ultimamente estou me sentindo como uma esponja. absorvo tantas coisas. porém essas coisas não são boas. os gritos ficaram gravados na minha mente, as palavras, os rostos... aquele choro interminável, as inúmeras lágrimas que enxuguei.
não posso absorver tudo isso, preciso tanto ficar bem comigo mesma. e consequentemente com as pessoas. não estou querendo fugir, estou fazendo o que posso. eu acho.
às vezes penso que tampar os ouvidos é melhor. fechar meus olhos, pensar só em mim. isso, só pensar em mim. é ser egoísta? estou numa fase em que preciso focar meus objetivos, meu foco talvez não seja socorrer todo mundo, ouvir todo mundo, dar meu ombro por aí.
ninguém quer escutar o que penso, meu conflito interno, minhas tantas dúvidas e inseguranças. queria tanto saber toda verdade, entender tudo o que acontece em volta. mas acho que quanto mais verdade, mais deprimente a vida fica. não quero pensar que a vida é assim.
estou me sentindo tão estranha, os fatos ruins tem superado os bons, nunca fui assim. sempre fui tão otimista e confiante. não estou querendo fugir, não sou covarde, só preciso reavaliar meus princípios, até eles se perderam. hoje faço coisas das quais nunca gostei e era contra, portanto acredito que seja fase, meu momento de abrir a mente, de experimentar novas histórias, novos personagens, novos vícios. só preciso sair dessa rotina dos mesmos amigos e da mesma maneira de levar a vida. me senti madura ao olhar pra trás outro dia e percebi que havia muita coisa diferente. eu cansei de ficar na areia esperando a onda chegar, entende?
preciso ser parada numa tarde de 6ª feira na av paulista e ser interrogada 'você é feliz?', e não hesitar 'sou muito feliz!' - mesmo sendo estudante, mesmo não tendo dinheiro pra tudo que quero fazer/ter, mesmo sendo brasileira e vivendo nesse país de merda, mesmo sendo (ou tentando ser) uma artista sem apoio dos próprios pais, e tantas inúmeras coisas negativas, eu sou feliz!
preciso rir à toa com os caiderantes que pedem esmola nos faróis, preciso tirar foto do pôr-do-sol entre os prédios, ou de qualquer momento digno de ser registrado. preciso passar em frente à Fnac e descobrir que está tendo um pockt show de uma banda legal. preciso ter espasmos e companhia para realizá-los. preciso de espelhos no teto para me encontrar, de um banho frio num dia frio, de cobertas estranhas pra perceber que gosto das minhas. preciso reviver bons momentos, encontrar velhos amigos e vê-los mudados também. rir de um passado tão perto mas que parece ter vivido há décadas. preciso acordar num domingo bem cinza e ser convidada pra um cinema. os desafinados. chorar com eles, chorar com as músicas, amores, paixões. perceber que todos amam e se apaixonam desesperadamente, instantaneamente. não sou a única egoísta. posso amar e me apaixonar ao mesmo tempo. porém posso enlouquecer por isso.
'Que no peito dos desafinados
No fundo do peito
Bate calado,
Que no peito dos desafinados
Também bate um coração.'
eu preciso apenas viver esse tão-meu momento (desafinado)