08 outubro, 2009
cheiro de primavera molhada
olhei a janela e vi aquela luz cinza que chega a cegar. a chuvinha caiu a madrugada inteira e continuou pelo resto do dia. escolhi uma roupa vibrante para me sentir bem, lencinho no pescoço, rímel nos cílios pra tentar esconder a madrugada mal dormida, um blush pra tirar a palidez. como todos os dias. não tinha como mudar as sensações durante o dia, o mal estar sempre presente, alguma dor física que junta-se com a dor interna. tentar prestar atenção na aula, tentar fazer algum exercício de plástica, tentar sorrir. teve parabéns, bolo com velas e brindamos com uma skol gelada em plena 11 am, aquilo me desceu bem, me fez bem. bolo de chocolate e cerveja gelada num dia frio. o frio de todos os lados me congelou internamente. tentei ficar imune aos meus pensamentos massantes, aos sentimentos que rasgam o peito. saí da rotina e fiz um caminho diferente, desci a avenida angélica a pé, em meio a chuva, com um guarda-chuva fodido, pasta na mão, mochila nas costas e um cigarro tentando ficar aceso em meio a tanta confusão. meus pés já estavam ficando gelados dentro do couro molhado da bota, mas tudo isso me fazia bem. entrei no parque buenos aires sozinha, pela primeira vez, vazio, mas eu senti cheiro de primavera molhada. andei por entre orquídeas e flores amarelas no chão. eu precisava ver coisas bonitas, acreditar na beleza natural das coisas. desci até a são joão a pé, molhada, espairecida, confiante. esperei meu ônibus debaixo do elevado, aquele frio gelado que passa descabelando e refrescando a alma. o cheiro de são paulo molhada é um cheiro até que bom. meu corpo pedia conforto, mas eu me sentia bem naquela situação. por mim andaria pelas ruas paulistanas enxarcadas de poças e merdas desfeitas na calçada. só pra conseguir alinhar os pensamentos e sentir são paulo até me enjoar.
07 outubro, 2009
afogamento
era um dia quente.
transpiração, respiração, mais transpiração, ansiedade, agonia, cansaço. o calor intensifica as sensações. sabia que ia chover, mas os pés estavam descobertos e o guarda-chuva não estava na bolsa. livre. caminhar pelas ruas e pingos gelados, pra assistir um filme sobre amor, sobre são paulo, sobre desilusões. combo de pipoca com guaraná, baratas saindo pelos bueiros, esgoto no pé, ônibus cheio, vidros fechados. tudo fodido. fodido pra caralho. esse desgaste urbano que faz a gente querer desistir de tudo. mas é ao mesmo tempo esse amor por são paulo molhada e caótica que nos faz sair de casa e enfrentarmos todo dia a mesma coisa, o mesmo cansaço, a mesma brutalidade. é a beleza da verticalidade, das luzes entre os prédios e torres. da diversidade nas ruas, a contradição nas calçadas, nos muros. a mudança rápida, amanhã já é diferente, amanhã já virou passado. tudo passa apressado, e apressado.
as noites viradas, a poesia bonita na estante empoeirada no velho sebo do 2º andar, a vista panorâmica cinza, as escadas por fora dos prédios, barulho, barulho, barulho.
a cidade enlouquece, não tem dó, judia, massacra, te afoga.
transpiração, respiração, mais transpiração, ansiedade, agonia, cansaço. o calor intensifica as sensações. sabia que ia chover, mas os pés estavam descobertos e o guarda-chuva não estava na bolsa. livre. caminhar pelas ruas e pingos gelados, pra assistir um filme sobre amor, sobre são paulo, sobre desilusões. combo de pipoca com guaraná, baratas saindo pelos bueiros, esgoto no pé, ônibus cheio, vidros fechados. tudo fodido. fodido pra caralho. esse desgaste urbano que faz a gente querer desistir de tudo. mas é ao mesmo tempo esse amor por são paulo molhada e caótica que nos faz sair de casa e enfrentarmos todo dia a mesma coisa, o mesmo cansaço, a mesma brutalidade. é a beleza da verticalidade, das luzes entre os prédios e torres. da diversidade nas ruas, a contradição nas calçadas, nos muros. a mudança rápida, amanhã já é diferente, amanhã já virou passado. tudo passa apressado, e apressado.
as noites viradas, a poesia bonita na estante empoeirada no velho sebo do 2º andar, a vista panorâmica cinza, as escadas por fora dos prédios, barulho, barulho, barulho.
a cidade enlouquece, não tem dó, judia, massacra, te afoga.
03 outubro, 2009
29 setembro, 2009
24 setembro, 2009
todo dia é dia de morrer (e talvez, viver)
as vezes eu quero morrer morrer morrer.
são paulo me mata, o amor me mata, eu mesma me mato. as pessoas frias me matam, a carência me mata, esperar por alguma coisa (ou nada) me mata, ter saudade me mata, querer chorar durante dias me mata, unhas roídas e sem esmaltes me matam, dores físicas me matam, dores no coração me matam mais ainda. não ter vontade de levantar da cama me mata, levantar da cama e ter um péssimo dia me mata mais ainda. a insegurança me mata, o passado me mata, eles me matam, você me mata. esse vazio me mata, a intensidade de sentimentos de mata, meu estômago doente me mata todo o dia. ficar tanto tempo sem dançar me mata, o silêncio me mata, a rotina me mata. a preguiça diária me mata, a irresponsabilidade me mata, o transporte público lotado me mata, a falta de palavras me mata.
eu morro e renasço todo dia. na verdade, morro todo dia e renasço de vez em quando.
são paulo me mata, o amor me mata, eu mesma me mato. as pessoas frias me matam, a carência me mata, esperar por alguma coisa (ou nada) me mata, ter saudade me mata, querer chorar durante dias me mata, unhas roídas e sem esmaltes me matam, dores físicas me matam, dores no coração me matam mais ainda. não ter vontade de levantar da cama me mata, levantar da cama e ter um péssimo dia me mata mais ainda. a insegurança me mata, o passado me mata, eles me matam, você me mata. esse vazio me mata, a intensidade de sentimentos de mata, meu estômago doente me mata todo o dia. ficar tanto tempo sem dançar me mata, o silêncio me mata, a rotina me mata. a preguiça diária me mata, a irresponsabilidade me mata, o transporte público lotado me mata, a falta de palavras me mata.
eu morro e renasço todo dia. na verdade, morro todo dia e renasço de vez em quando.
22 setembro, 2009
sobre saudade

escutei mombojó ontem no metrô e naquele ruído intenso subterrâneo pensei na melodia boa que sua voz soou durante alguns dias em meus ouvidos. e dentro de mim bateu a saudade que dói e que me faz te amar mais ainda. num impulso te mandei uma mensagem sincera de saudade no celular e você me respondeu em dobro, sabendo o que dizer, do paraíso, da minha ausência-paulistana, do nosso amor. e no fim, você entende que são paulo me consome até o talo, que o cinza me arrasta pra longe (fisicamente), mas nossos corações estão sempre juntinhos. e toda essa pressão acadêmica e social me consome e me faz sentir falta de (te) amar, portanto isso é uma questão de fase, porque na maioria dos meus dias, vivo pra amar e vivo (te) amando.
e hoje ao falar sobre nordeste, são paulo, cinza, interior, a nossa realidade - boa e ruim-, as nossas almas que se encontraram nesse deserto, a verdadeira poesia desabando por dentro, e desabamos em lágrimas espontâneas, eu aqui, você aí. o quanto eu encontrei de mim em você e muito de você em mim. até nosso sorriso tem semelhança. algo que só nós entendemos, muito mais profundo que, a princípio, não imaginávamos.
eu quero tanto sentir seu coração batendo junto com o meu, nesses peitos loucos de amor, sabendo que o mundo inteiro está contra a gente. mas nós amamos e amamos e amamos. e não sabemos nos entregar pela metade, a gente mergulha de corpo e alma e bate a cabeça até (não) cansar.
traga seu nordeste calmo e quente pra mim. eu vou lhe ensinar a não enlouquecer nessa cidade caótica e linda ao mesmo tempo. venha absorver tudo que são paulo tem de melhor, vamos conhecer o avesso do avesso do avesso do avesso que é a própria cidade nas suas esquinas, bares e malandragens. vamos fumar nossos cigarros lá fora do bar, de pé, na calçada e respirar o ar fresco de são paulo ao anoitecer. vem viver ao meu ladinho, me socorrer dessa saudade que corrói. quero sentir o gosto de nordeste no suco de maracujá e na lasanha descongelada, sentir seu cheiro de perfumes caros e doces que você tem. escutar que esse é o nosso reino da alegria. quero dançar e gritar num show do mombojó com você e te carregar pro palco pra dançar comigo, frenetimente, pra esquecermos o mundo todo juntas.
eu quero um samba pra me aquecer, quero algo pra beber, quero você
peça tudo que quiser. quantos sambas agüentar dançar, mas não esqueça do seu trato da hora de parar, só vamos embora quando tudo terminar. eu vou te levar aonde você quer chegar, eu tenho a chave nada impede a vida acontecer. deixe-se acreditar, nada vai te acontecer. tudo pode ser, nada vai acontecer, não tema, esse é o reino da alegria. vamos viver na íntegra tudo isso. vamos sumir nessa massa cinzenta paulistana juntas.
03 setembro, 2009
Assinar:
Postagens (Atom)
