"Não é a altura, nem o peso, nem os músculos que tornam uma pessoa grande, é a sua sensibilidade sem tamanho."
Martha Medeiros
11 março, 2010
01 março, 2010
dia nostálgico
o dia amanheceu cinza e escutava-se os pingos da chuva caindo na telha a noite inteira. o dia nasceu nostálgico. assistia-se o mundo mudo, e tudo parecia acontecer exatamente ao ritmo de seu ipod. stereophonics pra começar um dia nostálgico. aquelas épocas e pessoas, as mesmas sensações de sempre ao escutar aquelas batidas. tem coisa que não muda. chovia sem parar, pés gelados, cigarros acesos em meio às mãos ocupadas e aos pingos constantes. kings of leon agora tocando e a vontade de cama, edredon e companhia. a confusão do velho com o novo mas as sensações são as mesmas, intensas e intrigantes. e tudo torna-se uma vontade só e um pensamento só: eu.
22 fevereiro, 2010
sorriso-fingido
eu mesma me desenterrei, tirei o pó e me coloquei na estante de
madeira. bem ao seu lado, ao lado do seu perfume paco rabanne
que te dei, ao lado dos livros e dos filmes de suspense, ao
lado do santo sem nariz que seu pai pediu pra colocar ali. tão
presente na sua rotina de olhar. tudo tão simbólico (para mim).
e você me perguntava com os olhos porque eu estava triste e eu
me contive em sorrir bonito.
madeira. bem ao seu lado, ao lado do seu perfume paco rabanne
que te dei, ao lado dos livros e dos filmes de suspense, ao
lado do santo sem nariz que seu pai pediu pra colocar ali. tão
presente na sua rotina de olhar. tudo tão simbólico (para mim).
e você me perguntava com os olhos porque eu estava triste e eu
me contive em sorrir bonito.
12 fevereiro, 2010
meu pré-carnaval
nada mudou, os móveis continuavam no exato lugar. só não existia mais minha foto na estante, meu cheiro no travesseiro ou no armário. não existia mais nosso retrato empoeirado. e entre choro angustiante e nostálgico, houve amor, pele e dor, muita dor. a chuva diária caía forte lá fora e o cheirinho de asfalto e terra molhada entrava no quarto junto com o incenso aceso e a erva queimando. nossos sorrisos congelados e secos, cantamos 'use somebody' com a alma explodindo e os olhos úmidos, dançamos beatles e sentimos aqueous transmission com os braços e costas coladas uma na outra. uma sintonia do caralho que me deixava sem fôlego, em êxtase, com medo e com saudade. a chuva parou lá fora e acabou a sintonia, o medo prevaleceu, as verdades se confundiram com as mentiras, perguntas, a dor doída que só me fez fugir sem olhar para trás, as palavras duras em voz de veludo querendo sair e que não saíram. e no fim, matei-as dentro de mim.
08 fevereiro, 2010
não uso drogas
no escuro imenso, escutei meu nome e senti mãos me tocando, mas na verdade não sentia meu corpo, parecia flutuar. devagar fui sentindo o peso da gravidade em cima de mim, do meu rosto colado no chão. formigava e eu suava frio, pálida, sendo erguida por braços que me amam e só queriam me socorrer. as horas não passavam e a cada segundo parecia que minha cabeça explodiria. pedi gelo mas até o peso dele me doía e o sono não vinha. chorei de medo, de dor, de aflição. não usei e nem uso drogas, só me droguei de risadas e de pessoas queridas e bêbadas. preciso acreditar que foi esse calor paulistano que me fez delirar e desmaiar.
07 fevereiro, 2010
são paulo ficou vazia.


são paulo estava cheia de amor e cheia de gente ao redor, sentia-se o calor nordestino e paulistano, o gosto de cerveja todo dia na boca e o cheiro de cigarro nos dedos. abraços demais, palavras demais, sinceridade demais, muita chuva e uma loucura de sensações, que vinham e voltavam com a saudade e o álcool. o tempo correu contra mim e hoje sinto são paulo mais vazia. e esse vazio tende a crescer mais, até a dor no peito ficar (quase) fatal.
naquele chão, pernas de índio, cervejas e cigarros, falamos dos nossos heróis e das dores superadas ou não com lágrimas nos olhos. consegui sentir cada palavra penetrando na minha pele e eu só conseguia absorver vocês. o sentimentalismo cotidiano e claro, alcoólico, me fez amar ainda mais vocês, me fez perceber que vocês vão embora e eu me senti fraca, sozinha demais. foi a primeira vez que dei-me conta da saudade futura e nos abraços intensos, escorreu de mim, uma lágrima colorida. colorida por ser triste mas por ser tão bom ver vocês no mundo, dando as caras e crescendo. eu me preenchi de vocês e agora só quero transbordar esse amor sincero e real, sentindo saudade dos nossos cotidianos juntos. e na volta, a vila olímpia tornou-se maior e perdidas, bêbadas, eu estava tão bem porque tinha vocês comigo, me fazendo esquecer de coisas que preciso esquecer.
só quero transbordar vocês, hannah, erika e mariel.
(fotos: Gabriel Cabral)
03 fevereiro, 2010
fundidos
saudade da pele com pele, do gosto de suor, da língua contornando o corpo, dos dedos me (re)desenhando, dos sussurros, do cabelo despenteado, das roupas no chão, dos não-segredos, da sintonia perfeita que enchia o quarto até quase transbordar por entre os vãos. saudade do calor, do escuro visível, das mãos, dos pés encolhidos, do lençol bagunçado, dos corpos fundidos.
29 janeiro, 2010
26 janeiro, 2010
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