30 agosto, 2014

Meu tempo é outro

Homens só gostam quando é no tempo deles.

Eu desisto.

13 agosto, 2014

ação que não gera reação

acho que não sei lidar com o que eu causo neles.
queria entender essa sensação de encantamento-fora-do-normal.
ah, como queria trocar nossos olhos pra conseguir enxergar o que vocês enxergam.

desculpa, se minha re-ação é sempre sorrir (timidamente nervosa). ou apenas sorrir.

prefiro a efemeridade

duas horas de conversa, e parece que já nos conhecemos ha vinte anos.
esses encontros acontecem naturalmente. se não for assim, não é pra ser. nunca.
e quando é, é pra ser eterno. não o fato, mas a sensação única que é viver tal fato.
e se passar de uma dia, talvez até mesmo dessas duas horas, pode estragar.
por isso a felicidade é feita por momentos, se não, vira outra coisa.
prefiro a efemeridade, porque o resto eu posso inventar nos meus sonhos ou nas minhas linhas.

01 agosto, 2014

xis

há beijos que param o tempo. portanto há outros que não mudam nada no seu corpo e no seu dia.

27 julho, 2014

eu não queria estar na sua pele

deve ser muito difícil estar na sua pele.
definitivamente eu não queria estar em seu lugar.
conviver com sua consciência deve ser confuso (por isso você é tão confuso).
viver na mentira não é para qualquer um.
errar duas vezes do mesmo jeito. começar dois relacionamentos omitindo minha existência. ignorar a minha existência. dentro de você e fora, no mundo, onde as vezes temos que dividir os mesmos espaços. os mesmos subsolos. os mesmos banheiros.
não te reconheço quando você abaixa sua cabeça e não encara meus olhos só porque tem alguém ao seu lado segurando a sua mão. já nem sei se é medo de mim, covardia sua ou apenas desrespeito.

deve ser muito difícil encarar o mundo sendo você.


viver é esquecer ou esquecer é viver?


27 junho, 2014

essa tal impermanência

era uma segunda-feira de fevereiro. peguei o trem e fui até aquela estação longe. ele passou de carro e me apanhou na porta na estação. fazia sol, mas parecia um dia de outono, ventinho fresco na sombra. ele me levou até um museu da cidade em que estava tendo a individual dele. como todos sabem, segundas-feiras museus não abrem, mas pra mim, ele abriu. éramos só nós dois pisando naquele piso de madeira que faz barulho quando a gente anda e todas as cores que ele sabe juntar. éramos nós dois no chão e na parede. 
lembro de estar um pouco nervosa. eu sempre fico nervosa ao lado dele. acho que são tantos pensamentos e sentimentos contidos que a gente fica nervoso, parecendo dois adolescentes.
entre um quadro e outro, uma caixa e outra, a gente se puxou naquelas salas vazias só pra gente e nos amamos diante de tudo aquilo criado muito desse amor. sempre falei o quanto quis ser a inspiração dele.  e ele já me disse várias vezes o quanto o inspirei.
impermanências ali. impermanências em nós.
voltando ao mundo real, enfrentamos o trânsito de fim de tarde e ele me deixou na mesma estação, no beijo de despedida ele olhou nos meus olhos e disse "eu te amo". nosso primeiro eu te amo dito pessoalmente, em voz alta, olho no olho, coração acelerado.
ah, e só de pensar que essa foi a última vez em que nos vimos e faz tanto tempo.

12 junho, 2014

na língua dos amantes

depois de dizer que gosta da minha bota de couro, do jeito que me visto, do jeito que jogo meu cabelo de lado, do jeito que pinto meus olhos, ele vem dizer, com a voz mais grave que já escutei nos ouvidos, que eu não mereço esse tipo de felicidade.
depois de me beijar de todos os jeitos, depois de me deixar totalmente molhada e louca, depois de cheirar meu cangote a noite inteira, depois de pegar na minha cintura com força, ele vem dizer que mereço alguém que não seja comprometido.
hey, meu bem, vou lhe dizer uma coisa, nessa língua dos amantes não se diz tudo isso. na língua dos amantes primeiro você satisfaz o outro e se satisfaz, depois o resto é resto.

16 maio, 2014

o desconhecido é curioso

enquanto pegava uma guiness, ela olhava pelo espelho que tinha atrás do bar. fazia tempo em que ela não paquerava assim, num balcão da balada. ora dançava numa das pistas favoritas de são paulo, com suas luzes rosas e rock nos pés, ora debruçava-se no balcão e jogava charme para quem quisesse.
não é sempre que saímos de casa, e principalmente do trabalho, com uma vontade enorme de viver e curtir sua cidade pós dia tão caótico contra dilma e copa.
é preciso se entregar aos momentos.
ela sentou ao lado do cara com uma caveira no rosto, puxou um papo qualquer, falou sem querer que sua casa estava vazia, foram expulsos do lugar porque o sol já raiava, subiram a consolação bêbados, as calçadas pareciam tortas, água na mão dela, heineken na mão dele, até agora nenhum beijo. 
ela não entendia o sotaque dele muito bem, já estava tudo duplicamente complicado.
casa. cama. sexo com desconhecido. quanto tempo o corpo dela não se entregava a um estranho. sem sentimentos. sem ressentimentos. apenas pele e tesão. o vazio continua dentro dela, mesmo eles dormindo de conchinha, respiração no cangote. ela nunca consegue dormir bem com alguém, ainda mais quando o andar de cima resolve martelar as dez horas da manhã.
noite mal dormida, boca seca, cabeça dolorida, cheiro de sexo pelo corpo e pelo lençol limpo, um corpo desconhecido grudado ao dela, a pele dele era macia e gostosa pra fazer carinho, mas ela não fez. não sentiu vontade. ela só conseguia pensar que horas ele ia embora, que horas que a martelada ia acabar, droga! perdeu a feira na rua debaixo e ainda nem fez sexo matinal.




10 maio, 2014

alguém me salva dessa solidão crônica

nessa solidão crônica, nesses dias amargamente vazios, encontro até minhas pessoas preferidas no mundo e ainda continuo vazia. tomo cerveja e acabo com maços de cigarros, mas meu peito ainda quase rasga de tanto desprazer e solidão.
a sensação de vazio está dentro de mim. carrego a solidão nos lugares mais cheios de são paulo. virou de praxe voltar pra casa com a vontade mais forte de chorar, e choro quando encaro essa cama e esse quarto tão vazios. quando se está sozinho pelo mundo, parece que tudo é maior. o vazio é tão imenso que ele aumenta o tamanho de tudo para eu me sentir menor.
a vida não faz sentido quando você não ama, e principalmente quando você não é amado.