02 outubro, 2014

você já caminhou em direção a chuva?

ano passado, enquanto passava um belíssimo mês no ares nordestinos, um dia, na cobertura de um prédio em aracaju, entre um sol e umas nuvens, uns mergulhos e umas sensações estranhas-solitárias, sentei na borda da piscina e vi a chuva vindo lá do mar. na minha frente era vento e escuridão, atrás era sol e céu azul. nunca tinha esperado a chuva. nunca tinha assistido a velocidade e o caminho dos pingos até chegar no meu corpo. tomei aquela chuva como nunca tinha tomado. essa sensação me despertou até o ato de eu fazer um caderno com o título: caderno de boas sensações. (entre essa, tinham outras como dançar sozinha e descalça num tapete felpudo e macio, fazer sexo dentro de um rio ao amanhecer do dia etc.)
ontem, em são paulo, numa época em que a chuva e a água estão escassas, desci a pé para meu trabalho. nas colinas asfaltadas, caminhei olhando o tempo todo para o céu que cada vez ficava mais escuro. não sei como é em outras cidades, mas em são paulo, tem dia que amanhece noite. voltando pra minha caminhada, me dei conta que estava andando em direção ao ponto mais escuro. o vento não deixava quase eu abrir os olhos, não deixava meu cabelo um milésimo de segundo parado. a sensação de caminhar até a chuva foi muito diferente de assistir a chuva chegando. o pré-chuva, ainda mais numa são paulo, faz as pessoas correrem mais que o normal. apressam os passos como se fosse acabar o mundo. não sei exatamente aonde elas pretendem chegar, não sei se é somente num lugar coberto ou algum lugar seguro (em todos sentidos da palavra). eu só estava indo trabalhar, de shorts e ked's, totalmente despreparada para um céu tão nublado, mas já era tarde demais pra mudar de roupa. cheguei aonde tinha que chegar, e não senti um pingo sequer. e o mais maluco, não choveu nada a noite inteira.


talvez criamos as sensações dentro da gente.
dentro de mim.