26 julho, 2009
a cidade não pára. os carros e faróis desfocados, guarda-chuvas nas mãos, as nuvens ameaçando chuva e trânsito. olho através dos pingos no vidro, a rua está cheia e colorida pelos guarda-chuvas abertos, os sons de buzina e trovão, pessoas rindo em seus carros aconchegantes, pessoas descobertas correndo de um lugar para outro. cigarros acesos nas mãos, a fumaça desaparece entre os pingos densos e gelados. meus olhos parecem mais molhados que o asfalto, observam os detalhes, procuram por situações interessantes que me façam sorrir de alguma forma simples e espontânea. dor no estômago, a alma desabando por dentro com toda poesia digerida, o coração em frangalhos se recompondo a cada tragada, a cada cheiro de terra molhada, a cada passo com as botas enxarcadas . a controvérsia dos sentimentos bons contra os pensamentos ruins. mas a certeza de que a chuva levará tudo isso (de mim)