não é sempre que saímos de casa, e principalmente do trabalho, com uma vontade enorme de viver e curtir sua cidade pós dia tão caótico contra dilma e copa.
é preciso se entregar aos momentos.
ela sentou ao lado do cara com uma caveira no rosto, puxou um papo qualquer, falou sem querer que sua casa estava vazia, foram expulsos do lugar porque o sol já raiava, subiram a consolação bêbados, as calçadas pareciam tortas, água na mão dela, heineken na mão dele, até agora nenhum beijo.
ela não entendia o sotaque dele muito bem, já estava tudo duplicamente complicado.
casa. cama. sexo com desconhecido. quanto tempo o corpo dela não se entregava a um estranho. sem sentimentos. sem ressentimentos. apenas pele e tesão. o vazio continua dentro dela, mesmo eles dormindo de conchinha, respiração no cangote. ela nunca consegue dormir bem com alguém, ainda mais quando o andar de cima resolve martelar as dez horas da manhã.
noite mal dormida, boca seca, cabeça dolorida, cheiro de sexo pelo corpo e pelo lençol limpo, um corpo desconhecido grudado ao dela, a pele dele era macia e gostosa pra fazer carinho, mas ela não fez. não sentiu vontade. ela só conseguia pensar que horas ele ia embora, que horas que a martelada ia acabar, droga! perdeu a feira na rua debaixo e ainda nem fez sexo matinal.