27 junho, 2014

essa tal impermanência

era uma segunda-feira de fevereiro. peguei o trem e fui até aquela estação longe. ele passou de carro e me apanhou na porta na estação. fazia sol, mas parecia um dia de outono, ventinho fresco na sombra. ele me levou até um museu da cidade em que estava tendo a individual dele. como todos sabem, segundas-feiras museus não abrem, mas pra mim, ele abriu. éramos só nós dois pisando naquele piso de madeira que faz barulho quando a gente anda e todas as cores que ele sabe juntar. éramos nós dois no chão e na parede. 
lembro de estar um pouco nervosa. eu sempre fico nervosa ao lado dele. acho que são tantos pensamentos e sentimentos contidos que a gente fica nervoso, parecendo dois adolescentes.
entre um quadro e outro, uma caixa e outra, a gente se puxou naquelas salas vazias só pra gente e nos amamos diante de tudo aquilo criado muito desse amor. sempre falei o quanto quis ser a inspiração dele.  e ele já me disse várias vezes o quanto o inspirei.
impermanências ali. impermanências em nós.
voltando ao mundo real, enfrentamos o trânsito de fim de tarde e ele me deixou na mesma estação, no beijo de despedida ele olhou nos meus olhos e disse "eu te amo". nosso primeiro eu te amo dito pessoalmente, em voz alta, olho no olho, coração acelerado.
ah, e só de pensar que essa foi a última vez em que nos vimos e faz tanto tempo.