07 novembro, 2014

uma sexta-feira desacelerada.

e aí você descobre uma playlist linda, coloca no volume máximo, acende um cigarro e dança sozinha pelo seu quarto. olhos fechados e pés descalços. de um jeito estranho porque ninguém está olhando.
é o melhor momento do seu dia. é o melhor cigarro em tempos.

eu jamais entenderei as pessoas que não dançam.

{ https://www.youtube.com/watch?v=smNTG6zqwfI }

18 outubro, 2014

quase da janela de casa

e é num dos maiores cruzamentos da cidade, a poucos metros da minha casa, que você pinta os maiores 28 metros da sua carreira, e eu, assisto.
admiração nunca vem sozinha.

02 outubro, 2014

você já caminhou em direção a chuva?

ano passado, enquanto passava um belíssimo mês no ares nordestinos, um dia, na cobertura de um prédio em aracaju, entre um sol e umas nuvens, uns mergulhos e umas sensações estranhas-solitárias, sentei na borda da piscina e vi a chuva vindo lá do mar. na minha frente era vento e escuridão, atrás era sol e céu azul. nunca tinha esperado a chuva. nunca tinha assistido a velocidade e o caminho dos pingos até chegar no meu corpo. tomei aquela chuva como nunca tinha tomado. essa sensação me despertou até o ato de eu fazer um caderno com o título: caderno de boas sensações. (entre essa, tinham outras como dançar sozinha e descalça num tapete felpudo e macio, fazer sexo dentro de um rio ao amanhecer do dia etc.)
ontem, em são paulo, numa época em que a chuva e a água estão escassas, desci a pé para meu trabalho. nas colinas asfaltadas, caminhei olhando o tempo todo para o céu que cada vez ficava mais escuro. não sei como é em outras cidades, mas em são paulo, tem dia que amanhece noite. voltando pra minha caminhada, me dei conta que estava andando em direção ao ponto mais escuro. o vento não deixava quase eu abrir os olhos, não deixava meu cabelo um milésimo de segundo parado. a sensação de caminhar até a chuva foi muito diferente de assistir a chuva chegando. o pré-chuva, ainda mais numa são paulo, faz as pessoas correrem mais que o normal. apressam os passos como se fosse acabar o mundo. não sei exatamente aonde elas pretendem chegar, não sei se é somente num lugar coberto ou algum lugar seguro (em todos sentidos da palavra). eu só estava indo trabalhar, de shorts e ked's, totalmente despreparada para um céu tão nublado, mas já era tarde demais pra mudar de roupa. cheguei aonde tinha que chegar, e não senti um pingo sequer. e o mais maluco, não choveu nada a noite inteira.


talvez criamos as sensações dentro da gente.
dentro de mim.

30 agosto, 2014

Meu tempo é outro

Homens só gostam quando é no tempo deles.

Eu desisto.

13 agosto, 2014

ação que não gera reação

acho que não sei lidar com o que eu causo neles.
queria entender essa sensação de encantamento-fora-do-normal.
ah, como queria trocar nossos olhos pra conseguir enxergar o que vocês enxergam.

desculpa, se minha re-ação é sempre sorrir (timidamente nervosa). ou apenas sorrir.

prefiro a efemeridade

duas horas de conversa, e parece que já nos conhecemos ha vinte anos.
esses encontros acontecem naturalmente. se não for assim, não é pra ser. nunca.
e quando é, é pra ser eterno. não o fato, mas a sensação única que é viver tal fato.
e se passar de uma dia, talvez até mesmo dessas duas horas, pode estragar.
por isso a felicidade é feita por momentos, se não, vira outra coisa.
prefiro a efemeridade, porque o resto eu posso inventar nos meus sonhos ou nas minhas linhas.

01 agosto, 2014

xis

há beijos que param o tempo. portanto há outros que não mudam nada no seu corpo e no seu dia.

27 julho, 2014

eu não queria estar na sua pele

deve ser muito difícil estar na sua pele.
definitivamente eu não queria estar em seu lugar.
conviver com sua consciência deve ser confuso (por isso você é tão confuso).
viver na mentira não é para qualquer um.
errar duas vezes do mesmo jeito. começar dois relacionamentos omitindo minha existência. ignorar a minha existência. dentro de você e fora, no mundo, onde as vezes temos que dividir os mesmos espaços. os mesmos subsolos. os mesmos banheiros.
não te reconheço quando você abaixa sua cabeça e não encara meus olhos só porque tem alguém ao seu lado segurando a sua mão. já nem sei se é medo de mim, covardia sua ou apenas desrespeito.

deve ser muito difícil encarar o mundo sendo você.


viver é esquecer ou esquecer é viver?


27 junho, 2014

essa tal impermanência

era uma segunda-feira de fevereiro. peguei o trem e fui até aquela estação longe. ele passou de carro e me apanhou na porta na estação. fazia sol, mas parecia um dia de outono, ventinho fresco na sombra. ele me levou até um museu da cidade em que estava tendo a individual dele. como todos sabem, segundas-feiras museus não abrem, mas pra mim, ele abriu. éramos só nós dois pisando naquele piso de madeira que faz barulho quando a gente anda e todas as cores que ele sabe juntar. éramos nós dois no chão e na parede. 
lembro de estar um pouco nervosa. eu sempre fico nervosa ao lado dele. acho que são tantos pensamentos e sentimentos contidos que a gente fica nervoso, parecendo dois adolescentes.
entre um quadro e outro, uma caixa e outra, a gente se puxou naquelas salas vazias só pra gente e nos amamos diante de tudo aquilo criado muito desse amor. sempre falei o quanto quis ser a inspiração dele.  e ele já me disse várias vezes o quanto o inspirei.
impermanências ali. impermanências em nós.
voltando ao mundo real, enfrentamos o trânsito de fim de tarde e ele me deixou na mesma estação, no beijo de despedida ele olhou nos meus olhos e disse "eu te amo". nosso primeiro eu te amo dito pessoalmente, em voz alta, olho no olho, coração acelerado.
ah, e só de pensar que essa foi a última vez em que nos vimos e faz tanto tempo.