03 agosto, 2008

os que tem asas

enquanto enxugava as poucas lágrimas que escorriam pensei que isso era bobagem. que não preciso de olhos conhecidos para apreciarem algum movimento feito por mim.
sendo uma última apresentação, eu esperava aqueles que tanto são importantes. não estou pedindo apoio nem um elogio, mas vocês poderiam ficar perto de mim, me abraçar e desejar-me sorte antes de eu subir no palco?
talvez sejam tantas balelas neuróticas, mas são tão significativas. não são?
porém durante essa crise pré-palco conseguiram me encorajar de tal forma que desconhecia até agora (as reais palavras, sem acréscimos):

'vá lá. faça a melhor apresentação da sua vida. faça-a pra você. você merece muito mais que todo mundo que sua performance seja a mais linda de todas. quando você chegar em casa, deita na cama e lembre de cada passo que você fez. eu sei que é dificil isso. mas existe uma coisa muito maior que tudo isso: o amor que você tem por dançar. então faz o melhor que você pode.'

eu prometi que dançarei como jamais dancei antes. sentirei aquelas luzes quentes e coloridas penetrando em mim, farei com que todo esse sentimento borbulhoso transpareça a cada giro, a cada movimento. darei o meu melhor, e depois de tudo isso, fecharei meus olhos e lembrarei de cada único momento, meu momento.
e nos encontros de pensamentos é você quem eu encontro, é pra você que eu dançarei. me sinta. te sinto. na verdade, nunca parei de sentir. meu (quase) show exclusivo. não perca!

como caio fernando disse 'é difícil aprisionar os que tem asas!'