04 setembro, 2008

traz um alívio

o sol refletia suas inúmeras cores naquele lago, tão calmo, tão lindo. era fim de tarde, via-se o pôr-do-sol, alguns patos e pássaros brincando, pessoas andando, pessoas se amando, outras estáticas. não parecia são paulo, não escutava buzinas nem barulho de carros descontrolados. senti tanta coisa ali sentada naquela grama molhada. naquele tronco tão desenhado, debaixo daquela árvore tão cheia de vida. falávamos de coisas vividas, de fatos, de amizade. eu precisava dela, daquela conversa, de verdades, de um mc chicken que só estraga meu estômago. mas pelo momento tudo vale, tudo.
eu quase desisti de tentar, foram inúmeras ligações, inúmeras frases decoradas e não ditas. mas no último momento deu certo, algumas boas cervejas renderam em ótimas risadas e sotaques. dreads, espasmos, carinho. não durou mais de duas horas, mas foi muito mais válido que isso. mais um ônibus se passa e eu fico a esperar, mas não por vontade de esperar, e sim por ter com quem estar. eu queria tanto um lugar pra fugir, pra escrever e não ter ninguém pra falar que isso é besteira, que é um diário. são verdades, são momentos, não importa o resto. eu posso sentir tudo isso.

'debruçada no cansaço na correria do dia
eu tava atrás do desapego até voce chegar
não quero mais desespero, me traz um alívio
me traz um alívio na voz'.

queria andar toda madrugada no meio da rua, não tem sensação melhor que essa. sentir aquela brisa gelada, escutar um silêncio ensurdecedor, somente alguns latidos no fundo das casas, ver as luzes se apagando pelas janelas, a lua tão mais bela que o normal, somente ela acesa, parece até que tem luz própria. sair sem rumo escutando arizona. me traz um alívio. de novo tudo vira vício.