eu desenhei nosso universo: perfeito e completo. me senti sozinha nesse mundo todo. me senti tola - vivendo só de fantasia. (parecia tão real)
esqueci da realidade. ruim, falsa, má. a realidade triste e egoísta.
a claridade do que é real fugiu de mim.
amar é sofrer, e eu me dispus a sofrer. não quero sofrer, (mas) quero amar. porém, não posso querer só amar (love is all we need).
as palavras destróem (ou quase) todos sorrisos e planos. os sentimentos sinceros, puros e cegos.
o mundo está cinza agora. como se são paulo me esfriasse, me acinzentasse. virei concreto, caos interno, vento gelado. perdi meus contrastes, meu brilho, a luz refletida nos meus espelhos. me perdi nas minhas próprias esquinas. confundi o chão com o céu, caminhei de cabeça pra baixo, senti a gravidade me corroendo, me destruindo. virei pó, me espalhei por todos muros e prédios. por todos cantos, bares e pessoas. me perdi na minha própria liberdade, foi uma sensação boa de ser livre, mas prefiro não voar (sozinha). não gosto de me perder, gosto das minhas verdades e eixos. ai, meu infinito particular (confuso e profundo).
13 abril, 2009
31 março, 2009
é tempo ...
é tempo de plantar, de aproveitar todas oportunidades, de se jogar, de se perder e voltar ao eixo, de conhecer pessoas, de selecionar verdadeiros amigos (àqueles que serão eternos). é tempo de apaixonar e desapaixonar, de se entregar de corpo e alma, de quebrar a cara, de se recompor, de viver tudo intensamente. é tempo de aprender todo dia, de levar as coisas a sério mas nem tudo, de dançar a noite inteira, de apegar e desapegar às coisas, às pessoas, aos vícios. não pára, não pode parar, o tempo não pára, a cidade não pára, nada, nada. é preciso entender que love is all we need, que sorrisos e promessas falsas tem de monte, se não, o que tem de mais por aí. porém é só saber onde encontrar sorrisos sinceros e abraços quentes, onde há amor, onde há poesia e música agradável. isso também tem de monte, só é preciso encontrar.
intensidade é a palavra desse tempo, tanto no riso como na lágrima. portanto ser intenso não é sinônimo de desequilíbrio, mas até aí eu também não sei medir intensidade de uma forma equilibrada. equilíbrio talvez seja o que a humanidade morre procurando.
chega do insconciente coletivo, das aparências protegidas, das verdades-mentiras. as coisas são ou não são, só falta coragem pra assumir (e ser) a verdade. não quero saber de fitas métricas e paredes brancas, só quero ter a certeza a cada dia que há épocas, tempos, fases. hoje é minha época, meu tempo, minha fase (e acredito que pode durar eternamente) contigo.
intensidade é a palavra desse tempo, tanto no riso como na lágrima. portanto ser intenso não é sinônimo de desequilíbrio, mas até aí eu também não sei medir intensidade de uma forma equilibrada. equilíbrio talvez seja o que a humanidade morre procurando.
chega do insconciente coletivo, das aparências protegidas, das verdades-mentiras. as coisas são ou não são, só falta coragem pra assumir (e ser) a verdade. não quero saber de fitas métricas e paredes brancas, só quero ter a certeza a cada dia que há épocas, tempos, fases. hoje é minha época, meu tempo, minha fase (e acredito que pode durar eternamente) contigo.
02 março, 2009
pés sujos
muita sujeira. lixo nas ruas, nas valetas, nos canteiros. cheiro do ralo exalando 24 horas pra quem passar por ali. sol, asfalto quente, suor na pele, cheiro humano no ar, impregnado no ar. gritos comerciais, quem vende mais, quem pirateia mais, quem rouba mais. mão firme na bolsa, descer as escadas, passar por um túnel ridículo de medíocre - vergonhoso dizer que aquilo é são paulo - medo, cansaço, asco.
asco é a melhor palavra pra resumir a pior sensação de todas. sim, sinto asco por tudo isso.
é tanto cheiro que não sabe se é lixo, carniça, esgoto ou humano. e esses 34ºC paulistanos queimando tudo, deixando tudo mais intenso.
ônibus cheio, ficar de pé, mão nos canos, bolsa na frente, água quente na bolsa, suor escorrendo pelas costas, pelo peito, pelas mãos, pela testa. pés sujos, chinelos imundos. trânsito clássico em plena segunda feira na anhanguera. acabem logo essas obras! descer num ponto que esvazia o ônibus. 'ar puro', não tão denso quanto aquele lá dentro. sentia minha pele suada, grudenta, suja, sentia areia e pó nas pernas. subi a ladeira, ofegante, tentando respirar descentemente. olhei pro céu e vi um céu rosa, laranja, amarelo. ainda existe beleza nesse mundo. esqueci do asco, esqueci da falta de ar, da ladeira enorme, olhava pro céu enquanto andava, tropeçava, mas via o que me fascinava. cheguei em casa, tirei a roupa grudada no corpo poluído, cheirando lapa, cheirando gente alheia. água, ÁGUA fria, água suja descendo pelo ralo, cheiros, cheiros de sabonete, de xampu, cheiro de banho, de limpeza. ufa! colocar a roupa mais leve, tomar suco de laranja gelado, comer salada com shoyu. olhar na janela e deparar diretamente com a lua. linda, crescente, colorida, nuvens e estrelas fazendo parte do conjunto. existe beleza nesse mundo. eu sei que ainda existe! basta saber olhá-las.
asco é a melhor palavra pra resumir a pior sensação de todas. sim, sinto asco por tudo isso.
é tanto cheiro que não sabe se é lixo, carniça, esgoto ou humano. e esses 34ºC paulistanos queimando tudo, deixando tudo mais intenso.
ônibus cheio, ficar de pé, mão nos canos, bolsa na frente, água quente na bolsa, suor escorrendo pelas costas, pelo peito, pelas mãos, pela testa. pés sujos, chinelos imundos. trânsito clássico em plena segunda feira na anhanguera. acabem logo essas obras! descer num ponto que esvazia o ônibus. 'ar puro', não tão denso quanto aquele lá dentro. sentia minha pele suada, grudenta, suja, sentia areia e pó nas pernas. subi a ladeira, ofegante, tentando respirar descentemente. olhei pro céu e vi um céu rosa, laranja, amarelo. ainda existe beleza nesse mundo. esqueci do asco, esqueci da falta de ar, da ladeira enorme, olhava pro céu enquanto andava, tropeçava, mas via o que me fascinava. cheguei em casa, tirei a roupa grudada no corpo poluído, cheirando lapa, cheirando gente alheia. água, ÁGUA fria, água suja descendo pelo ralo, cheiros, cheiros de sabonete, de xampu, cheiro de banho, de limpeza. ufa! colocar a roupa mais leve, tomar suco de laranja gelado, comer salada com shoyu. olhar na janela e deparar diretamente com a lua. linda, crescente, colorida, nuvens e estrelas fazendo parte do conjunto. existe beleza nesse mundo. eu sei que ainda existe! basta saber olhá-las.
16 fevereiro, 2009
o belo
a palavra salva. a palavra escraviza. quanto mais a uso, mais busco por outras. a falta, a procura, incessantemente. é daí que surgem os desentendimentos: pela escravização da palavra. quem não discute, não vive. quem não se desentende com quem mais ama, nunca se sentirá completo. qualquer relacionamento é construído por desentendimentos. são eles que nos fazem continuar a viver e ter beleza. palavras são autoritárias, sinceras, perversas, penetrantes. não há liberdade com a palavra. é preciso seguir o padrão, as leis, pra tudo tem-se um nome, e ponto, não mudará. mas tudo isso faz parte de uma representação - que é a vida. somos todos e apenas atores, vivemos o real e depois narramos de alguma forma estética a realidade (algo passado). porém somente os melhores (atores) conseguem enxergar o belo. não a beleza, mas a virtude das coisas não-físicas. virtude de sentir dor, de sofrer por amor, de expressar sentimentos, de provocar, de criar alguma moral dentro de alguma sociedade. só há virtude com estética, e essa, por sua vez, é a sensibilidade, o corpo, os desejos e vícios. por isso é muito maior que a racionalidade, já que envolve tudo, principalmente os sentidos. esses que nos fazem ser belos virtuosos vivendo em meios aos desentendimentos-construtivos, e afinal, felizes.
(isso que uma aula maravilhosa de estética e filosofia da arte faz com a gente)
(isso que uma aula maravilhosa de estética e filosofia da arte faz com a gente)
08 fevereiro, 2009
fim
luzes e cristais pendurados, cores completando cores, música alta, rodas de dança, amarelos, verdes, vermelhos, azuis, sem cores, bebidas amarelas, sementes de maracujá, conversas e risadas. la macarena, britney, chão, justice, cervejas, cinzeiros, varanda, calor, varanda de novo. quarto e banheiro cheios, sofás sem lugar, paredes manchadas, sorrisos grandes e olhos pequenos, mais cerveja, mais amarelo. rebouças, escada, sujeira, silêncio, pingos refrescantes. de volta ao barulho, ao inferno, coca cola, água, quarto vazio, cama macia, abajur aceso, janela aberta, sacola suja, coração partido, sozinha, chorar em silêncio, batidas na porta, lágrimas pretas, passado, verdades contadas, sensações ruins, banquinho na varanda, overdose de palavras, overdose de gente. excessos, quarto de novo, silêncio absoluto, eu queria voz, queria abraço, queria ir embora, 5am. sala vazia, luzes apagadas, troca de cama, 6am, cama pequena, calor, barulho urbano, cheio do ralo, sem ressaca, talvez ressaca de palavras, de barulhos, de coisas. pão com requeijão e coca cola. calor externo, frieza interna. que foi? silêncio e mais silêncio. porra, cansei das buzinas e motores, quero sua voz.
banho gelado, qualquer roupa, comida, solidão de novo, muita. acendi velas, era de noite, fiquei sem energia, e sozinha. o que seria do homem sem energia? números discados desesperadamente, tututututu. cansei, pensei em ficar ali deitada pra sempre. sem mensagens, sem triliiim do telefone, sozinha, me senti sozinha, muito. tive medo, quis ir pra rua, tinha mais claridade, as velas não me dão segurança. a luz voltou, a música voltou, a tv voltou, mas eu não, ainda me sentia sozinha. o que seria do homem sem companhia? tive medo de tanta coisa.
mas agora isso nada mais importa, acabou! (e ponto)
Hard times hard times come again no more
Hard times hard times come again no more
Hard times hard times come again no more
Hard times hard times come again no more
Hard times hard times come again no more
Hard times hard times come again no more
Hard times hard times come again no more
banho gelado, qualquer roupa, comida, solidão de novo, muita. acendi velas, era de noite, fiquei sem energia, e sozinha. o que seria do homem sem energia? números discados desesperadamente, tututututu. cansei, pensei em ficar ali deitada pra sempre. sem mensagens, sem triliiim do telefone, sozinha, me senti sozinha, muito. tive medo, quis ir pra rua, tinha mais claridade, as velas não me dão segurança. a luz voltou, a música voltou, a tv voltou, mas eu não, ainda me sentia sozinha. o que seria do homem sem companhia? tive medo de tanta coisa.
mas agora isso nada mais importa, acabou! (e ponto)
Hard times hard times come again no more
Hard times hard times come again no more
Hard times hard times come again no more
Hard times hard times come again no more
Hard times hard times come again no more
Hard times hard times come again no more
Hard times hard times come again no more
06 fevereiro, 2009
tô dentro
Caio sabe dizer melhor que eu ...
"Em luta, meu ser se parte em dois. Um que foge, outro que aceita. O que aceita diz: não. Eu não quero pensar no que virá: quero pensar no que é. Agora. No que está sendo. Pensar no que ainda não veio é fugir, buscar apoio em coisas externas a mim, de cuja consistência não posso duvidar porque não a conheço. Pensar no que está sendo, ou antes, não, não pensar, mas enfrentar e penetrar no que está sendo é coragem. Pensar é ainda fuga: aprender subjetivamente a realidade de maneira a não assustar. Entrar nela significa viver."
"Em luta, meu ser se parte em dois. Um que foge, outro que aceita. O que aceita diz: não. Eu não quero pensar no que virá: quero pensar no que é. Agora. No que está sendo. Pensar no que ainda não veio é fugir, buscar apoio em coisas externas a mim, de cuja consistência não posso duvidar porque não a conheço. Pensar no que está sendo, ou antes, não, não pensar, mas enfrentar e penetrar no que está sendo é coragem. Pensar é ainda fuga: aprender subjetivamente a realidade de maneira a não assustar. Entrar nela significa viver."
29 novembro, 2008
reflexo
imagem no espelho, lágrimas pretas na face, um monstro.
muita dor, profunda, imensa, doída. ficar de pé era quase impossível. acomodou-se naquele lavabo pequeno, daqueles que tem debaixo da escada.
fraca, muito fraca. seus gemidos e soluços saiam aos poucos, altos e profundos. queria ensurdecer todos no mundo. porque pra ela, o silêncio a tinha ensurdecido.
os olhos ardiam porque a maquiagem misturou-se com tanta lágrima, ardiam de tanto chorar, ardiam porque tudo doía de alguma forma. mais uma dor não faria diferença.
seu coração não existia, tinha desmanchado de desgosto por ele próprio. sua alma parecia doente, culpada, inatingível. o que restava? um corpo debilitado no chão do banheiro. em meio aos latidos da madrugada, ninguém sabia que alguém estava acordado (ou fora da cama) naquela casa. porta trancada, quem a veria ali? podia morrer, apodrecer que ninguém perceberia.
pensou no conto de caio fernando, quando a mãe de Raul morre, e ele se sente feio e triste e feio. 'podia ter sido mais legal com ela', seu feio feio e triste e feio.
ela se sentia muito triste, muito feia, pior que um monstro. as vozes ficavam na sua cabeça, rodando, bagunçando, enlouquecendo. não tinha maconha nem álcool, era tristeza, era dor. pior que qualquer droga, pior que qualquer coisa.
odiava ver sua imagem no espelho, e quanto mais via, mais gemia de dor.
ficou por lá até não aguentar mais, abriu a porta, estava frio. descalça subiu as escadas, limpou os olhos, deitou na cama quente, aconchegante, dormiu se sentindo melhor. talvez não era um monstro quando não via seu reflexo no espelho.
muita dor, profunda, imensa, doída. ficar de pé era quase impossível. acomodou-se naquele lavabo pequeno, daqueles que tem debaixo da escada.
fraca, muito fraca. seus gemidos e soluços saiam aos poucos, altos e profundos. queria ensurdecer todos no mundo. porque pra ela, o silêncio a tinha ensurdecido.
os olhos ardiam porque a maquiagem misturou-se com tanta lágrima, ardiam de tanto chorar, ardiam porque tudo doía de alguma forma. mais uma dor não faria diferença.
seu coração não existia, tinha desmanchado de desgosto por ele próprio. sua alma parecia doente, culpada, inatingível. o que restava? um corpo debilitado no chão do banheiro. em meio aos latidos da madrugada, ninguém sabia que alguém estava acordado (ou fora da cama) naquela casa. porta trancada, quem a veria ali? podia morrer, apodrecer que ninguém perceberia.
pensou no conto de caio fernando, quando a mãe de Raul morre, e ele se sente feio e triste e feio. 'podia ter sido mais legal com ela', seu feio feio e triste e feio.
ela se sentia muito triste, muito feia, pior que um monstro. as vozes ficavam na sua cabeça, rodando, bagunçando, enlouquecendo. não tinha maconha nem álcool, era tristeza, era dor. pior que qualquer droga, pior que qualquer coisa.
odiava ver sua imagem no espelho, e quanto mais via, mais gemia de dor.
ficou por lá até não aguentar mais, abriu a porta, estava frio. descalça subiu as escadas, limpou os olhos, deitou na cama quente, aconchegante, dormiu se sentindo melhor. talvez não era um monstro quando não via seu reflexo no espelho.
18 novembro, 2008
brighter than sunshine

cheguei sozinha, umas duas horas antes, desci as escadas encantada, que lugar lindo. as pessoas ainda estavam chegando, se conhecendo, se acomodando. voltei lá fora, sentei perto da grama, minhas pernas e meus ombros se aqueciam com aquele Sol não tão quente. escutava-se a música vinda de dentro, eu gostei daquele dj, talvez fumei os melhores cigarros naquele lugar. esperei e esperei, pensava em qualquer coisa, mexia no celular, olhava o pequeno movimento dos carros lá fora. era domingo, um domingo agradável. entrei de novo, andei mais, desci mais escadas, vi mais gente. não tinha graça sem você, não tinha. eu precisava de alguém para comentar 'ei, vc viu aquilo?' - você demorou demais pra chegar. pensei em ir embora, pensei que ficaria ali sentada por horas e você não apareceria. tive medo, bem bobo, eu diria, mas tive. não sei porque sinto essas coisas as vezes, não é insegurança, é receio. insegurança e receio são coisas diferentes, não são? depois de tanto tempo, depois de tanta gente chegar feliz e passar por mim, comecei a me desesperar. fumava incontrolavelmente. talvez hoje eu entenda o que o camelo disse, do cigarro ser a melhor companhia em tanta solidão. claro, não cheguei ao ponto de me afundar na solidão, aliás, naquele lugar verde, claro, vivo, nem tinha como. mas por dentro eu sentia, sentia muita coisa ruim, muito medo. as lágrimas sairam descontroladas e tímidas, um soluço baixo, abaixei a cabeça pra respirar fundo, quando levantei meus olhos em direção àquela entrada que não tirei meus olhos por duas horas, vi você entrando, bem na hora pra me socorrer. você puxou minha mão e me levantou naquele chão que parecia ter formado um buraco debaixo de mim. me abraçou, disse que me amava, que nunca me abandonaria. agora o choro não era de medo, era de conforto, de amor. obrigada por existir, por me amar, por estar comigo. me senti viva de novo, desci as escadas de outra forma, mais confiante, querendo mostrar que alguém segurava minha mão. eu tenho você. 'What a feeling in my soul. Love burns brighter than sunshine, brighter than sunshine. I'm yours and suddenly you're mine, suddenly you're mine'.
e naquele sofá tão branco, me senti suja ao dizer pra você porque estava chorando, não sei se é besteira, acredito que não, porque sentimentos e sensações não são besteiras. eles só estavam confusos, um pouco errados. e todos os momentos seguintes foram ótimos. todos momentos contigo são ótimos. você me traz um alívio!
'Love will remain a mystery, but give me your hand and you will see your heart is keeping time with me'.
16 novembro, 2008
o jantar
ligaram e eu disse para virem me buscar, vamos jantar num lugar legal, a noite está tão agradável. pararam ali um pouco antes da muvuca toda, entrei no carro, cheiro de cerveja, cheiro de pele queimada, vermelhos, vamos ali no Chinês em Pinheiros, comer algum macarrão, sei lá. restaurante pequeno e aconchegante, famílias nas mesas, éramos só mais uma. pede mais cerveja, pra mim um suco, minha cabeça me matava por dentro. me vê um macarrão shop shuey pra três, daqueles fritos com bastante legumes, que fome!, conversas alheias. era irritante o jeito dele brincalhão demais, falador demais, tirador demais, cerveja demais. isso cansa, cansa quando faz parte dos seus finais de semana, cansa uma filha ter que falar pro pai 'ei, chega né?' - tentei ao máximo conversar, falar em tom baixo, em palavras sinceras e mansas, olhos nos olhos, tentei dizer que entendo tudo o que eles prezam e são, mas que não serei como eles, nem como elas. valorizo tanto tanto, eles não imaginam como e eu nem sei mais como demonstrar isso. parece que eles são cegos pelos príncipios, pela razão. qual razão? a deles? eu tenho a minha razão e basta ela pra eu viver. palavras ofensivas, silêncio, olhares procurando coisas nas paredes, na bolsa ou qualquer lugar fugitivo daquela conversa chata, desgastante. ela saiu da mesa, foi pagar a conta, eu levantei, senti asco, asco por mim, por eles, pela cerveja, por essa situação tão constante ultimamente. ele foi o último a sair da mesa, saiu direto, atravessamos a rua, entrei no carro. no caminho de casa só escutava as guitarras no rádio, aquele cd que ele tanto gosta, ela dirigia, se perdia nas ruas paradas de são paulo. eu ia atrás, com frio do ar condionado, pensando que se eu acendesse um cigarro talvez eles nem percebessem, eu precisava de um alívio. encostei a cabeça no banco, senti dor, queria chorar como chorei sábado, porém queria mais, queria gritar, soluçar, dizer que eu os amo muito (mais que tudo até) mas não dá. não dá. eu preciso me planejar, procurar um emprego legal, fazer a faculdade que quero, não depender deles, não aguento mais essa dependência. me sinto mal a cada um real que peço, a cada dia que deixo de fazer minhas coisas por eles. a cada briga que me desgasta de uma forma que me faz pensar em desistir de viver. cheguei em casa com aquele sono, abri a porta, troquei de roupa, liguei o computador pensando que teria alguém interessante on line, sábado as 23h não tem ninguém em casa, marcella, abri o blog mas não conseguia escrever, tudo estava a mil na mente, não sabia digerir aquelas palavras bêbadas sinceras, não quero digerí-las, por isso tive que esperar mais um dia pra poder escrever, tive que descansar, passar uma noite inteira dormindo, de vez em quando acordando entre os lençóis bagunçados e ficar lembrando que sonhei com aquele jantar, aquele macarrão e aquela conversa, sonhei que fumei na frente deles, me senti tão mais eu, acordava com medo de qualquer coisa, será que fiz mesmo?. sonhei coisas paralelas mas tão ruins quanto. era algo como não ter mais ninguém ao meu lado, aquele que amo tinha me deixado, eu estava perdida. acordei suando, tirei o edredon de cima de mim, vi que horas eram, respirei mais fundo, virei de lado, abracei meu pinguim de pelúcia, senti que ainda tinha alguém sim, era apenas um sonho. dormi de novo pra acordar as 11 da manhã, desci na cozinha, comi meu pão com queijo e eles estavam lá, bom dia, dormiu bem?, tudo normal, parece que não existiram cervejas nem ofensas, nem choros internos. tudo volta a rotina, cada um vivendo sua vida mas convivendo na mesma casa, dependendo um do outro pra conseguir conviver, amando os defeitos, os excessos.
pensei em tomar um banho, almoçar qualquer coisa e sair, ir para um parque, deitar na grama debaixo do Sol, sentir paz, me sentir de novo, pensei ir naquele show que tanto gosto, naquele lugar legal que sempre quis conhecer, pegar um ônibus cheio mesmo sendo domingo, fazer o quero. eu vou tomar um banho e tirar esse cheiro de asco, de desgosto, preciso de qualquer coisa que me faça bem fora daqui.
pensei em tomar um banho, almoçar qualquer coisa e sair, ir para um parque, deitar na grama debaixo do Sol, sentir paz, me sentir de novo, pensei ir naquele show que tanto gosto, naquele lugar legal que sempre quis conhecer, pegar um ônibus cheio mesmo sendo domingo, fazer o quero. eu vou tomar um banho e tirar esse cheiro de asco, de desgosto, preciso de qualquer coisa que me faça bem fora daqui.
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