18 fevereiro, 2013

meu presente de aniversário

e é assim, sozinha, é sozinha que precisamos descobrir o que realmente precisamos e queremos viver. é trocando as marchas do carro e sentindo a fumaça do cigarro dentro do pulmão que as coisas começam a fazer sentido. é sair do motel ou daquele edifício no paraíso escondida que as vozes de todos os amigos veem a tona: sim, é uma grande merda. é merda atras de merda. é desejo atras de sexo fodido que a dor vem, a culpa vem, a raiva vem, mas a dor passa.
é nas marcas deixadas por ele no meu corpo, nas picadas que as formigas do seu quarto me deixaram, e coçam e me fazem lembrar que ontem, daquele jeito nosso, daquele jeito meio bêbados, você dirigiu meu carro e eu insisti pra tudo isso acontecer. tenho insistido. talvez você esteja certo, a palavra é insistir, e não "acreditar" como muito tempo acreditei. não existe mais. não somos mais. não sentimos mais. insistimos numa única coisa que não basta. tesão não basta. migalhas não bastam. melhor trepada não basta. irracionalidade não basta. carinho não basta. pernas abertas e corpos entregues não bastam.

não basta.
eu sozinha sei.


eu sozinha (me) basto.