a porra da normalidade não existe!
o que é ser normal?
31 julho, 2009
30 julho, 2009
porque chovia lá fora e chuvia muito aqui dentro. tava frio lá fora e eu precisei tanto de alguém pra esquentar a alma. te li e reli, tuas citações de caio, clarah e vinicius e tu dizendo que não existe mais nada nada que não seja coração, coração fodido, acabado, cansado. e fui me trancar na escuridão imensa e consegui escutar tua voz rouca de cigarros e ressaca cantando and I start to complain that there's no rain, and all I can do is read a book to stay awake, and it rips my life away, but it's a great escape pra mim. tua voz acalma meu coração fodido e olhei são paulo cinza e fria e úmida contigo, são paulo sempre está cinza e fria contigo, não mais fria que minha cama, vazia e imensa e sozinha. tua voz ecoou por toda noite na minha mente me salvando, me chamando, enquanto eu apertava meus olhos e minhas mãos bem fortes dizendo pra mim mesma que não aguento mais, que o amor destrói e minha alma desaba por dentro. porque chico disse que a verdadeira poesia desaba por dentro. mas vinicius disse que ele nao era feliz porque só alcançava a felicidade quando se queimava. e o amor queima queima pra caralho, o amor dói e dói mas é essa dor que nos faz viver e continuar. viver destrói mas precisamos continuar vivendo pra descobrir onde essa porra toda vai dar. são todas palavras do cerrado distante e quente e acolhedor, do excesso de cigarros amor e alguma bebiba, excesso de alma de carinho de poesia muita poesia, minha poeta.
26 julho, 2009
a cidade não pára. os carros e faróis desfocados, guarda-chuvas nas mãos, as nuvens ameaçando chuva e trânsito. olho através dos pingos no vidro, a rua está cheia e colorida pelos guarda-chuvas abertos, os sons de buzina e trovão, pessoas rindo em seus carros aconchegantes, pessoas descobertas correndo de um lugar para outro. cigarros acesos nas mãos, a fumaça desaparece entre os pingos densos e gelados. meus olhos parecem mais molhados que o asfalto, observam os detalhes, procuram por situações interessantes que me façam sorrir de alguma forma simples e espontânea. dor no estômago, a alma desabando por dentro com toda poesia digerida, o coração em frangalhos se recompondo a cada tragada, a cada cheiro de terra molhada, a cada passo com as botas enxarcadas . a controvérsia dos sentimentos bons contra os pensamentos ruins. mas a certeza de que a chuva levará tudo isso (de mim)
20 julho, 2009
11 julho, 2009
lama nos pés
pela janela branca via-se aquela chuva constante. no silêncio litorâneo, escutava-se apenas a chuva. nem o barulho das ondas fortes escutava-se mais. perdi o horizonte. o sol pareceu sumir durante dias. fazia frio, eu não levei roupa quente, apenas shorts e camisetas. incompleta, tediada, aquele apartamento é pequeno demais pra mim. desejei são paulo profundamente. prefiro o caos, o cinza paulistano. fazia muito frio, muito frio. resolvi voltar pra são paulo antes e vesti um shorts jeans e um moleton vermelho, precisava de alguma cor em mim. me deixaram ali na praça panamericana 8am. eu carregava meu corpo trêmulo, minha bolsa e um guarda-chuva ridículo nas mãos. assim que saí do carro pisei na lama. afundei meus dedos naquela coisa nojenta e marrom, minhas unhas ficaram sujas. que ódio. por que eu estava ali mesmo? esperei mais de 10 min naquele ponto desconhecido, precisando de um cigarro, tinha um posto ali na esquina, mas não queria perder meu ônibus. entrei, ainda bem que estava vazio, mas mesmo assim todos olhos perguntavam pra mim que roupa era aquela. minha perna já estava roxa. desci ali no ceasa pra pegar o terminal pirituba. não existia ponto de ônibus, a água suja de chuva e cidade ocupava a calçada inteira. uma velha puxou assunto comigo, roubaram o celular dela. pensei que meu sábado não era o único ruim. tava ruim pra todo mundo debaixo daquela chuva imensa. meu ônibus passou e tava vazio também, ufa. desci num ponto depois do costume, mais perto da padaria. marlboro azul, era o único que tinha maço. abri, peguei o isqueiro, acendi. eu tava pensando em parar depois de quase 1 semana sem fumar na praia. mas eu precisava. essa situação toda, as coisas dando errado, a saudade e as dúvidas aumentando. existia lama entre meu pé e meu chinelo. eu escorregava andando pela rua de casa, não chovia mais. tomei um dos melhores banhos da minha vida, quente. não pensei em mais nada quando senti aquela água quente nos meus pés tirando toda sujeira da rua, da lama, de mim. as vezes é preciso se sujar pra sentir limpa depois. e agora estou limpa, quente, mas ainda vazia por dentro.
04 julho, 2009
02 julho, 2009
te desejo uma fé enorme, em qualquer coisa, não importa o quê, como aquela fé que a gente teve um dia, me deseja também uma coisa bem bonita, uma coisa qualquer maravilhosa, que me faça acreditar em tudo de novo, que nos faça acreditar em tudo outra vez, que leve para longe da minha boca este gosto podre de fracasso...
(caiof)
(caiof)
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