

são paulo estava cheia de amor e cheia de gente ao redor, sentia-se o calor nordestino e paulistano, o gosto de cerveja todo dia na boca e o cheiro de cigarro nos dedos. abraços demais, palavras demais, sinceridade demais, muita chuva e uma loucura de sensações, que vinham e voltavam com a saudade e o álcool. o tempo correu contra mim e hoje sinto são paulo mais vazia. e esse vazio tende a crescer mais, até a dor no peito ficar (quase) fatal.
naquele chão, pernas de índio, cervejas e cigarros, falamos dos nossos heróis e das dores superadas ou não com lágrimas nos olhos. consegui sentir cada palavra penetrando na minha pele e eu só conseguia absorver vocês. o sentimentalismo cotidiano e claro, alcoólico, me fez amar ainda mais vocês, me fez perceber que vocês vão embora e eu me senti fraca, sozinha demais. foi a primeira vez que dei-me conta da saudade futura e nos abraços intensos, escorreu de mim, uma lágrima colorida. colorida por ser triste mas por ser tão bom ver vocês no mundo, dando as caras e crescendo. eu me preenchi de vocês e agora só quero transbordar esse amor sincero e real, sentindo saudade dos nossos cotidianos juntos. e na volta, a vila olímpia tornou-se maior e perdidas, bêbadas, eu estava tão bem porque tinha vocês comigo, me fazendo esquecer de coisas que preciso esquecer.
só quero transbordar vocês, hannah, erika e mariel.
(fotos: Gabriel Cabral)