer carona? sua casa é caminho da minha.
mini saia, mãos nas coxas, pingos de catuaba na camiseta branca.
quer subir?
não, to muito cansada, só quero minha cama.
prometo que a gente só dorme.
(os olhos dele quase nem conseguiam ficar abertos)
ele a beijava tocava apertava chupava seus peitos e enlouquecido dizia que o 'não' dela era bobo e desnecessário. tentava abrir a camisa, a levantar a saia e a desligar o carro. não, hoje não, hoje não quero. e os carros insistiam em passar na avenida que já estava clareando.
ela entendeu que é preciso dizer não.
entendeu que para não sentir mais esse vazio, é preciso realmente estar com vontade, não apenas viver aquilo porque sempre é fácil. as coisas fáceis são fáceis. elas cansam justamente por serem fáceis.
take it easy, man.
(conforme foi saindo da frente do prédio dele, pelo retrovisor, o via com o copo vazio na mão e o pau duro preso na calça jeans)