12 setembro, 2010

certezas são para sempre?

eu queria saber o que faço com as certezas que tínhamos. as certezas deixam de ser certezas algum dia?

(tenho medo de voltar a ser um indivíduo totalmente independente no mundo vazio e mal.)

o amor?

outro dia me disseram que o amor é idiota. hoje caio me disse que amor é falta de QI. e eu ainda acredito no amor.

29 agosto, 2010

09 agosto, 2010

pés gordinhos

é tarde de domingo. na sala há livros abertos, fotos espalhadas, brinquedos no chão, louça na pia cheia de preguiça. ele de meias, bermuda e um suéter um pouco surrado. lá fora está um cinza típico de domingo-para-ficar-em-casa. no colo dele, a criança mais linda do mundo com o sorriso mais gostoso mundo (para ela). a tevê está desligada, o rádio toca alguma coisa nostálgica, algo da época em que ainda eram novos. e de longe, com sorrisos transbordantes e olhos apaixonados, ela congela aquelas risadas de cócegas e palhaçadas. congela os cachos em dobro, as peles branquinhas, os pés gordinhos escondidos pelas meias. mais um momento diário-incrível registrado para se tornar eterno, para quando ser visto, poder sentir as mesmas sensações boas de quando foi registrado. ele é um pai incrível: apaixonado. e ela, a mãe super protetora. e o dono dos pés gordinhos: a criança mais linda e mais amada do universo. totalmente acostumado com as tintas pelo chão, os clicks constantes e todo mimo dado pelos pais.


eu tive essa imagem no dia dos pais. e foi a coisa mais real que já vi. quando a gente ama e tem certeza da pessoa ao lado, todos sentimentos e planos mudam. eu decidi que quero ser mãe, eu nasci para ser mãe. e encontrei a pessoa que me dá segurança de construir uma família linda, do jeitinho que vi. consegui até escutar o som das gargalhadas gostosas e o cheirinho de almoço de domingo pós tirado da mesa. precisei registrar isso aqui porque considero muito importante registrar tudo o que vivo.

03 agosto, 2010

sem efeito de álcool

em meu corpo ainda havia álcool gratuito e sorrisos bobos. o salto das botas faziam meus pés formigarem de dor. e mesmo assim tentei me manter forte. totalmente segura. talvez eu insista em coisas que não deveria insistir. talvez incomode de um jeito agonizante. estou agoniada, e pior, agora, sem efeito de álcool algum no corpo.

29 julho, 2010

cheiro de lírio e cores de gérberas



tenho muito imaginado os cômodos. não sei quantos seriam, com certeza não muitos, mas o suficiente pra se viver. penso em cada parede, em qual teria fotos ou palavras ou apenas tinta, mas claro, todas terão muito de mim. penso no piso: piso gelado ou carpete? aprendi a gostar tanto de cimento queimado. mas talvez essa opção fique para um futuro mais concreto. penso nos lençóis que compraria, se seriam cores suaves ou vibrantes, estampados ou lisos. penso nos copos, em toda a louça, no guarda roupa. desejo tanto um lugar bonito, doce, feito de mim e para mim. cheio de amor e calmaria. longe do caos que é minha vida hoje. sei que o caos sempre sempre sempre estará presente em todas suas formas caóticas, porém não teria ninguém para eu cuidar além de mim. não teria ninguém no sofá quando eu quisesse sentar e assistir a um filme, não teria ninguém ao telefone quando eu quisesse dizer oi para alguém, não teria ninguém ao banheiro quando eu quisesse tomar um banho só pra relaxar. tudo aqui é sufocante é desgastante demais. não há privacidade para ler um livro ou até mesmo para chorar quando dá vontade. cansei de fugir das pessoas, das paredes finas, das conversas sérias por celular. cansei de fugir de mim mesma, da minha desculpa da falta de espaço, da falta de tempo, eu cansei da minha mesmice, da monotomia desses dias. preciso de um ar que só respirarei e sentirei quando estiver definitivamente fora daqui. preciso aprender a me sustentar, a sofrer sozinha e a dormir no escuro. tenho pensando muito em duas palavras: (ser) indivíduo e (ter) liberdade. preciso entender o que é ser um indivíduo nessa sociedade massacrante, entender o que é aluguel e comida na geladeira. preciso preservar o amor (e isso só longe daqui!). preciso me "prender" em outras tantas coisas (boas).
deixe eu sonhar nas cores das toalhas penduradas no box, com as prateleiras cheias de tinta, com as revistas recortadas pelo chão, com os pés descalços, com o som alto, com o incenso e o cigarro acesos, a geladeira cheia de coisas que eu gosto, com os chinelos na porta, com os espelhos e quadros pendurados nas paredes, as frutas frescas, as roupas limpas empilhadas no guarda roupa, o cheiro de limpeza que eu gosto, o cheiro de lírios e gérberas de todas as cores. afinal a gente precisa sonhar para viver. e eu preciso viver.

21 julho, 2010

nesse momento, eu só preciso crer que o amor é mais forte que todas doenças, palavras ofensivas, mágoas e passado.
o amor é o sentimento mais bonito de todos.

13 junho, 2010

cansei de não ser suficiente para as pessoas.

04 junho, 2010

dr parnassus e mr lúdico

ontem entramos no mundo imaginário do dr parnassus juntas, sentimos todas sensações surreais juntas e imaginamos como seria nossos mundos imaginários. paramos na avenida paulista em frente ao cara charmoso que toca guitarra e juntamente com todo barulho urbano, ouvimos aquela melodia que de alguma forma define são paulo. em meio aos prédios cinzas e o relógio do itaú marcando 17ºC, sentamos no safra, cigarros de espera, compramos um livro sobre meditação e superconsciência com nossas moedas. você contou histórias araraquarenses e eu disse do caos paulistano que continua o mesmo. matamos a saudade daquilo que já vivemos muito juntas, falamos de 2006, de caio e de mombojó. lembrei-me de como você é única em minha vida, de como sinto sua falta no meu cotidiano, de como você está além da parceria: você faz parte de mim.
eu sempre estarei aqui para sentir são paulo com você, sentar num banco na rua augusta e escutar o mr lúdico tocar uma música para você e rir dessa loucura inexplicável que é essa cidade.

02 junho, 2010

nadismo

tanto a dizer mas a incapaz mente cansada (me) impossibilita de fazê-lo.
as vezes tenho a impressão que escrever não é mais o suficiente para me sentir melhor, talvez uma música ou algumas cores respingadas nas mãos me façam bem.
cansaço que consome, o sono sendo interrompido pela preocupação, pelos sonhos estranhos, o corpo parece não descansar o quanto deveria. a mente que deixou de absorver informações, visto que teve overdose de tantas palavras do Hauser, da Cristina Freire, da Rosalind Krauss, dos textos e textos que somos obrigados a ler e resenhar e entender e responder questões a respeitos deles. e justo no dia em que eu poderia sair e me entregar ao mundo, não há forças físicas e mentais. o sofá gelado parece querer companhia, a cama bagunçada com cobertor e edredon misturados parece querer me esquentar, tento não querê-los. tento descansar com um livro emprestado, ou com as fitas coloridas no papelão, mas tudo já esgotou. queria me jogar numa pista de dança qualquer e sair renovada mas nem escolher uma roupa consigo.
hoje o dia está estranho. já chorei no telefone por saudade-manhosa. já chorei de tanta dor nesse estômago-doente de ansiedade e estresse urbano.
hoje senti tudo tudo tudo. hoje quis tudo que não podia ter.
e só continuei no querer, no nada.