eu não sei com que força estou digitando essas letras que formam palavras e por fim formam frases. não sei da onde vem essa dor, se veio do interno e passou pro externo ou vice-versa. se veio da minha história, do passado, ou da minha falta de controle. as pessoas insistem em voltar, aquelas que estavam quase-que-esquecidas. e vem à tona turbulentar, confundir, se expor. a verdade nunca foi clara, sempre fui protegida dela, protegida de todos os lados por amor. mas hoje não sou mais inocente, hoje eu penso, eu sinto, tenho opiniões. como dói saber de tudo isso, escutar da sua própria boca palavras tão insensíveis, tão cruéis e desmascaradas. eu conheci você. simplesmente você, sem máscaras, sem fantasias, sem boas lembranças, sem proteção materna. senti seu abraço frio depois de tantos anos, cruzei com seu olhar perdido, vazio. não senti o amor de artista que sempre achei que tinha. não tive vontade de falar do que gosto, da minha vida, não quis mostrar meus desenhos, nem falar que gosto de paralamas e djavan (mesmo que eles lembram muito você). eu sentia falta do que nunca tive, mas hoje percebi que já tenho tudo que preciso, do melhor jeito sincero e real. você é fantasia, você é história, você faz parte do que me tornei, mas não sou o que você é. eu sou realidade, sou amor, sou alegria, sou sincera, sou filha, sou humana e mais importante: não sou criança.
precisei sentir a frieza e o vazio, perguntar algum porquê e ter certeza que não preciso disso. não preciso. só preciso é do amor com aqueles que me criaram do melhor jeito, só preciso daqueles que deram a vida por mim e continuam dando, até o fim. mas saiba que não choro por arrependimento nem de saudade, minhas lágrimas são de desgosto pelo ser humano, especificamente por você que afirma que a vida é bela e sem consequências. e vem cá, a vida é bela com toda certeza, mas há, E MUITAS, consequências de acordo com cada atitude e palavra escolhida. eu sou uma consequência, não queria, porém não coube a mim a decisão.