11 novembro, 2008

sobre Caio

é sobre conversas debaixo do guarda-chuva, pés molhados, são paulo fria e tão aconchegante. no 15º andar, aquecedor, alguma esfiha de verdura e cerveja, esperando aquelas palavras que tanto já sabe de cor, que tanto já usou como se fosse as próprias. e naquela confusão de eus: de raul e de saul, de rotina e café, van gogh e cazuza, naquele deserto de almas, filmes como estopim para qualquer conversa e para no fim, misturar-se. e misturaram. deitaram nus e quase a noite inteira viam a brasa acesa do cigarro do outro. não importa se foram despedidos, se foram nominados aberrações por qualquer anonimato, "Um Atento Guardião da Moral", eles tinham um ao outro, e pra sempre (pela primeira vez um 'pra sempre' fez muito sentido pra mim). e naquelas poucas luzes e muitas palavras, chorei, chorei porque doía lá dentro, caio fernando sabe tocar na alma, deixa o amargo, o triste-muito-triste. e foi após a alma lavada, a maquiagem borrada e os telefonemas não atendidos, que saímos dali, na chuva, atravessando a paulista inteira. é sobre conversas debaixo do guarda-chuva, sobre pés molhados, sobre qualquer coisa que nos fazia sentir bem, afinal, éramos outras pessoas.
eu sentia saudade de rir tanto como ri, dançar com a alma, ver sorrisos lindos de cima do palco, do sorriso apaixonado ao sorriso amigável, aquela luz que me fazia suar de alegria, sensações, muitas sensações, te ter por perto, beber qualquer coisa gelada refrescando meu corpo, cigarros acesos compulsivamente, sofás debaixo do ar condicionado, músicas que me faziam sair do sofá e me jogar na pista, só eu e você, luzes piscando, pézinhos juntos, corações entrelaçados e palavras de monte. porque sou sua menina e você é meu menino. tudo vale a pena quando a alma não é pequena.