um dia desses tive tantas certezas quase que juntas que foram capazes de me tirar o fôlego. não só pelo fato de ter bebido algumas já, mas pela sincronia. pelo movimento. pelos assuntos. e nos olhos-cheios-d'água aos cigarros fumados, nas conversas paralelas entre o mudar de clima fim-de-tarde ao comecinho frio de uma noite típica paulista foram se tornando uma mesma conversa, um mesmo assunto. não por falta de educação de querer escutar conversas alheias, porem pelos ouvidos aguçados e sedentos por assuntos interessantes. e após alguns brindes e experiências trocadas, confirmações vieram à tona.
como aquelas em que sabemos que o universo fala conosco através das estrelas - 'ora, pois, direis ouvir estrelas, pois só quem ama é capaz de ouvir e entender as estrelas' - e nossos queridos amigos o sabem bem.
até aquelas em que sabemos que estamos no lugar certo, por mais que sejamos animais ( ou pelo menos a ciência diz ), temos alma. vivemos da poesia, das formas e cores, da sincronia em que há entre todo tipo de arte. temos alma ao sentar numa mesa de bar das 3 da tarde até quase as 7 da noite, sem faltar assunto, sem faltar amor, sem falar o sentimento de parceria.
e no meio de confissões, de nostalgias que ficaram tão vagas e de vontades que infelizmente não podemos mais ter, sabemos da nossa verdade. da minha verdade.
da minha auto-suficiência que contradiz com meu desequilibrio momentâneo, mas que em tardes como essas, me recomponho novamente.
e por mais que os dias seguintes sejam ruins ao ponto de quase me fazerem chorar, sinto os mesmos bons sentimentos daquela tarde. afinal, a companhia era única.
e na mesma sinceridade da conversa, estou aqui sendo sincera comigo numa noite de domingo sem sono pensando no amanhã e no quem virá junto com ele.
e num alivio imensurável, digo com toda certeza e honestidade, sem roubo de palavras, mas apenas em idéias trocadas, eu sinto, afinal, tenho alma.