ela soltou um xaveco whatsappiano.
ele riu e gostou. disse que curte uma putaria virtual.
ela disse que putaria é coisa séria.
ele gostou mais ainda.
ela disse: bora.
a conversa acabou.
10 junho, 2015
27 abril, 2015
doismilequinze dando tapa na cara
na virada desse ano, na praia da fortaleza em ubatuba, depois de abraçar todo mundo, tomar banho de espumante e festejar, enquanto eu assistia aos fogos e me arrepiava (porque sempre me arrepio vendo fogos), fiz a minha oração de sempre. e lembro de sentir muito medo. um medo fora do comum já que estava arriscando numa área nova. nesse momento desespero e bêbado, abracei uma amiga que me traz sempre alguma segurança, e ela disse que eu sou forte e aguentaria qualquer coisa. cá estou eu, em dias bastante complicados, tentando encontrar forças.
15 abril, 2015
encontros na praça roosevelt
o papo era sobre música dos anos 60, 70 e 80. ela mais escutava do que falava, como de costume.
um rapaz, como tantos outros que vão a praça roosevelt sozinhos, escutava a conversa e veio dar a sua opinião descartável.
num mundo machista, elas nem deram bola. até que ela se viu com dois estranhos, falando sobre música e muitas outras coisas que nem faziam mais sentido. um dos rapazes, loiro, de olhos azuis, aquele cara que tem tudo pra ser bonito mas é feio, começou um papo mais intimista e eles se encostaram na parede. ele comentou que ia pra holanda, porque havia uma mulher com seu filho, que ainda crescia dentro dela, esperando por ele. e justamente por essa mudança de vida, ele trabalhava como garçom num restaurante no higienópolis por mais alguns dias.
você parece triste.
essa tristeza é só porque costumo abaixar a cabeça? não confunda timidez com tristeza.
você parece ser tão sincera e segura de si mesma.
uma das coisas que mais sou: ser sincera comigo mesma. talvez isso transpareça como segurança.
ela deixou claro no decorrer da conversa que não queria nada com ele, embora reconhecesse o valor daquela conversa. ele logo foi embora porque estava cansado.
ela voltou para a roda dos seus amigos, tentando entender o que tinha acontecido. e percebeu que todos olhavam a lua e diziam o quanto ela estava linda.
minutos depois, o cara loiro voltou e a cutucou.
oi, eu tava voltando pra casa e no caminho vi o quanto a lua está linda, aí voltei pra te mostrar.
você não precisava voltar, eu já vi a lua. ela está linda mesmo.
vem aqui, dá pra ver melhor naquele lugar ali.
e foram.
olha, eu sei que você não quer me beijar, mas posso encostar meu rosto no seu? preciso muito sentir seu rosto.
ela, com muito receio, cedeu seu rosto.
ele fechou os olhos e encostou a bochecha dele na dela.
eles riam enquanto a lua brilhava.
eu preciso ir embora.
ela saiu, entrou no carro da amiga, e eles nunca mais se viram.
08 abril, 2015
desesperador
não posso te garantir nada remunerado.
estou levantando uns orçamentos, se algum der certo, te chamo.
o mercado está difícil.
no momento minha equipe está completa.
não trabalho com assistentes.
obrigada pelo contato.
minha nova coleção de respostas.
já não sei mais o que fazer com ela.
estou levantando uns orçamentos, se algum der certo, te chamo.
o mercado está difícil.
no momento minha equipe está completa.
não trabalho com assistentes.
obrigada pelo contato.
minha nova coleção de respostas.
já não sei mais o que fazer com ela.
24 março, 2015
sua existência em mim
depois de tanto tempo tentando racionalizar sentimentos e lembranças, a gente entende que essa força que existe dentro da gente, essa força que nos tira da cama para enfrentar todo dia a nossa existência, a existência do outro e o mundo, faz parte do processo de desamar alguém.
todos os dias da minha vida depois de você, eu penso em você. e esse pensamento foi se transformando juntamente com o sentimento. hoje meu pensamento sobre você é apenas que você existe. ponto. existe na mesma vida, no mesmo tempo, na mesma cidade que eu. é só um pensamento, livre de qualquer sentimento. não dói em nada. não sinto nada. é apenas uma afirmação. um fato. algo que é preciso lidar todo dia.
e de alguma forma, por essa sua existência, me motivo todos os dias a ser alguém melhor pensando que talvez alcance você. não para te fazer voltar pra mim, mas pra te fazer feliz em algum momento. não vamos colocar pesos nos ombros de outrens, entenda. tirar força da sua existência não é colocar peso na sua vida nem na nossa história. talvez seja a forma de manter o amor. esse amor já transformado inúmeras vezes. talvez seja a forma que encontrei de te carregar assim, de perto e principalmente de uma forma tão natural e bonita. te carrego em todas tentativas de ser quem eu sou na melhor forma possível nesse mundo. te carrego quando entro em cursos novos para me especializar e crescer profissionalmente, te carrego nas minhas linhas que bordo para tentar dissolver toda essa sua existência que é tão existente em mim. te carrego em tudo que faço pro meu corpo, pra minha cabeça, pro meu coração, pra minha arte, pra minha existência.
a gente precisa aprender a lidar com tanta coisa junta acontecendo ao mesmo tempo, que transformar pessoas e sentimentos em ações positivas é o melhor que podemos fazer pra nós mesmos e pro outro.
já que não posso mudar nem escolher o tempo da sua existência no mundo, sou obrigada a inventar todos os dias um jeito melhor de encarar isso.
19 fevereiro, 2015
melhor que aniversário e carnaval
além do carnaval trazer muitas delícias, além de comemorar meus vinte e cinco anos na rua, debaixo de chuva e cercada de amor bêbado e sincero, aconteceu algo ainda mais gostoso. e melhor: inesperado.
quando duas pessoas conseguem dizer o que sentem.
ambos fantasiados devorando batatas fritas, disseram o quanto ele foi importante pra ela e o quanto ela foi importante pra ele. o quanto foram apaixonados. o quanto foram imaturos. e o quanto ainda se desejam todos os dias em que se olham. porque não importa o tempo, o carinho ainda fica guardado.
ainda bem que existem as palavras. principalmente as palavras racionais, que saem de nossas bocas com clareza e calmaria, palavras firmes. mesmo que bêbadas, mesmo que parcialmente emotivas, mesmo que dentro de um boteco cheirando a fritura, mesmo num longo dia de carnaval, chuva e tesão. reciprocidade de sentimentos e verbalizações é raro. encontros de corpos é raro. o corpo dele é raríssimo!
e foi de longe, a melhor noite do carnaval.
07 novembro, 2014
uma sexta-feira desacelerada.
e aí você descobre uma playlist linda, coloca no volume máximo, acende um cigarro e dança sozinha pelo seu quarto. olhos fechados e pés descalços. de um jeito estranho porque ninguém está olhando.
é o melhor momento do seu dia. é o melhor cigarro em tempos.
eu jamais entenderei as pessoas que não dançam.
{ https://www.youtube.com/watch?v=smNTG6zqwfI }
é o melhor momento do seu dia. é o melhor cigarro em tempos.
eu jamais entenderei as pessoas que não dançam.
{ https://www.youtube.com/watch?v=smNTG6zqwfI }
18 outubro, 2014
quase da janela de casa
e é num dos maiores cruzamentos da cidade, a poucos metros da minha casa, que você pinta os maiores 28 metros da sua carreira, e eu, assisto.
admiração nunca vem sozinha.
admiração nunca vem sozinha.
02 outubro, 2014
você já caminhou em direção a chuva?
ano passado, enquanto passava um belíssimo mês no ares nordestinos, um dia, na cobertura de um prédio em aracaju, entre um sol e umas nuvens, uns mergulhos e umas sensações estranhas-solitárias, sentei na borda da piscina e vi a chuva vindo lá do mar. na minha frente era vento e escuridão, atrás era sol e céu azul. nunca tinha esperado a chuva. nunca tinha assistido a velocidade e o caminho dos pingos até chegar no meu corpo. tomei aquela chuva como nunca tinha tomado. essa sensação me despertou até o ato de eu fazer um caderno com o título: caderno de boas sensações. (entre essa, tinham outras como dançar sozinha e descalça num tapete felpudo e macio, fazer sexo dentro de um rio ao amanhecer do dia etc.)
ontem, em são paulo, numa época em que a chuva e a água estão escassas, desci a pé para meu trabalho. nas colinas asfaltadas, caminhei olhando o tempo todo para o céu que cada vez ficava mais escuro. não sei como é em outras cidades, mas em são paulo, tem dia que amanhece noite. voltando pra minha caminhada, me dei conta que estava andando em direção ao ponto mais escuro. o vento não deixava quase eu abrir os olhos, não deixava meu cabelo um milésimo de segundo parado. a sensação de caminhar até a chuva foi muito diferente de assistir a chuva chegando. o pré-chuva, ainda mais numa são paulo, faz as pessoas correrem mais que o normal. apressam os passos como se fosse acabar o mundo. não sei exatamente aonde elas pretendem chegar, não sei se é somente num lugar coberto ou algum lugar seguro (em todos sentidos da palavra). eu só estava indo trabalhar, de shorts e ked's, totalmente despreparada para um céu tão nublado, mas já era tarde demais pra mudar de roupa. cheguei aonde tinha que chegar, e não senti um pingo sequer. e o mais maluco, não choveu nada a noite inteira.
talvez criamos as sensações dentro da gente.
dentro de mim.
30 agosto, 2014
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