30 julho, 2009

porque chovia lá fora e chuvia muito aqui dentro. tava frio lá fora e eu precisei tanto de alguém pra esquentar a alma. te li e reli, tuas citações de caio, clarah e vinicius e tu dizendo que não existe mais nada nada que não seja coração, coração fodido, acabado, cansado. e fui me trancar na escuridão imensa e consegui escutar tua voz rouca de cigarros e ressaca cantando and I start to complain that there's no rain, and all I can do is read a book to stay awake, and it rips my life away, but it's a great escape pra mim. tua voz acalma meu coração fodido e olhei são paulo cinza e fria e úmida contigo, são paulo sempre está cinza e fria contigo, não mais fria que minha cama, vazia e imensa e sozinha. tua voz ecoou por toda noite na minha mente me salvando, me chamando, enquanto eu apertava meus olhos e minhas mãos bem fortes dizendo pra mim mesma que não aguento mais, que o amor destrói e minha alma desaba por dentro. porque chico disse que a verdadeira poesia desaba por dentro. mas vinicius disse que ele nao era feliz porque só alcançava a felicidade quando se queimava. e o amor queima queima pra caralho, o amor dói e dói mas é essa dor que nos faz viver e continuar. viver destrói mas precisamos continuar vivendo pra descobrir onde essa porra toda vai dar. são todas palavras do cerrado distante e quente e acolhedor, do excesso de cigarros amor e alguma bebiba, excesso de alma de carinho de poesia muita poesia, minha poeta.