como de costume, ela colocou a saia florida-romântica, a calcinha de renda, passou rímel e seu perfume doce. fumou vários cigarros no trânsito para amenizar a ansiedade. mandou mensagem dizendo "estou na porta" e acendeu outro cigarro. ele abriu o portão e disse pra ela entrar pela lateral da casa e descer as escadas. lá embaixo ele deu um beijo frio no rosto dela. os dois estavam nervosos, meio gelados, meio sem saber o que fazer. ele mostrou o ateliê dele, a estante de sprays, a mesa que construiu sozinho, o ventilador que achou na rua e instalou sozinho. colocou umas músicas meio eletrônicas, tão a cara dele, e ela gosta, embora só escute com ele. sentaram de frente um pro outro e acenderam um beck. foram sorrisos gostosos junto com olhos baixos vergonhosos e pernas trêmulas.
eu não consegui te abraçar porque se sentisse seu cheiro não ia resistir. você percebeu que não te abracei?
(ele fechou o olho e respirou fundo imaginando ou lembrando o cheiro dela, enquanto falava)
sim, achei você meio frio mesmo. mas entendo.
(por dentro ela estava pulando de amor pela confissão, porque ela sentiu falta do abraço)
ai, você me desculpa? quero muito te abraçar, você sabe, mas é que ...
os corpos diziam. não era preciso verbalizar. mas ele gosta de verbalizar, como ela.
antes de subir as escadas e passar pela lateral da casa, ela pediu um abraço. afinal ninguém é de ferro.
ele sorriu e a abraçou daquele jeito gostoso, nariz no cangote, mãos na cintura e o mundo inteiro dentro deles.