03 fevereiro, 2010
fundidos
saudade da pele com pele, do gosto de suor, da língua contornando o corpo, dos dedos me (re)desenhando, dos sussurros, do cabelo despenteado, das roupas no chão, dos não-segredos, da sintonia perfeita que enchia o quarto até quase transbordar por entre os vãos. saudade do calor, do escuro visível, das mãos, dos pés encolhidos, do lençol bagunçado, dos corpos fundidos.
29 janeiro, 2010
26 janeiro, 2010
25 janeiro, 2010
20 janeiro, 2010
buenos buenos
o coração bate apertado e buenos aires tá lá longe, sempre linda e cheia do mundo. a saudade fica de um jeito doce e quente. a gente tenta voltar a nossa rotina de merda mas a varanda insiste em aparecer, assim como o sofá de couro na salinha dos fumantes, os litros de quilmes, weezer ou kings of leon que tocaram numa tarde qualquer, nos fast-food, na rua florida, nos parques e ruas largas, nos cafés da manhã lotados e os bancos de madeira, o movimento constante, diário, intenso de pessoas, sensações, coisas. talvez aquele calor todo faça a gente delirar, mas sei que foi real. meus pés sentiram as ruas quentes de buenos aires e meus olhos viram cada detalhe dos prédios, das casinhas, das pessoas bonitas e bêbadas. eu senti os ares.
e hoje o coração bate apertado com vontade de sentir os 35ºC nas costas e respirar os bons ares. novamente.
05 janeiro, 2010
04 janeiro, 2010
rio de janeiro

rio de janeiro é uma contradição enorme. a primeira impressão não é a que fica. vivi no aperto de copacabana cinco dias intensos com chuva, sol e areia nos pés. andei copacabana inteira até ipanema, subi o morro pra ver o cristo de perto, suei todos os pecados de 2009 pelo corpo inteiro e senti rio de janeiro até o talo. senti o samba no ar, escutei chico buarque e vinicius o tempo todo e entendi a poesia deles. dá vontade de fazer samba e amor até mais tarde. bares lotados e cerveja na mesa até quando eu estava tomando café da manhã, buzinas e polícias na rua ao primeiro olhar do dia pela janela. tudo muito intenso, agitado, lindo. os fogos bonitos e estrondosos faziam meus olhos brilharem, todos aplaudiam e gritavam e eu gritei e aplaudi junto, não sei se pelo ano que passou ou se pelo que estava vindo, mas eram todas sensações juntas. numa mão o champanhe e na outra, todo amor concentrado em duas mãos que se apertavam demais, desejando as mesmas coisas e sentindo nostalgia de muitas outras. a areia e samba nos pés fizeram ferida andando até ipanema, cerveja, festa na praia até quase o sol nascer, gente bonita, de todo tipo, samba nas veias, mar que pega de surpresa, céu estrelado. são paulo fez falta de uma forma doce, mesmo não tendo o verde e o azul do rio de janeiro, mesmo as pessoas sendo mais frias que os cariocas. eu me senti perdida em meio a tanto movimento desconhecido, comparei os preços no mercado e as (poucas) roupas que passavam pelas ruas. tentei fazer parte daquilo, mesmo tendo o samba na veia, não consegui por inteiro. ainda.
07 dezembro, 2009
03 dezembro, 2009
fuga
hoje tive medo da cor do céu, tive medo dos raios e da tempestade. tive medo ao assistir a porra do jornal e me atualizar apenas das desgraças: dos tornados no rio grande do sul, do piscinão no taboão da serra, dos alagamentos constantes em são paulo, das pessoas soterradas, da mãe que acorrenta o próprio filho na própria casa, do empresário pedófilo de 74 anos que comia 3 menininhas no motel. caralho que mundo é esse? quem são esses monstros que vivem no meio da gente?
eu só consegui pensar em fugir disso, fugir de são paulo e do trânsito, fugir do barulho e das enchentes. pensei em pegar minhas tintas, minhas fotos, minhas palavras e livros e fugir pra algum lugar bem longe, tranquilo, deserto. fugir não por covardia, só tenho medo de me tornar alguém que não quero ser em meio a essa loucura. hoje minha médica perguntou se queria tomar calmante, não eu não quero calmante! eu vou saber me equilibrar, só preciso de tempo. mas não depende só de mim, o mundo a minha volta influencia em tudo isso. ah, eu até consigo imaginar areia branca e mar azul, uma casinha de madeira, o gabriel bolando um cigarrinho de palha e eu assando uma lagosta pra gente. mas sabe qual é o pior de tudo? eu sempre sentirei falta dessa merda caótica que se chama são paulo.
eu só consegui pensar em fugir disso, fugir de são paulo e do trânsito, fugir do barulho e das enchentes. pensei em pegar minhas tintas, minhas fotos, minhas palavras e livros e fugir pra algum lugar bem longe, tranquilo, deserto. fugir não por covardia, só tenho medo de me tornar alguém que não quero ser em meio a essa loucura. hoje minha médica perguntou se queria tomar calmante, não eu não quero calmante! eu vou saber me equilibrar, só preciso de tempo. mas não depende só de mim, o mundo a minha volta influencia em tudo isso. ah, eu até consigo imaginar areia branca e mar azul, uma casinha de madeira, o gabriel bolando um cigarrinho de palha e eu assando uma lagosta pra gente. mas sabe qual é o pior de tudo? eu sempre sentirei falta dessa merda caótica que se chama são paulo.
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