14 junho, 2008

amor de merda

eu gosto do seu cheiro. gosto de sentir seu sabor.
gosto do seu suor que penetra em minha pele.
viciei-me em teu suor.
gosto de te tocar, gosto de sentir você, preciso te sentir.
gosto de beijar-te mesmo quando acabamos de acordar.
gosto de escutar sua respiração, suas batidas aceleradas.
gosto do jeito mais inocente e mais profano.
sinto do jeito mais sincero e real.

faça-me sentir mulher, dê-me motivos para querer mais, para gritar mais.
me satisfaça, me enlouqueça, sou sua.
me ame, me beije, me toque, me faça sentir única.
dê um beijo no meu rosto mostrando que me ama da maneira mais sincera e verdadeira.
segure-me por uns segundos para sentir seu corpo em mim.
me cheire, sinta meu gosto, que sabor tenho?
prova que ama de corpo e alma.
me vire de todos os lados, sussurre no meu ouvido, me faça rir.

sabe-se que amar é quando o nojento perde sentido e a intimidade cheirosa torna-se tão comum e natural. quando conhece o mais profundo, quando sente os verdadeiros gostos.
amar é tornar-se um aninal que cheira um ao outro. sem máculas, sem disfarces, somente a realidade mais bela e sedutora.
amar é conhecer o outro corpo assim como você conhece o seu.

me ame.

09 junho, 2008

falsa heroína

como toda criança tem seu herói, eu tinha minha heroína.
uma guerreira fortíssima, linda com seus cabelos louros que sabia me salvar das tantas confusões infantis.
era topo. almejava ser como ela.
e é triste dizer que hoje as coisas mudaram tanto ao ponto de não sentir-me orgulhosa ao olhar pra ela e dizer 'minha heroína'. eu olho e faltam-me palavras.
queria ao menos entender o que a vida fez, como fez meu coração transformar-se em quase uma pedra de gelo em relação a ela.
se faz de tão forte visivelmente, mas eu escuto seus gemidos e gritos durante a madrugada. vejo seus olhos inxados pela manhã. debilitada, odeio sentir esse cheiro que não pertencia ao corpo dela. odeio saber a verdade.
eu cresci. hoje enxergo as coisas que estavam ofuscadas.
hoje brigo, hoje falo alto, hoje respeito e ainda amo porém almejo ser uma pessoa totalmente diferente da minha heroína.
hoje quero sair de casa o mais rápido possível para não enxergar a verdade todo dia.
para não ter que fazer parte de algo tão falso.
para viver do jeito que acho que as coisas são, vivenciando essas coisas de longe, de outro ângulo.
me faria (tão) melhor.
eu estaria melhor.

02 junho, 2008

todos os ritmos

era uma multidão.
no meio de tantos passos e rodas, frio e toucas, ladeira e grama, maracatu e triângulo.
como se todos ângulos e perpendiculares juntassem em uma reta só, uma direção só.
vi tudo: os abraços, a vibração, os gritos, os amigos, a grade.
não podia, nem ao menos queria.
aquela chuva escondeu as lágrimas, as batidas esconderam o disparar do coração, a caixa de som escondeu todos meus altos pensamentos que me pertubavam.
senti-me tão suja quanto àquele barro que fazia-me deslizar. e nem toda aquela tempestade pôde limpar-me de toda sujeira.
e entre pingos, medo, cansaço eu senti aquela mão. aquela que não me soltava, se soltava, era para abraçar-me mais forte apaziguando a situação.
e no silêncio dos passos escutava-se cada pulsar, cada batida que meu coração batia para um alguém.
somente para um alguém.
assim como as lianas são parasitas de parede e cobrem repentinamente a mesma, meu sentimento cresce a cada olhar e a cada abraço que me renova, porque sim, você renova (-me).
deixa-se levar na mesma sintonia, no mesmo ritmo, essa nossa música que vai do maracatu à rpda de jazz, da malemolência brasileira ao rock 'n roll descabelado. você é todos os ritmos que faz-me querer dançar e amar.
e amar.

29 maio, 2008

meu segredo (não mais segredo)

por uma mera (ou não) coincidência, deparei-me mais que duas ou três vezes com uma mesma palavra nessa manhã. uma das minhas preferidas, que significa quase tudo pra mim. é aquela que quando um dos meus amigos escuta, chega noutro dia e diz 'ei, lembrei de você ontem'. e gosto de saber que sou lembrada quando tal palavra é proferida.
é essa que está no meu profile, na minha descrição, que está no livro, na revista, no jornal. mas também está na mente, no cotidiano, na alma, em mim.

já fui obrigada a ouvir que é uma perda de tempo procurar a essência das coisas. que as coisas são como são, nada mais. até alberto caeiro o diz. já que é anti metafísico e anti filosófico.
não posso discordar que as coisas são como elas são, visivelmente sim. porém, assim como todos sabem, tal heterônimo é materialista, o mundo exterior é mais válido e verdadeiro que o interior. 'Creio mais no meu corpo do que na minha alma' , sim, palavras do próprio.
aí entra minha discordância. meu corpo é reflexo da minha alma. sou o que sou por fora consequentemente daquilo que sinto e penso.
não danço simplesmente porque é bonito, mas porque sinto-me viva ao movimentar-me inteiramente e intensamente. danço porque é arte, é passar sentimentos e expressões internas.
invento formas e misturo cores não por ser legal, mas porque isso faz parte de mim, colocar num papel (ou em qualquer outro lugar) a minh'alma, meu eu.

acredito no poder de todo e qualquer movimento artístico. e nesse mundo ilusório, que talvez as pessoas não entendem e julgam tanto, é que vive-se melhor. na verdade, melhor não seria a palavra exata, entretanto é nele onde há intensidade, há paixão, há entrega, há atitude, há cor, há vida vida vida, muita vida !

sou viva, tenho alma, tenho essência. e é nisso que está o segredo de viver.
( porém meu segredo não é mais segredo )

21 maio, 2008

os lados

não se tem apenas um lado, nem uma só verdade, nem um só alguém.
parece que tudo se duplica/se complica.
são tantas certezas e vontades que passam a ser alguma-coisa-que-dê-dor-de-cabeça e muitos outros sentimentos um tanto inconstantes como incontroláveis.
são opostos mas são iguais. um completa o outro.
é necessidade, é rotina, é amor, mas é também estabilidade, é arte, é distância.
é norah jones mas tbm é chico.
é sentir borboletas e é sentir calafrios.
é tudo quando não é nada.
é intenso-tão-intenso, é viciante; mas há vazio também.
não preciso só de palavras, preciso de provas, de atos, de toques, de calor.
preciso de sinceridade, de palavras sussurradas, de auto-controle.
preciso tanto que estraguei da pior maneira.
do erro, tem-se o erro.
e da confiança perdida, é dificil o recuperar.
tempo? talvez ele diga alguma coisa.
só não quero perder, não quero.
quero aprender todas formas e cores, quero SER todas cores e formas. me trace, me pincela, me perco em seus traços. te inspiro.
quero aprender a ser guerreira, quero uma cerveja numa 2ª feira ensolarada, quero gostar de lianas. me ensine todos os ritmos e batidas, me apóie, me abraça do jeito que ninguém mais sabe.

eu não posso. simplesmente não posso.
e nesse paradoxo dói tanto que falta-me o ar.
não podia. acontece, fala, dói (...) e dói. e o resto não sei mais.

19 maio, 2008

descanse em paz, vovô.

nunca tinha sentido a perda de alguém próximo assim. é estranho pensar que ele só foi o primeiro.
numa barreira-de-traumas, me contive durante todo o dia. talvez para bancar uma aparência, ou talvez por não conseguir simplesmente me expor a tantas pessoas.
dói tanto ver todos desfigurados, a cada abraço duradouro ter que confortar com algumas palavras repetidas que secavam minha boca.
e em meio aquele cheiro de plantas, morte e tristeza, cantou-se um cântico a Deus. leve-o em paz, meu Deus.
descanse em paz, vovô.
numa distância entre eu e aquele corpo ali, totalmente indefeso e (des)cansado, era visível que estava num mundo diferente desse. sentia paz, havia um sorriso escondido naquele rosto.
e num sentimento confuso, consegui lembrar de bons momentos ao lado dele, por mais que na minha vida inteira fora muito ausente, ou nas horas presente, destratava a todos, principalmente a quem eu mais amava. é, pagou o preço do seu vício. um dia isso aconteceria de alguma maneira. aconteceu e eu sabia.
'Deus sabe o que faz', acredito nisso.

senti-me um pouco fria, mas não me senti mal ao sentir isso.
é justificável o porquê dela. eu sei. eu sei.
e numa fé que não tinha há tempos, ao ver aquela guerreira ali de pé ao lado do corpo, percebi que bem-aventurado aquele que crê.
eu creio.
amém

07 maio, 2008

i want to break free

é estranho mas é verdade, eu preciso me libertar.
de muitas formas isso está me fazendo mal. é tão dolorido que torna-se incontrolável.
na minha ideologia ilusória, pensei que iria ser tão normal como sempre foi.

'i can't get used to living without you by my side'
soa tão estranho e declarador.
é tão desesperador como as palavras proferidas alguns dias atrás por mim, e como resposta tive apenas o silêncio. é, aquele mesmo que me ensurdece (e odeio).

é ligar numa quarta feira qualquer e ter um ombro onde encostar no caminho do ônibus, é ter companhia para rir de coisas alheias e fúteis, é meu cotidiano, minha rotina.
tá cravado, tá selecionado, faz parte de mim, me conhece por inteira e eu simplesmente amo.
da forma mais pura, de um sentimento que brotou tão rápido e transformou-se numa necessidade diária.
sei que existe maturidade suficiente nesse elo, não há o porquê de tanta dor sentida nas últimas conversas-silenciosas.
'enjoy the silence', eu odeio o silêncio. odeio.
assim como odeio todas indiretas maldosas e os sorrisos no canteiro da boca.
e toda essa frieza que não sei como surgiu em alguém tão tão bom.
e toda essa repulsa que sinto quando (não) está perto de mim.
ei, sou eu. lembra ?

.

mais sincero que isso?
somente vendo meus olhos vermelhos.

03 maio, 2008

my blueberry nights

é como na tela de cinema
preciso de um molho de chaves simbolizando meu esquecimento, àquele que posso jogar num pote junto a tantas outras histórias que são apenas histórias esquecidas contadas por um dono de bar.
e numa rotina nova, com cigarros feitos a mão, muito frio, tortas de amora e bocas sujas, um sentimento é brotado.
não é apenas mais uma clichê história hollywoodiana, e sim, algo real. tão real que me vi nela.
só é preciso comprar uma torta de amora e comê-la todas as noites que encontro àquele que me faz sentir tão bem ao lado.
que me faça sentir viva como uma dançarina.
onde os dias que se passam ao seu lado, tornam-se tão curtos e rápidos por ser tão bons.
é triste a saudade que existe, mas é boa quando matada.
é quase tão necessário quanto a rotina de trabalho, estudos e família.
é tão necessário quanto um sorriso, já que é o causador de milhões de sorrisos diários (seja lá qual for a forma de tirá-los da minha boca).
até chico buarque soube dizer, junto com a mais simples sintonia. e jorge ben jor soube presenciar e tocar junto à realidade, se é que alguém me entende.
mas logo digo, as pessoas não sabem. não sabem de nada.
não há fotos que registrem os sorrisos e a rotina necessária, e são poucos os dias vividos, mas são tão válidos quanto uma vida inteira.

é assim intenso e real.
onde um sofá diz tanta coisa, onde uma rua tão suja de são paulo signifique tantas coisas.
onde as noites tornam-se tão coloridas, my blueberry nights.

23 abril, 2008

meus (des)vícios

não fiz nenhuma descoberta, mas tenho afirmado isso diariamente: não posso fugir de mim mesma. por mais que eu tente e invente desculpas a mim mesma, no fim, sempre acabo na mesma resposta, com a mesma resposta.
posso esticar tudo, posso procurar nas minhas raízes, posso sentir o encantamento, porém a verdade é clara. por mais que os dias tem sido cinzas e chuvosos e minha visão-gris nao tenha discernimento o suficiente pra distinguir as cores e formas, eu cai em mim.
'eu quase digo e calo, eu quase sinto e esqueço'.
nessa constante contradição procuro meu caminho reto, procuro as ruas que contumavam me espairecer.
e agora, num desaparecer de todas as palavras, onde somente àquela imagem-cinematográfica passa em minha mente junto às mais lindas memórias, eu sinto uma convicção que está certo assim, está bom assim.
independente do antes e do depois, mas o meu presente está bom. já que todo dia é dia de salvar e ser salvo. todo dia é dia de atirar e ser o alvo.
alguém um dia me ensinou isso, e hoje carrego essas palavras cravadas em minha coleção de frases excelentes. viciei-me em coleções. viciei-me em muitas outras coisas.

e por fim, meus milhões de sorrisos diários inversos-ou-não-inversos me fazem de alguma forma acreditar em mim mesma, com todas contradições e oscilações, vícios e desvícios, palavras e vontades. isso tudo me dá um motivo a mais. é, na verdade, isso que me faz viver.

11 abril, 2008

pausa-do-dia

numa pausa do dia, onde os pensamentos tentam vir devorar mais ainda minhas neuroses diárias, onde uma xícara de café, ou um passeio pela avenida angélica numa tarde chuvosa, simplesmente não bastam.
mente cansada, o corpo anseia por cama, os olhos fecham-se sozinhos, uma rotina agradável porém desgastante. e com tudo isso, ainda nessa pausa do dia, existe alguma sintonia. um estudo de mim, onde a corda bamba fica firme. ou nem tão firme assim, entretanto, tento.
e em algumas escapadas dessa rotina cansativa, fazem com que eu perceba o quanto vale a pena espairecer, sair pela rua cantando e dançando, sentar num bar no meio do caminho e beber uma cerveja, mesmo que seja uma, mas já é alguma coisa.
e depois de algumas interrogações, vêm respostas que não queria escutar. é pouco pra mim. ou ainda não descobri se sou eu que não faço valer a pena. por isso digo, essas pausas diárias são necessárias para meu estudo de mim.
recordo-me que alguns dias atrás, numa confusão sentimental-mental vomitei-me todas minhas neuroses, e a partir disso, a decisão veio à tona. porém conforme o decorrer das horas, após o falar sincero em meio ao contentamento de lágrimas, as decisões não foram as mesmas. porque a vida é assim mesmo, movida a tentativas!

e sem pé nem cabeça, termino dizendo que motivos mil me levam a querer tanto, mas que em poucos minutos os mesmos desaparecem. por isso fico nisso: nessa ansiedade da minha pausa diária, onde eu posso sentir e ouvir meu as estrelas .