01 setembro, 2008

guardar a lista

pés descalços sambavam no tapete no centro da sala. rolava um samba, um rock, uma macarena. eram flashs e conversas paralelas. podia ficar uma noite inteira de barriga pra cima olhando qualquer movimento. via são paulo e sentia o frio do sétimo andar. não precisei de nada para brisar naquele lugar, naquilo.
é tudo tão novo, tão preciso. eu posso precisar disso, não posso?
eu preciso e ponto!
preciso até daquela garoa mais chata, andando à procura de qualquer prédio em qualquer esquina, e entre rostos estranhos, sempre tem os conhecidos. mas os estranhos tornam-se queridos rápido demais. tudo é rápido demais. não é?
os sorrisos só aumentam a cada dia, os baús estão bem cheios.

eu tinha todos assuntos possíveis para escrever, mas preferi não misturar.
eu só quero saber de coisas boas, de momentos raros. felizes!
algumas coisas não valem a pena, talvez, de serem mencionadas.

agora preciso guardar uma lista um tanto estranha, mas uma lista de coisas ótimas.
é, é melhor guardá-la.

28 agosto, 2008

cadê marte ?

eu não consegui ver Marte hoje. saí pela rua à procura de algo no céu, só não sabia exatamente o quê. tá fazendo um friozinho nas noites paulistas. são noites tão aconchegantes.
não tinha lua, nem marte, só estrelas, até que bastante para uma noite nublada. e tinha muitas nuvens também. amanhã talvez saia algo no jornal sobre tudo isso, veremos!

mas antes de procurar lua e planeta, ganhei duas luas.
foi durante a tarde, assim, repentinamente. e sim, foram duas.
uma grande e cheia, outra crescente, pequena e especial.

até que hoje daria para guardar muitos sorrisos,
alguém quer colecioná-los?
encheria uma caixa, eu acho.

é, encheria um baú, quem sabe.

25 agosto, 2008

uma lista

preciso escrever para me calar. tentar colocar as coisas em algum lugar.
preciso perder uns 5 kg, preciso comer só maçã, preciso prestar enem semana que vem e estar preparada, preciso estudar muito mais do que estudo, preciso ver a peça do wagner moura, preciso baixar novas músicas e escutar os meus primeiros cd's gravados, preciso de uma calça jeans nova e preciso receber dinheiro de muita gente que me deve. preciso sair desse computador, mas ao mesmo tempo é tão necessário pesquisar nele. preciso parar de tomar refrigerante e fazer uma endoscopia urgente, meu estômago tá me matando. preciso fazer as unhas do meu pé, preciso cortar meu cabelo que tá gigante e sem corte.
preciso escutar aquele sotaque de novo, mas preciso ver aquela calça de sarja que tanto sinto falta, preciso daquele abraço apertado diariamente.
tava precisando que alguém cantasse pra mim, mas não qualquer música nem qualquer pessoa.
precisava comprar canson e tintas novas, mais coloridas, preciso terminar tanta coisa que comecei. preciso das minhas fotos na parede.
preciso ver nome próprio de novo pra digerir melhor, preciso ler a máquina de pinball, preciso terminar tantos livros, preciso assistir mais gnt, preciso dar satisfação a velhas amigas, preciso ver mais algumas pessoas realmente interessantes. preciso de uma tequila, de fotos novas, de bares novos.
preciso de crédito no celular, preciso planejar minha viagem de final de ano. preciso de outro curso de desenho, de mais história da arte.
preciso procurar novos amores, chega dos velhos, chega de dores antigas, das mesmas histórias. elas se repetem, porém posso ter histórias diferentes de todas que já tive também.
preciso de dinheiro pro show da madonna (hahaah), preciso ser figurante de novo, até que é legal!
preciso da minha parceria, tô com tanta saudade dela, dos dias simples tão significativos.
preciso ver mais exposições, perdi algumas tão boas esse ano.
preciso me organizar mais, pensar mais.
preciso ver porque tô tremendo tanto ultimamente, não tenho vício nenhum, o que poderia ser?
acho que é a falta de algum, então.

eu tô bem,
só preciso de tudo isso.

18 agosto, 2008

um bucado de mim

a confusão insiste mesmo em mentes ocupadas.
é chegar em casa e não ter aquela paz tanto almejada.
são coisas que misturam-se, ficam distorcidas, feias, doloridas. depois tornam-se tão distantes, quase perdidas (será que existe em pensamento ainda ?), e como um ciclo, tende a ficar perto, às vezes 'perto demais'.
é real? isso não está claro, o presente e o passado parecem um só, ou seria um mundo pararelo no qual imaginei tudo?
parecia tão real, senti tão intensamente, toquei, respirei o mesmo ar, apertei aquelas mãos frias, escutei aquelas músicas que definem alguém, várias e várias vezes. misturei as cores e elas insistiam em formar sua imagem.
talvez eu não tenha mais aquela certeza, algumas coisas mudaram (bastante).

entretanto, aprendi que as pessoas se encontram e se perdem, é algo tão natural como beber água e ir almoçar. o amor disacelera e acelera incansavelmente, repentinamente, aí que nos encontramos por algumas muitas vezes. e faz disso tão estranho, tão bizarro.
porém, são das coisas bizarramente estranhas que realmente nos apaixonamos e almejamos.
isso eu não quero e nem pretendo entender, só preciso viver.
preciso tanto viver.

'Mas vai e antes de ir embora leva
Leva bucado de mim'
(3 na massa)

08 agosto, 2008

É, só tinha de ser com você

eu não me canso de escutar as mesmas músicas, colocar no 'repete' toda vez que escuto-as. não me canso de ver as mesmas fotos, em sequência ou aleatoriamente. não me canso de ler os mesmos versos, lembrar dos mesmos fatos.
isso tudo é tão nosso, te sentir, relacionar tudo a você.
às vezes me sinto tão idiota de confessar isso, me sinto tão errada. penso que preciso conter-me mais nas palavras já que são muitas.

aquelas conversas na cama, nossos sprays na parede, minha marca em você, minha lista de defeitos tanto meus quanto seus, seu cinto de couro (brochante) e suas meias coloridas, suas camisetas dos smiths e dos beatles, meus desabafos interrompíveis, sua companhia no portão aqui de casa, nossos diamantes negros, meus gritos internos, seu ciúme quase neurótico, minhas palavras duras, seu manjar líquido, meu bolo de fubá compacto.
eu poderia citar mil coisas, mil dias, todas as coisas que definem a gente.
mas é tão difícil colocá-las em sequência, numa ordem inexistente, estou insegura.

só quero dançar todos lp's que estão ao lado da sua vitrola, ask me ask me ask me, só de cueca e meia e toda sua malemolência, acende um incenso, deite do meu lado e olhe nos meus olhos dizendo 'É, só tinha de ser com você', assim como Elis disse.

faça do seu prólogo nossos dias, minhas palavras.

03 agosto, 2008

os que tem asas

enquanto enxugava as poucas lágrimas que escorriam pensei que isso era bobagem. que não preciso de olhos conhecidos para apreciarem algum movimento feito por mim.
sendo uma última apresentação, eu esperava aqueles que tanto são importantes. não estou pedindo apoio nem um elogio, mas vocês poderiam ficar perto de mim, me abraçar e desejar-me sorte antes de eu subir no palco?
talvez sejam tantas balelas neuróticas, mas são tão significativas. não são?
porém durante essa crise pré-palco conseguiram me encorajar de tal forma que desconhecia até agora (as reais palavras, sem acréscimos):

'vá lá. faça a melhor apresentação da sua vida. faça-a pra você. você merece muito mais que todo mundo que sua performance seja a mais linda de todas. quando você chegar em casa, deita na cama e lembre de cada passo que você fez. eu sei que é dificil isso. mas existe uma coisa muito maior que tudo isso: o amor que você tem por dançar. então faz o melhor que você pode.'

eu prometi que dançarei como jamais dancei antes. sentirei aquelas luzes quentes e coloridas penetrando em mim, farei com que todo esse sentimento borbulhoso transpareça a cada giro, a cada movimento. darei o meu melhor, e depois de tudo isso, fecharei meus olhos e lembrarei de cada único momento, meu momento.
e nos encontros de pensamentos é você quem eu encontro, é pra você que eu dançarei. me sinta. te sinto. na verdade, nunca parei de sentir. meu (quase) show exclusivo. não perca!

como caio fernando disse 'é difícil aprisionar os que tem asas!'

28 julho, 2008

blábláblá


é todo dia, várias vezes. ligados um ao outro, sentindo um ao outro.
só preciso saber que você está em qualquer lugar pensando qualquer coisa sobre mim.


blábláblá

21 julho, 2008

meu Sol de inverno

eu precisava de mim, de ficar sentada por horas sentindo aquela brisa e escutando o barulho das ondas. precisava desligar-me de um mundo tão cansativo. precisava fazer minhas leituras, ver alguns filmes interessantes, precisava ligar o rádio e escutar qualquer música dançante.
precisava sentir saudade e escutar algumas poucas vozes.
senti tudo. senti o Sol de inverno penetrando em minha pele, senti o suor escorrendo pelo meu corpo. senti a tranquilidade fora da cidade. degustei os mais deliciosos sorvetes, os doces mais doces. senti saudade de épocas. senti meus pés descalços na areia deixando marcas para trás.
eu precisava de uns dias-familiares, de algumas conversas sinceras demais com palavrões e piadas internas. precisava dizer o meu lado, a minha dor. e precisava escutar o lado de vocês.
aquelas 2 ou mais horas de gritos e calmaria foram tão necessárias quanto todos esses sentimentos e sensações juntos. ter o conhecimento de regras misteriosas e um pouco implícitas, de dores passadas, de um futuro premeditado, de um presente tão confuso e sem soluções.
falei de tantas dores com aquela voz guardando tanto choro dentro de mim, portanto ao falar, senti aquele alívio como a brisa do mar que faz o cabelo voar.
e lendo Luiz Fernando Emediato, as Trevas no Paraíso souberam me dizer que na luta dos gigantes há um grande herói que torna-se com o tempo o velho-herói, que morre feliz e satisfeito mesmo fracassando na imaginação de seu novo mundo, o mesmo em que viveriam até as figuras que um dia fizeram-no ter medo. minha grande(-falsa) heroína também morrerá um dia bem feliz e satisfeita com tudo que já fizera na vida. eu tão-somente sei. porém essas suas figuras medonhas somos nós, sou eu, as estranhas. as que criaram uma barreira tão imensa contra todas palavras proferidas em momentos de espasmos. talvez a vida e o tempo tenham nos ensinado que por cima de feridas e cicatrizes que jamais se curavam, cria-se uma barreira sobre tudo isso, deixando algo duro como uma pedra e frio como o gelo.
envergonho-me de dizer que sou essa coisa-bizarra-sem-coração-e-sem-nome, porém foi uma forma de auto-defesa. entende?

e mesmo sendo o Sol de inverno que aqueceu-me durantes esses dias, ele conseguiu me esquentar tão bem, derreter algumas partes internas congeladas, clareou alguns becos escuros e fez-me espairecer de muitas boas formas.

11 julho, 2008

naqueles segundos que pareceram tão eternos, tão profundos e silenciosos fechei meu olhos com força e fiz minha prece, acreditando naquele que um dia me deu fé para acreditar em mim mesma. e nos outros segundos gritei, gritei com mais aquelas pessoas todas que sofrem como eu. gritei com minha alma, era um barulho desvastador, desesperador, aliviante.
ao acenderem as luzes, tudo parecia mais claro, mais limpo, mais seguro.
eu senti-me tão mais viva, passei a acreditar que não serei um fracasso, já que muitas coisas nesse mundo não estão certas, não são justas o bastante com todos.
talvez eu não esteja fazendo o necessário para merecer, porém minha personalidade não é bitolada, não consigo me limitar em dias sentada resolvendo exercicios e tentando entender todas as coisas existentes. por mais que seja um ano sacrificante, eu não sei fazer certos sacrifícios. preciso espairecer, preciso ir aos meus ensaios, preciso ter meus momentos diários, preciso de tantas outras coisas que fazem me sentir viva.
é aquela fé que me disseram um dia, aquela mesma que está com arco-íris e céus de chocolate.

04 julho, 2008

doce como algodão-doce

não me faça esperar, não levante a voz, não diz que vem e mais tarde não vem, não me iluda, não me faça sentir uma completa idiota, não desvie os olhos dos meus, diga que me ama no meio de uma briga, me abraça e diga que está tudo bem, me aquece do frio, deixa o seu cheiro ficar em mim, não abra a porta pra mim porque na verdade eu só quero ficar contigo, não me prometa dias do qual sempre sonhei, não diga que está louco sendo que também estou, não solte da minha mão, não atravesse a rua, ande na calçada do lado da rua, me faça sentir protegida, me faça sentir que sou sua, somente sua, porque eu sou, não me faça odiar-te por instantes, odeio te odiar quando brigamos, odeio te odiar quando te espero, odeio sua preguiça, odeio sentir meu coração tão longe do seu, vem aqui, me abraça forte, sinta meu corpo ao seu, sinta me cheiro de algodão-doce, entre no meu aquário, cansei das tempestades, cansei do orgulho, do erro, mas quero aprender, me ensina?, amo de uma maneira que nunca amei, desejo numa intensidade da qual nunca desejei, sorri e ri e ri e ri novamente, ei vem rir comigo, deixa disso, eu amo você.