nunca tinha sentido a perda de alguém próximo assim. é estranho pensar que ele só foi o primeiro.
numa barreira-de-traumas, me contive durante todo o dia. talvez para bancar uma aparência, ou talvez por não conseguir simplesmente me expor a tantas pessoas.
dói tanto ver todos desfigurados, a cada abraço duradouro ter que confortar com algumas palavras repetidas que secavam minha boca.
e em meio aquele cheiro de plantas, morte e tristeza, cantou-se um cântico a Deus. leve-o em paz, meu Deus.
descanse em paz, vovô.
numa distância entre eu e aquele corpo ali, totalmente indefeso e (des)cansado, era visível que estava num mundo diferente desse. sentia paz, havia um sorriso escondido naquele rosto.
e num sentimento confuso, consegui lembrar de bons momentos ao lado dele, por mais que na minha vida inteira fora muito ausente, ou nas horas presente, destratava a todos, principalmente a quem eu mais amava. é, pagou o preço do seu vício. um dia isso aconteceria de alguma maneira. aconteceu e eu sabia.
'Deus sabe o que faz', acredito nisso.
senti-me um pouco fria, mas não me senti mal ao sentir isso.
é justificável o porquê dela. eu sei. eu sei.
e numa fé que não tinha há tempos, ao ver aquela guerreira ali de pé ao lado do corpo, percebi que bem-aventurado aquele que crê.
eu creio.
amém