odeio rotina.
quem me conhece, sabe .
mas há um certo momento que não nos damos conta de que fazemos parte da rotina, não que eu faça parte dela, mas ela de mim.
tento sair dela nos caminhos alternativos que faço, nos onibus diferentes que tomo, no outro lado da calçada que ando, nas ligações inusitadas que disco, nos sorrisos matinais que mando, nas músicas escutadas (...), qualquer coisa que não me faça sentir cansada depois.
mesmo que eu ande o dobro a mais, não me importo, ver as nuvens tão de perto e sentir a brisa do fim da tarde me fazem sentir melhor, me tornam uma pessoa melhor.
mesmo que o trem às 7 da manhã me mate de tanto desgosto, e a Sé me faça me sentir uma formiga no meio de um formigueiro, cheio de predadores e outros insetos malvados, e mesmo eu vendo pessoas brigando, aproveitando, empurrando, conseguem (às vezes) me tirar de mim mesma, ao ponto de querer chorar em meio a multidão de tanto desprezo que sinto pela humanidade. e até de mim mesma, porque sei que faço parte dela. todas com seus fones de ouvidos, tão egoístas, tão individuais. e por mais que eu esteja com os meus também, observo todos, reparo em todos, ainda mais que esteja lutando contra meus olhos quase fechados de sono. não que eu seja melhor que eles, mas eu ainda sinto. sinto muito. queria poder mudar essa parte da minha rotina matinal. não queria me entristecer logo de manhã, as vezes penso que deixar meus olhos fechados seria melhor, viveria melhor. mas assim, perderia as coisas boas, que ainda existem também. então conclui que, por mais que a realidade seja como ela é, ela é assim simplesmente. tudo é ruim, tudo é bom.
prefiro viver minha vida, ter meus caminhos alternados, ter infelizmente que sentir todas partes dos corpos alheios nos trens-estupidamente-lotados de manhã, ter meus sorrisos guardados, mas que no fim do dia, são liberados, e da melhor forma. e no fim do dia, ter com quem falar no telefone ou abraçar, ter um banho prolongado de água fria, ter poucas estrelas no céu que mesmo sendo poucas, me tiram sorrisos.
e assim vai, vivendo a vida, com a melhor trilha sonora de fundo, sentindo cada batida, cada palavra ou grito. estar em meio à multidão, mas conseguir lembrar de bons momentos, de perfumes e gostos. de manias e épocas.
a vida é bela do jeito estranho que ela é. do jeito caótico e barulhento que ela é.
apenas vive.