por muito tempo voamos.
esquecemos algumas realidades impostas pela sociedade, não posso negar.
deixamos de comer arroz e feijão para sobreviver apenas de amor.
sobrevivemos durante alguns anos só de amor, você não pode negar também.
foi uma escolha nossa, do momento, sim, daquele momento que durou vários meses. não nos culpe por isso. não te culpes por isso. o mundo é duro pra caralho, mas quem disse que não podemos voar?
entre paredes azuis em algum lugar de são paulo descobrimos coisas bonitas dentro de mim e de você. descobrimos o gosto do corpo de cada um, descobrimos as fragilidades e as fortalezas que há em amar. descobrimos poesia em cada poro. e naquele momento, isso nos bastava. nosso mundo parava dentro do mundo externo e nem ligávamos para a existência desse último mundo, porque o mundo que criamos era suficiente para sermos felizes.
sim, éramos felizes, não podemos negar.
você não pode negar o quanto sorriu ao meu lado.
eu nunca neguei. o amor, pra mim, sempre foi muito real e eu sempre fui sincera com as minhas sensações.
voamos tão tão tão alto que caimos de cara no chão.
ficamos cheios de feridas e cicatrizes que nunca se apagarão.
mas por que cortar as asas se ainda podemos voar mais?
(podemos voar mesmo estando feridos)
talvez precisamos andar as muralhas da china por meses para nos reencontrarmos e viver um reencontro bonito, sem feridas abertas, sem dúvida da beleza desse encontro. talvez precisamos construir outros mundos compartilhados, pintar paredes de outras cores, descobrir outros gostos e cheiros só para entendermos que sim, todo amor dói e todo amor se esborracha.